A gratidão britânica

Desde o Congresso de Viena, em 1814, que os britânicos perceberam a importância estratégica de ter uma base no Mediterrâneo, entre o litoral italiano e o africano, para garantir a passagem de mercadorias da Índia e, mais tarde, do petróleo do Oriente Médio. Assim, na 2ª Guerra, Malta tornou-se uma flecha apontada para a Sicília e para as divisões Panzer do general Erwin Rommel, a Raposa do Deserto, no Norte da África.

O Estado de S.Paulo

05 Junho 2012 | 03h21

Tomá-la foi uma das prioridades do comando de guerra nazista e os bombardeios começaram no dia 11 de junho de 1940, um dia depois que a Itália entrou na guerra. A ilha foi sistematicamente atacada nos dois anos seguintes pela Força Aérea italiana, que, nos últimos meses do conflito, contou com o apoio dos esquadrões de bombardeiros Stuka, enviados por Hitler à Sicília. "Sem Malta, o Eixo perderá o controle do Norte da África", alertava Rommel, em 1941.

A essa altura, as operações britânicas em Malta já haviam começado a afetar o envio de suprimentos de combustível para os tanques do Afrika Korps, de Rommel, e as marinhas mercantes italiana e alemã sofriam pesadas baixas em ações de submarinos estacionados em Valeta. Foi quando Hitler tomou a dramática decisão de sufocar a ilha.

Assim como os turcos otomanos no século 16, a ideia do Führer era sustentar um cerco a Malta, tentar matar a população de fome e destruir o moral do inimigo com uma sequência neurótica de violentos ataques aéreos. A ilha foi bombardeada por 154 dias consecutivos.

Em apenas um mês, entre 20 de março e 28 de abril de 1942, os alemães realizaram 11,8 mil missões aéreas e lançaram 6,5 mil toneladas de bombas - nenhum outro lugar da Europa foi tão violentamente atacado durante a 2ª Guerra. Para evitar a rendição de Malta, os britânicos planejaram a Operação Pedestal, em agosto de 1942, e enviaram comida e combustível em 14 cargueiros acompanhados por uma escolta de 2 couraçados, 7 cruzadores, 3 porta-aviões e 24 destróieres.

Durante cinco dias, a frota esteve sob fogo pesado. Apenas cinco cargueiros chegaram a Valeta, mas salvaram a ilha. Em gratidão pelo papel decisivo na guerra, os britânicos concederam a todos os malteses a Cruz de Jorge, a mais alta condecoração civil do reino.

Hoje, a insígnia está em exibição no Museu Nacional da Guerra, em Valeta e na bandeira maltesa. Em Vittoriosa, Sanglea e Cospicua estilhaços de bombas ainda marcam as paredes de vários edifícios. / C.D.

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