A Mona Lisa ou Kaká e Messi?

Como ocorre desde a Copa de 1950, quando teve o terrível desapontamento de ver o seu English Team ser derrotado pela modesta esquadra americana no Estádio Independência, em Belo Horizonte, é chegado o momento de nosso grande viajante, torcedor incondicional do Huddersfield Town, romper sua rotina de peregrino e buscar abrigo para acompanhar o mais importante evento esportivo do planeta. Os que conhecem a biografia de mr. Miles sabem que ele é um devotado aficionado pelo esporte bretão. Desde o Mundial da Espanha, em 1982, entretanto, ele afastou-se fisicamente das competições, em virtude da má fama dos hooligans ingleses à época.

O Estado de S.Paulo

01 Junho 2010 | 01h49

"Cheguei a levar injustas borrachadas da polícia espanhola pelo simples fato de estar usando meu bowler hat", lamentou nosso colunista em correspondência publicada no ano de 2002, quando assistiu à Copa da Ásia, por segurança, em Cingapura. Desta vez vai ser diferente:

Mr. Miles: vou viajar para a Europa durante a Copa, mas não quero perder nenhum jogo da competição. Qual é a sua sugestão para eu conciliar turismo com futebol?

Emanuel Podniak Mello, por e-mail

"You must be kidding, aren"t you? Devo supor que você, como eu e como grande parte dos leitores, é um apaixonado por futebol, ou não manifestaria o desejo de ver todos os jogos da Copa. E como é possível que alguém com o seu perfil planeje uma viagem de turismo para esse sagrado período que só ocorre a cada quatro anos? Em minha modesta opinião, sua decisão equivale - por Alá! - à de um muçulmano que programasse um tour gastronômico no período do Ramadã.

Eu ousaria sugerir que você reavaliasse esta situação.

Escolha todos os jogos da Copa ou opte por uma linda viagem pela Europa. Caso contrário, você vai desperdiçar seu verão europeu dentro do apartamento de um hotel com muitos canais de televisão. Ou, o que é pior: a imperiosa necessidade de ver o jogo entre Sérvia e Austrália em Nelspruit abreviará sua visita ao Louvre poucos minutos antes de você poder conhecer a Mona Lisa.

Não nego que existem inúmeros prazeres na vida que se pode viver simultaneamente. Viajar e amar, for instance. Ou viajar e comprar, que são, em conjunto, a razão de viver de muitas amigas minhas.

Mas uma Copa do Mundo, as you know, é uma celebração repleta de rituais envolventes. Há os jogos, of course: três ao dia, em horários felizmente discrepantes. Há, ainda, o indispensável pré-jogo, quando as discussões e projeções sobre a porfia aquecem o sangue até a temperatura adequada. E - melhor que tudo - o pós-jogo, com os exageros provocados pela alegria e os excessos oriundos da decepção, ambos conduzindo na direção de algum bar.

I love it all. Desta vez, a exemplo do que fiz no Mundial da Alemanha, vou à própria sede do campeonato. No dia 12 de junho, nossa estreia contra os Estados Unidos, estarei em Rustenburg. Vou ao Fan Fest instalado no Field"s College, com uma Castle Lager nas mãos. Esses espaços, que são uma alternativa para os estádios, têm telões de alta definição e uma superb atmosphere. No Field"s College cabem 20 mil espectadores e suponho que nós, britânicos, seremos a maioria em relação aos americanos que, como se sabe, apreciam mais um jumbo cheeseburger do que o talento de Rooney, Messi ou Kaká.

By the way, se não os vencermos desta vez, my friend, não nos restará outra alternativa senão a de reanexá-los aos domínios da Rainha."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ESTEVE EM 132 PAÍSES E 7 TERRITÓRIOS

ULTRAMARINOS

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