A hora certa de encontrar sua oferta

Não existe milagre: quem compra antes consegue o menor preço. Mas, em alguns casos, vale correr riscos e passar horas buscando ofertas no computador. Siga os especialistas

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

13 Agosto 2013 | 02h18

Quanto antes, melhor? Quando o assunto é viagem, a ideia nem sempre se aplica se o objetivo é encontrar os preços mais justos de transporte aéreo ou de trem, um quarto de hotel na medida do possível bom, bonito e barato, aquela oferta fora de série para um feriado concorrido.

Não que planejamento não seja fundamental na vida do viajante - mas, em alguns casos, esse planejamento pode significar saber que existe uma época mais provável para o lançamento de pacotes promocionais do tipo de viagem que você deseja. Ofertas dependem de muitas variáveis - procura pelo produto ou serviço turístico, variação de preços de insumos como combustíveis, alta e baixa estações, clima e outros -, mas algumas se repetem de forma mais ou menos regular ao longo dos anos.

É o caso das hot deals (ofertas quentes) nos cruzeiros nos Estados Unidos, Caribe e Europa. Segundo Bernardo Porfírio, que trabalha no mercado de cruzeiros desde 2004 e é autor de guias sobre o assunto, é comum que os preços das cabines mais luxuosas sejam descontados entre 150 e 100 dias antes da data marcada para a partida do navio. Pode ser a chance de ter uma acomodação mais requintada pelo preço de uma padrão.

Não existe milagre e é arriscado, claro. Mas viajar é hábito, prática - e viajar bem, mais ainda. Requer paciência e dedicação para planejar, aprender a identificar promoções que têm realmente a ver com seu estilo turístico. A seguir, você encontra recomendações de empresas do setor para conseguir a melhor relação custo-benefício. E também as de viajantes com muitos quilômetros rodados.

 

TREM. Bilhetes de trem na Europa tendem a ter preços tão variáveis quanto passagens aéreas. Comprar com antecedência de dois meses da data da viagem pode render economia de até 60% em relação ao que você pagaria em cima da hora, segundo a gerente regional da Rail Europe na América do Sul, Marina Corinaldesi.

Antecipar-se é especialmente importante em trechos muito concorridos como o Eurostar, que liga Londres a Paris e Bruxelas. É a rota sobre trilhos campeã de vendas entre brasileiros. Para embarque daqui a uma semana, o bilhete mais barato entre a estação londrina St. Pancras e a parisiense Gare du Nord, comprado na última sexta-feira, saía por R$ 435. No mesmo dia, para dois meses depois, o valor mínimo era de R$ 151.

A Rail Europe inflaciona um pouco os preços dos bilhetes vendidos no Brasil, em troca dos seus serviços e seu site em português. No site do próprio Eurostar, o bilhete nas mesmas datas custava, respectivamente, R$ 81 e R$ 30 a menos.

Dica de viajante. "Minha recomendação aos desprendidos é consultar os sites das próprias empresas de trem europeias e comparar com o bilhete vendido no Brasil", diz o colunista do Viagem Ricardo Freire. É possível comprar com cartão de crédito brasileiro na Renfe (Espanha, melhores preços com 90 dias de antecedência); SNCF (França, 90 a 60 dias, com descontos apenas na versão francesa); ÖBB (Áustria, 80 dias); DB Bahn (Alemanha, 80 dias). "No leste europeu, recomendo que se comprem as passagens de trem lá mesmo, no dia da chegada", diz Freire.

 

HOTEL. Diante da força dos maiores sites de reservas de hospedagem, que permitem comparar preços de hotéis de mesma categoria, ler resenhas e reservar imediatamente, as grandes cadeias hoteleiras têm tomado o cuidado de garantir que os preços em todos os canais de venda sejam equivalentes. Ou seja, com poucas exceções, a diária do Booking.com ou do Hoteis.com será a mesma daquela mostrada no site oficial do hotel. É o que ocorre em redes como Four Seasons (foto) e Pestana.

Outras buscam criar promoções e pacotes exclusivos para seus próprios sites, como Hilton, que tem programas para famílias e hóspedes gays.

Comum entre as maiores cadeias hoteleiras é a tarifa early booking, ou seja, reserva antecipada, que dá descontos para confirmações feitas, em média, com 35 a 60 dias de antecedência. Os hotéis internacionais vão melhor nesse ponto: os sites costumam ter, bem fáceis de achar, os links promoções (offers) e reserva antecipada.

Dica de viajante. A hotelaria é altamente dependente da temporada. Por isso, o inspetor do guia Conde Nast para a América do Sul Felipe Candiota tem uma dica direta: fuja do fluxo. "Bons preços nas férias escolares de inverno e verão? Esqueça", diz Candiota, autor do livro Brasil Hotels. Outono e primavera são épocas de preços em conta e serviço mais atencioso em qualquer lugar do mundo. Outra dica: se encontrar em sites de pesquisa de hotéis tarifas mais vantajosas que no do próprio hotel, telefone. Nas hospedagens de nível médio a superior, a prática é cobrir a oferta.

AÉREO. A não ser em casos específicos, uma viagem internacional não é para ontem, certo? É praticamente consenso entre as empresas aéreas que voam para Europa e Estados Unidos que o segredo para obter a melhor tarifa possível é comprar com três meses de antecedência, em média. E que ser flexível faz diferença.

O que é verdade. Na sexta-feira, quando estava no ar no site da KLM a promoção Pack&Go, com voos para a Europa de última hora (embarque duas semanas depois) a partir de US$ 849, rotas de ida e volta entre São Paulo e capitais europeias entre terças e quintas-feiras custavam, em média, US$ 600 menos que as partidas entre sextas e segundas-feiras.

Nos sites de empresas como a American, o quadro de busca tem a opção de flexibilizar datas, o que facilita comparações.

As nacionais recomendam entre dois meses (Gol), um mês (TAM) e 21 dias (Azul) de antecedência para encontrar tarifas vantajosas e os dias de menor movimento (terças e quartas-feiras e miolo do fim de semana e de feriados).

E quanto às promoções-relâmpago? No mercado nacional, são mais frequentes entre a noite de sexta-feira e a manhã de segunda, sempre na internet. Só valem em compras por impulso: se ficar esperando por uma delas para uma viagem que você já tem certeza de que vai mesmo fazer, corre o risco de pagar tarifa cheia na última hora.

Dica de viajante. Criador do site Aquela Passagem (aquelapassagem.com.br), Rodrigo Purisch diz que, em momento de dólar em alta, uma eventual cotação favorável da moeda americana pode ser mais vantajosa que um preço descontado em dólares nas passagens internacionais. "Pode valer até um bilhete mais caro com multas de reembolso baixas. Se pintar algo muito maravilhoso no futuro, peça reembolso da passagem antiga e compre a outra super promocional."

Em trechos nacionais, ele recomenda voar no meio do dia ou tarde da noite, horários de baixa procura e preços idem, assim como terças e quartas-feiras. E, principalmente, não estressar. "Comprou sua passagem? Está feliz com ela? Pare de ficar comparando o que comprou com as últimas promoções. Você não ganha nada com isso."

 

CRUZEIRO. Promoções como segundo ou terceiro passageiro grátis na mesma cabine do(s) pagante(s) já se tornaram um clássico da temporada de cruzeiros na costa brasileira. Tanto que a Costa divulga até a data em que elas são lançadas: junto com os pacotes para a próxima temporada, um ano antes de zarpar o primeiro navio, segundo a gerente de Vendas e Marketing Claudia Del Valle. No mesmo período, a armadora tem a tarifa Pague Já, com descontos que podem chegar a 50% do valor da tabela e disponível até dois meses depois da abertura das vendas.

Um ano de antecedência também é o prazo da MSC para começar a vender cabines. Mas a empresa não divulga datas promocionais. Além de passageiro grátis, há descontos familiares. É preciso acompanhar no site.

Julho e agosto, principalmente, são os meses em que a Royal Caribbean lança promoções. A atual diz respeito a upgrade de cabines: da externa para uma com varanda, sem custo extra. A empresa abre a temporada de vendas um ano e meio antes.

Dica de viajante. Além das hot deals, tarifas descontadas em cabines superiores no exterior, o autor de guias de cruzeiros Bernardo Porfírio garante que a antecedência é mesmo a melhor forma de reservar a cabine desejada pelo menor preço possível na temporada brasileira. "Dez meses a um ano, para parcelar", diz Porfírio.

Já Rodrigo Purisch, que faz ao menos um cruzeiro por ano no exterior, fecha reserva três meses antes. "Depois disso, as cabines mais em conta esgotam e alguns preços até sobem. Viajo quando a demanda dos americanos é menor, no inverno deles, nas bordas da temporada de furacões", diz Purisch.

 

RÉVEILLON E CARNAVAL. Nos dois feriados mais movimentados do calendário nacional, o planejamento prévio se torna decisivo. Segundo o gerente de Circuitos Europeus da Flytour, Juventino Netto, entre sete e oito meses de antecedência são ideais para ter acesso a mais opções de preços para viajar no réveillon e no carnaval. Mesmo que para o exterior.

"Maio é a época para fechar o réveillon e julho, o carnaval", diz Netto. "Inclusive para aproveitar as condições de parcelamento em dez vezes."

E aqui não há mágica mesmo. Para baratear seus pacotes de réveillon e carnaval, as operadoras dependem das tarifas de aéreo e hotelaria. Como trabalham com bloqueios, ou seja, reservam parte dos lugares de um voo ou quartos de uma hospedagem, conseguem segurar preços por mais tempo. Mas quanto mais perto da data, mais as tarifas sobem e os lugares disponíveis diminuem.

Com a CVC, os pacotes podem ser comprados com 18 meses de antecedência, o que permite tarifas que podem chegar a 30% de desconto e ainda parcelar o pagamento.

Dica de viajante. Se você não faz questão de pular carnaval todos os dias, Adriana Moreira, editora do Viagem, recomenda ir no meio do feriado. "Sempre há promoções nos voos nacionais para domingo ou segunda", diz. Viajar nos dias 24 ou 31 de dezembro também pode sair mais em conta.

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