Mônica Nóbrega/Estadão
Mônica Nóbrega/Estadão

À moda do Índico

Ao longo de 177 quilômetros de costa espalham-se praias quase vazias, de águas tão quentinhas que chega a ser uma ofensa não dar um mergulho. Como resistir?

Mônica Nobrega,

30 Julho 2013 | 10h11

Enquanto o garfo se ocupava de pedaços docinhos de melão e abacaxi e, no centro da mesa, marlin defumado e queijos aguardavam a vez de irem para o prato, os pés descalços chafurdavam na areia. Não faça essa cara de desaprovação. A mesa estava posta na praia. Devorando o café da manhã a poucos passos do mar transparente de Maurício, quem consegue se apegar a formalidades?

A atmosfera relax e o clima de praia definem o país, um arquipélago formado por quatro ilhas. Localizado no Oceano Índico a leste da África, a cerca de duas horas de voo de Madagáscar, tem um quê de Caribe, mas mescla deliciosamente África e Ásia. Seus 2.030 quilômetros quadrados compõem um território pouco maior que o da cidade de São Paulo. O que significa, em linguagem turística, que é bem fácil dar a volta à ilha principal pelas beiradas: são 177 quilômetros de costa.

E por que dar a volta à ilha? Praias quase sempre vazias e com águas quentinhas e a barreira de corais ao longo de todo o litoral devem ser motivos suficientes. Já o interior é tomado por campos infinitos de cana-de-açúcar e chá entre os quais serpenteiam rodovias de pista única e surgem destilarias que fabricam rum.

No centro da ilha, montanhas vertiginosas desenham recortes dramáticos no horizonte. Ao se aproximar, constata-se que este platô central abriga mirantes e uma cachoeira admirável, a Chamarel, com 83 metros de queda. Em meio à cadeia montanhosa está o lago Grand Bassin, ponto mais sagrado do país porque é lá que ocorre anualmente o festival Maha Shivaratri (leia na página 9), o mais importante do calendário hindu, religião seguida por metade da população de Maurício.

A cultura herdada da Índia tem tanta importância na definição do modo de vida em Maurício quanto o mar. A população soma 1,3 milhão de habitantes, dos quais dois em cada três têm ascendência indiana – daí sua preferência religiosa –, o que fica evidente no tipo físico dos mauricianos, na (des)organização das poucas cidades e na gastronomia. Pimenta por lá é refresco. 

Estrangeiros. Quanto aos visitantes estrangeiros, 1 milhão por ano segundo a MTPA, autoridade turística local, vêm principalmente da Europa, do Oriente Médio e da Ásia. A lista de celebridades, algo que parece cada vez mais fundamental de se alardear na promoção turística, ali inclui a princesa Stephanie de Mônaco, a escritora J.K.Rowlling, o ator Robert de Niro e o ex-presidente francês Jacques Chirac.

Mas, surpreendentemente, tais figuras só são citadas depois de alguma insistência. Talvez porque Maurício esteja mais interessada em receber os jet setters que fogem dos holofotes – xeques, banqueiros, industriais. Tanto que um novo terminal no aeroporto internacional está em vias de ser inaugurado (o atual é bem rudimentar), com área destinada aos supervips. E o país celebra o aumento exponencial de pousos de jatos particulares, que chegaram a 538 em 2011.

Visitantes brasileiros foram 3 mil no ano passado, número que, obviamente, eles querem incrementar. Contam, para tanto, com atributos naturais como clima quente o ano todo e ventos que fazem da costa local um ótimo ponto para o kitesurfe. E ainda 112 hotéis oficialmente registrados, dos quais pelo menos duas dúzias são resorts.

Nada cosmopolita e modesto em agito, o país é destino sob medida para casais em busca da receita clássica de lua de mel: sol e mar, paisagens lindas, jantar ao luar, uma cultura diferente. Não à toa, os principais resorts têm opções de pacotes românticos, inclusive de casamento. Que podem incluir até bênção por um morador. Calmaria com um apimentado toque de surpresa. É disso que a estada em Maurício trata.

VIAGEM A CONVITE DE MTPA SHANTI E SOUTH AFRICAN

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.