A herança da Copa para o turismo (Parte 2)

A Copa do Mundo, para surpresa dos formadores de opinião, foi um sucesso de público. "Incrível, os gringos estão gostando", era o subtexto de boa parte das matérias produzidas por jornais, portais e TVs.

Ricardo Freire, O Estado de S.Paulo

29 Julho 2014 | 02h06

Na minha opinião, este é o grande legado da Copa para o turismo: relembrar que os estrangeiros não procuram no Brasil aquilo que vamos procurar na Flórida. A agenda de avanços sociais e melhorias urbanas é inadiável - mas não impede que haja turismo. A maior prova disso está na própria delegação alemã na Copa, que deliberadamente escolheu um lugar com o mínimo de infraestrutura, a vila de Santo André na Bahia (leia mais na página 10), para montar sua base e captar as boas vibrações locais.

As autoridades comemoram a vinda de mais turistas do que estimavam. Mas isso só aconteceu por conta da (inesperada) invasão argentina de torcedores sem ingresso, que vieram só pela farra. Poderíamos ter levado por conta própria a celebração da Copa para além das cidades-sede - que acabaram ficando vazias.

O desafio agora é transformar a belíssima exposição da Copa (um plano de mídia que custou US$ 12 bilhões em estádios) para aumentar substancialmente a visitação e diminuir o déficit anual de US$ 18 bilhões da "conta-turismo" (sim, uma Copa e meia por ano).

Haverá um aumento orgânico do turismo internacional. Para o Brasil ser um Bric do turismo, porém, será preciso marketing, comunicação e foco no viajante independente, que necessita de informação e apoio. Precisamos evitar que 2016 seja um repeteco de 2014, com o mundo evitando o Brasil pela expectativa de preços altos da Olimpíada. O Rio estará mesmo caríssimo (e lotado), mas o resto do Brasil, não.

Em 1987, a Tailândia potencializou um ano de festa - quando seriam comemorados os 60 anos do rei - para instituir o Visit Thailand Year, com um pacote de facilidades e estímulos para o visitante. Hoje, recebe 15 milhões de turistas, contra 6 milhões do Brasil.

Se trabalhar nisso desde o primeiro dia, dá tempo para o próximo governo fazer de 2016 um Visit Brazil Year. Com visto concedido na chegada, facilidades na compra de chip pré-pago, informações claras de transporte nos aeroportos e site oficial que efetivamente ajude a planejar viagens, podemos pensar em sair da 2.ª divisão do campeonato mundial de turismo. (Em tempo: perdeu a primeira parte deste texto? Está em oesta.do/legadofreire)

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