A herança que mudou tudo

Nosso bravo viajante e sua mascote, Trashie, a raposa das estepes siberianas, foram a alguns brechós de Portobello Road, em Londres, atrás de roupas estilosas para Trashie, que, apesar de suficientemente peluda, gosta de fazer bela figura no inverno.

O Estado de S.Paulo

23 Outubro 2012 | 03h12

A seguir, a pergunta da semana:

Mr. Miles: confesso que descobri sua coluna há pouco tempo e já me tornei seu seguidor. O senhor já deve ter contado antes, mas eu gostaria de saber de onde vem esse dinheiro todo que o faz viajar sem parar.

Alvaro Figueira da Rosa, por e-mail

"Well, my friend, confesso que fico sempre pouco à vontade para falar de mim. São as viagens que me interessam. É preciso que eu esclareça, however, que não sou um homem rico - pelo menos no significado financeiro desse adjetivo. Fui, of course, enriquecendo-me de experiências durante a vida, o que me torna uma espécie de milionário da peregrinação e do entendimento das diferenças culturais que, ao invés de dividir os homens, deveria uni-los em sua grandeza.

Isto posto, vou contar algumas singularidades que me levaram a viajar constantemente sem ter um bom empregou ou carteira assinada. Well: sou filho de um guarda-livros e criei-me no Condado de Essex, uma apreciável região ao leste de Londres. Se o destino não tivesse me ajudado, provavelmente seguiria minha úmida rotina no chuvoso condado. Acontece, however, que uma longínqua contraparente, que nem sequer lembro de ter visto alguma vez, deixou-me uma polpuda herança. Adolescente, tendo lido as obras de Jules Verne e Karl May, eu já era, então, um grande viajante de olhos fechados. Ou seja: eu ainda não conhecia nada, mas já havia sonhado com os lugares mais remotos do mundo.

Decidi partir para expedições reais. Comprei uma passagem em um vapor em Southampton e segui para a América do Sul. Desde então, exceto por alguns intervalos em que tive de servir ao Exército de Sua Majestade, passo a vida com uma pequena mala na mão.

Não me recordo por quanto tempo estive viajando e descobrindo o mundo antes de a fortuna herdada praticamente acabar. Nevertheless, tenho a certeza de que a minha curiosidade e o meu interesse pelas pessoas propiciaram-me grandes amizades em dezenas de países. Já perdi a conta, my friend, de quantos compadres, comadres e afilhados tenho mundo afora, mas o fato é que centenas deles estão no ramo de viagens, possuem hotéis e pousadas ou neles trabalham como gerentes e concierges.

Therefore, nunca tive problemas com hospedagem, ainda que já não tivesse minhas bravas libras para ajudar. Eis porque, by the way, jamais utilizo este espaço para recomendações pontuais, muito procuradas pelos leitores. Trata-se de uma questão de ética e lealdade. Se eu fornecer o nome de uma pousada determinada, vou acabar magoando o dono de um hotel vizinho que também é meu amigo.

Também não tenho problemas de locomoção. Viajei por tanto tempo e em tantas companhias aéreas que tive a sorte de me tornar sócio remido de oito diferentes programas de milhagem. Com tantos voos à minha disposição, posso ir praticamente a qualquer lugar. E, como tenho tempo disponível, evito as rotas mais ocupadas.

For instance: se o voo Londres- Bangcoc estiver cheio, viajo pela rota Londres-São Paulo-Santiago-Papeete-Sydney-Bangcoc e chego lá da mesma maneira. É assim, portanto, que sigo exercendo essa agradável missão que é a de conhecer cada palmo deste planeta que, apesar de dividido e dilacerado, sempre será o quintal de minha casa e da casa de cada terráqueo que houver por bem ampliar seus horizontes.

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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