A grande potência do Mediterrâneo

Domínios de Cartago, derrotada por Roma, incluíam as ilhas de Sicília, da Sardenha e a Península Ibérica

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

31 Março 2009 | 02h42

Com as ruínas de Cartago diante dos olhos fica difícil acreditar que aquela já foi a maior potência do Mediterrâneo. A cidade teria sido fundada entre 1000 a.C e 814 a.C. e tornou-se um importante porto comercial. Hoje é preciso usar a imaginação para ver ali um centro rico, cujos domínios, até o século 2º a.C., abrangiam do norte da África às ilhas de Sicília e da Sardenha, na atual Itália, e à Península Ibérica.

 

Resquícios: Termas de Antonine, erguidas sob o jugo romano

Ainda assim a visita ao sítio histórico é obrigatória. Comece parando no porto púnico, de formato redondo. Era ali o local de chegada e partida de navios repletos de mercadorias - especialmente tecidos coloridos, tingidos pelos fenícios em um processo elaborado. Graças ao comércio, Cartago chegou a ser a terceira maior cidade de seu tempo, atrás apenas de Roma e de Alexandria. Estima-se que 500 mil pessoas viveram ali.

 

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A entrada para o Parque Nacional - Patrimônio Cultural da Humanidade pela Unesco - está alguns metros à frente, entre condomínios luxuosos. Da civilização cartaginesa pouco ou quase nada restou. As ruínas que hoje chamam a atenção dos visitantes, as Termas de Antonine, foram erguidas já sob domínio romano, entre 44 a.C. e 533 d.C.

Suba até a colina de Byrsa para visitar o Museu de Cartago, onde estão expostos artefatos encontrados nas escavações. Aproveite para conferir a bela vista das ruínas, emolduradas pelo Mediterrâneo.

DECLÍNIO

A dificuldade em encontrar sinais da antiga metrópole esbarra em sua própria história. As três Guerras Púnicas, travadas entre 264 a.C. e 146 a.C, contra Roma - seu desafeto comercial -, culminaram na destruição total de Cartago. A cidade foi queimada e teve o solo salgado para que nada mais nascesse ali.

Foi na segunda das três batalhas que Cartago ficou mais próxima de derrotar sua rival. Para entrar na cidade sem ser percebido, o general Aníbal atravessou os Alpes com 40 mil homens e 38 elefantes. A missão acabou por enfraquecer a defesa da própria Cartago, que sucumbiu aos romanos. Com o fim da rival, Roma abriu caminho para expandir seu império pelo norte da África, Europa e Oriente Médio.

Em 44 a.C., Júlio César decidiu reconstruir Cartago como uma cidade romana. A região, mais uma vez, atingiu a prosperidade. Mas, com o domínio do Império Bizantino, em 697 d.C., a cidade entraria definitivamente em decadência.

POEMA PERFEITO

Durante dez anos, o escritor romano Virgílio (70 a.C.-19 a.C.) dedicou-se à sua obra-prima: Eneida, encomendada pelo imperador César Augusto (63 a.C.-14 d.C.) para divulgar o poder de Roma. Virgílio quis fazer do poema o mais perfeito já escrito e superar a Ilíada, de Homero. A narrativa traz a história de Eneias, que se salva da guerra de Troia e viaja pelo Mediterrâneo em busca de lugar para construir uma nova cidade: Roma.

A narrativa de Virgílio mistura fatos históricos com episódios fantasiosos. Em sua versão, a cidade teria sido fundada em 814 a.C. por Dido, uma princesa fenícia. A data é contestada por historiadores, que indicam o ano 1000 a.C.

Depois de naufragar na costa de Cartago, Eneias é resgatado por Dido, que se apaixona por ele. Decidido a criar a nova Troia, Eneias resolve partir. Dido então se joga em uma pira acesa. O episódio seria um simbolismo da superioridade de Roma sobre Cartago.

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