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Argentina no inverno: conheça estações para esquiar

Temporada de neve na Argentina vai até a terceira semana de setembro, em média, com pequenas variações entre as estações de esqui e snowboard

Mariana Goulart, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2018 | 05h00

SAN MARTÍN DE LOS ANDES - No trajeto entre Villa La Angostura e a estação de esqui Cerro Bayo, o papo animado foi interrompido de imediato quando nos aproximamos da montanha. Os quatro ocupantes do carro não se importaram com o vento frio que soprava do lado de fora do veículo; abrimos imediatamente as janelas. Estávamos aos pés do cerro; rapidamente descemos do carro para ver a neve que havia começado a cair, fina e clara. 

Ao nosso redor, adultos e crianças iam repetindo o movimento. Em instantes, o pátio de entrada da estação ficou tomado por pessoas hipnotizadas. Alguns arriscaram tirar as luvas para fazer fotos, outros, num gesto quase instintivo, abriam a boca e tentavam sentir o gosto dos pequenos flocos gelados que pousavam na língua. Me entreguei a essa coreografia maluca e quase esqueci do frio. 

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A cena se repetiu outras vezes ao longo dos dias, durante a viagem pela Patagônia argentina. Brincar na neve e olhar boquiaberta para o céu foram momentos recorrentes nos quatro dias que passei entre a cidade de San Martín de Los Andes, base para aproveitar as delícias da estação de esqui de Cerro Chapelco, e Villa la Angostura, ponto de partida para deslizar pelas pistas do Cerro Bayo. 

Localizadas na província de Neuquén, distantes 110 quilômetros uma da outra e a cerca de 1.500 de Buenos Aires, as duas estações de esportes de neve têm em comum um clima algo bucólico e mais intimista que a famosa e badalada Bariloche - também ali por perto, ao sul. Visite as duas cidades e se desloque entre elas pela Rota 40, conhecida como Caminho dos Sete Lagos. Como o nome diz, a estrada que corta as montanhas é cercada por maravilhosos lagos, um espetáculo visual. Há mirantes em todos eles, e nem o frio desanima os turistas de admirarem a beleza das montanhas andinas refletidas nas águas calmas e geladas.

A temporada de neve na Argentina acaba de começar. Vai até a terceira semana de setembro, em média, com pequenas variações entre as estações. Confira as novidades e os destaques de cada uma delas a seguir.

*VIAGEM A CONVITE DE INSTITUTO NACIONAL DE PROMOCIÓN TURÍSTICA.

 

 

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Mariana Goulart, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2018 | 04h30

As ruas estreitas de San Martín de los Andes, cobertas de um branco meio encardido de tanto ser pisoteado, logo cedo ficam lotadas de jovens que carregam seus esquis e pranchas de snowboard. Reunidos em cafés, hotéis e pousadas, eles pouco a pouco deixam o povoado e rumam para a montanha. Durante todo o dia a cidade segue um ritmo pacato até que, no fim da tarde, renova seus ares com o agito dos que retornam depois de horas deslizando sobre a neve. 

Eleita duas vezes a melhor da Argentina pelo prêmio anual World Ski Awards (em 2015 e 2016), a estação de Chapelco recebe bem praticantes assíduos de esqui e snowboard. Para esta temporada, a renovação total do Snowpark é a principal novidade. Mas não deixa os iniciantes na mão. Há escola com instrutores que arriscam o portunhol para ajudar nos primeiros passos (mínimo de 3 aulas em grupo, 3.710 pesos ou R$ 518).

Aprender a andar com as botas de esqui parece ser a parte mais difícil. Me aventurei em uma das aulas e, depois de duas horas de tombos, consegui descer por 12 vezes a pista base, que fica a 1.600 metros de altitude e estava lotada de crianças. Muitas delas passavam por mim bem rápido.

Outras 27 pistas se espalham pela montanha, metade delas classificadas como de nível fácil e médio. São 13 meios de elevação e três itinerários fora de pista. 

Em Chapelco também é possível fazer passeios de trenó puxado por cachorros. O trajeto de 3 quilômetros percorre um bosque que margeia a montanha, com pausas para descanso dos animais e, claro, fotos. A estação tem pistas em meio a lengas, árvores típicas da Patagônia. 

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FOME

Conforme a tarde chega, os esportistas seguem para o Antu Lauquen, o aconchegante restaurante na pista base. O local fica lotado e serve refeições em esquema de bufê, além de alguns pratos à la carte. O "bandejão" custa cerca de R$ 50. 

Os mais jovens preferem o bar na entrada da estação. Num clima de happy hour, bebem cervejas e compartilham vídeos das descidas que fizeram. Quase todos levam câmeras no capacete. 

San Martín de Los Andes. A estrada que leva de volta à cidade base de San Martín de Los Andes fica cheia depois do fechamento das pistas e, por ser sinuosa, o retorno é feito bem devagar - um merecido momento de descanso. Mas a calmaria termina ao avançarmos pelo centro da cidade. Bares e restaurantes ficam cheios e a noite gelada não espanta ninguém.

O comércio se concentra na Avenida San Martín e nas ruas General Roca e General Villegas. Lojas vendem ou alugam equipamentos para esqui e snowboard. Atenção: por causa do risco de transmissão de doenças oculares, várias delas têm restrições quanto ao aluguel dos óculos especiais para esportes na neve. É um item que vale a pena comprar - nem pense em encarar a neve sem eles, mesmo nos dias nublados. 

Perto do Lago Lácar há bons restaurantes para o jantar. O La Costa del Pueblo tem jeitão simples e ótimo atendimento. Parrilla (churrasco) é o carro-chefe, mas também serve truta, peixe abundante nos lagos gelados. A refeição sai por cerca de R$ 60 por pessoa. 

Tire um fim de tarde para conhecer a casa de chá Arráyan (Circuito Arrayán, km 4; abre das 16 às 20 horas), com uma das vistas mais bonitas da região. A casa-sede foi construída pela inglesa Renée Dickinson, que se apaixonou pela paisagem e foi viver nas terras geladas da Patagônia. Quando morreu, em 1943, suas cinzas foram espalhadas no jardim. 

 

SAIBA MAIS

Temporada: até 30 de setembro.

Como chegar: Aerolíneas Argentinas operam 18 voos semanais entre San Martín de Los Andes e Buenos Aires. 

Passes de esqui: o passe diário custa de 1.330 a 1.660 pesos (R$ 185 a R$ 230).

Aluguel de equipamentos: 660 a 980 (R$ 92 a R$ 136) pesos o equipamento completo de esqui ou snowboard. Os valores não incluem as roupas impermeáveis.

Site: chapelco.com.

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Mariana Goulart, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2018 | 04h30

O novo refúgio gastronômico comandado pelo chef Gonzalo Aramburu, na base da montanha, é a principal novidade para quem vai curtir o inverno no Cerro Bayo. Seguindo a vocação de um lugar mais exclusivo, clamo e com preocupação ambiental, a estação também tem investido em certificações ligadas ao correto descarte do lixo e ao consumo consciente de água e energia. Acaba de obter a ISO 4001.

Villa la Angostura, a cidade base do Cerro Bayo, tem pouco mais de 10 mil habitantes e uma hotelaria de alto nível instalada ao longo da montanha. Recebe casais e famílias em um clima de tranquilidade. O pequeno centro é estreito e voltado para serviços e comércios. O clima é pacato, quieto, de contemplação. 

Essa atmosfera se reflete nas pistas de Cerro Bayo. Alguns grupos de jovens esquiadores e snowboarders frequentam a montanha. Os mais profissionais chegam e vão imediatamente em direção ao teleférico. Após poucos minutos de uma subida íngreme, eles saltam a 1.810 metros acima do nível do mar. É ali o ponto de partida mais alto do resort. 

Pela neve estão instaladas placas com o aviso “cuidado, zona de avalanche” - alerta que pouco parece preocupar os esportistas. Lá do alto é possível avistar o Lago Nahuel Huapi, que deixa a paisagem ainda mais deslumbrante. 

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As pistas para aprendizes estão instaladas a 1.500 metros de altitude; assim, mesmo os inexperientes desfrutam de uma bela paisagem enquanto arriscam os primeiros passos nas aulas (3.125 pesos ou R$ 435 para 3 dias, em grupo). No total, são 31 pistas com quatro níveis de dificuldade e 15 meios de elevação. Cerro Bayo tem sua loja de aluguel de equipamentos - e a exceção ao aluguel dos óculos também se aplica aqui. Compre os seus antes.

Para quem não quer esquiar, ou já cansou do peso das botas, há a possibilidade de deslizar com boias em um tobogã de neve no Snow Tubing, ou ainda fazer caminhadas com raquetes nos pés. 

HAPPY HOUR 

Quando chega a noite, a boa pedida na cidade é experimentar as cervejas artesanais da Patagônia. O Lobo Grill & Bar serve uma boa variedade da bebida acompanhada de petiscos - embutidos, truta, batatas, cogumelos, a maioria em formato de fartas porções para compartilhar.

SAIBA MAIS

Temporada: até 23 de setembro.

Como chegar: Villa la Angostura está a 45 minutos do aeroporto de Bariloche. Na temporada, a Latam tem voo direto desde São Paulo.

Passes de esqui: o passe diário custa de 950 a 1.530 pesos (R$ 133 a R$ 220).

Aluguel de equipamentos: por dia, o equipamento completo para esqui ou snowboard pode custar de 680 a 1.090 pesos (R$ 94 a R$ 151). Não inclui as roupas impermeáveis.

Site: cerrobayo.com.ar.

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O Estado de S. Paulo

10 Julho 2018 | 04h30

NOVIDADES

Cerro Catedral, onde está a estação de esqui de Bariloche, tem o aplicativo Cerro Catedral Application, que permite, entre outras funções, saber qual a situação das pistas, comprar ingressos para subir a montanha e compartilhar sua localização com mais pessoas – disponível para Android e iOS. Além disso, serão 12 voos semanais diretos entre São Paulo e Bariloche, 12% a mais do que no ano passado.

PERFIL

Repleta de atividades, recebe casais em lua de mel, famílias com crianças e jovens em busca de agito – para além da neve, tem cervejarias, chocolaterias, passeios de barco, tirolesa, museus, cinema e shopping. Muito procurada por brasileiros, inclusive os que querem ver neve pela primeira vez, conta com muitos serviços em português. E, claro, para quem quer esporte, são 120 quilômetros de pista – Cerro Catedral é a maior estação do Hemisfério Sul.  

TEMPORADA

Até 1º de outubro.   

COMO IR  

O aeroporto Teniente Luis Candelaria recebe 155 voos semanais. Há ônibus e transfers que levam até a cidade, distante 11 quilômetros. 

PACOTES

A cidade tem 29 mil leitos, 5 mil deles na estação de Cerro Catedral. A operadora BWT tem pacotes desde US$ 599 por pessoa para 7 noites, com café da manhã e passeios incluídos, sem aéreo (válidos a partir de setembro). Com aéreo e a partir deste mês, desde US$ 1.149.

SITE: barilocheturismo.gob.ar.  

MAIS - Oito dias em Bariloche (com crianças), por Ricardo Freire 

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O Estado de S. Paulo

10 Julho 2018 | 04h30

NOVIDADES

A pista de patinação e a pista de esqui La Lenga da estação de Cerro Castor foram ampliadas para esta temporada – são ao todo 34 pistas para deslizar montanha abaixo. Um novo edifício com spa, confeitaria, bar e acesso às pistas também foi construído na base da estação.

Para comandar a festa, pelo segundo ano consecutivo a estação Cerro Castor e o après-ski do resort Arakur terão DJs brasileiras no comando: nos dias 27 e 28 de julho, Marina Diniz e Ornella Maggi, nos dias 3 e 4 de agosto, o casal Lalai e Ola Persson.

Há uma agenda de atividades fechada até setembro também: Snowgolf XI no dia 4 de agosto; Cards Fis Ski de 6 a 8 de agosto; Fueguino - Campeonato de Snowboard 18 e 19 de agosto; Montanha do Fim do Mundo no dia 26 de agosto; e Jogos de Inverno Argentino de 18 a 23 de setembro.

PERFIL

Ushuaia é familiar, com escolinha de esqui e snowboard para crianças e adolescentes de 7 a 14 anos e Jardim de Neve para os menores, de 3 a 6 anos. Mas, desde 2017, vem investindo em baladas para atrair o público jovem. 

TEMPORADA

Até meados de outubro.

COMO IR

De São Paulo, voo com conexão em Buenos Aires (Aeroparque ou Ezeiza) e mais 3h30 até o aeroporto de Ushuaia. Da cidade até a estação Cerro Castor são 26 quilômetros.  

PACOTES

Na estação fica o Castor Ski Lodge, com 15 cabanas na base da montanha (são feitas de pedra, madeira e troncos). Já o Arakur Resort & Spa, com transfer até a estação, tem diárias a partir de US$ 316, com café da manhã – para esta temporada, o resort tem promoção: estada de 3 noites pagando 2 noites ou de 6 noites pagando 4 noites. 

SITE: cerrocastor.com

MAIS - Dicas de restaurantes em Ushuaia

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O Estado de S. Paulo

10 Julho 2018 | 04h30

 

NOVIDADES

O Setor 1 das pistas de Las Leñas cresceu 10 km e houve ampliação do serviço de aluguel de equipamentos. Um telão também foi montado na base para transmitir partidas da Copa do Mundo.

PERFIL

Para famílias, com boas pistas para iniciantes e para crianças – há babás para os pequenos de 2 meses a 3 anos e instrutores de esqui até os 6 anos. Sem muitas opções de entretenimento além da neve, é para quem realmente quer esquiar. 

TEMPORADA

Até 22 de setembro.  

COMO IR

Na temporada, há voos fretados aos sábados partindo de SP e de Buenos Aires em direção ao aeroporto de Malargüe, distante 1 hora da estação. As Aerolíneas Argentinas têm voos semanais para o aeroporto San Raphael, a 2 horas da estação. E, ao longo do ano, há voos com conexão em Buenos Aires para o aeroporto de Mendoza, a 4 horas da estação.

PACOTES

São 5 hotéis (Piscis, Escorpio, Acuario, Aries, Virgo), alguns com saída direta para a pista (esquema ski-in ski-out), além de outras opções de hospedagens compartilhadas. A Interpoint tem pacotes para os hotéis: 7 noites desde US$ 1.489 por pessoa, com café da manhã incluído. 

SITE: laslenas.com.

MAIS - O básico de Mendoza, por Ricardo Freire

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