A montanha das 4 mil árvores

Em Yoshino, que seria o ponto alto do roteiro, florada ainda estava no início. Tóquio foi a escala final

Otávio Dias, O Estado de S.Paulo

27 Janeiro 2009 | 01h31

No dia 3 de abril, parti de trem para o Monte Yoshino, a uma hora e meia de Kyoto. A viagem deveria marcar o apogeu da peregrinação em busca da sakura: afinal, há 4 mil árvores do tipo na encosta da montanha sagrada. Mas cheguei cedo. Veja também: Em busca das cerejeiras Kyoto em versão branca e rosa Pernoite diferente, da cama ao café Da janela do trem e do teleférico que levam até a vila na montanha era possível ver os bosques com sakuras ainda despidas em razão do inverno. O visual esperado não surgiu, mas não faltaram estímulos para o olfato e o paladar. A Vila de Yoshino se resume a uma rua que sobe a montanha, cheia de pequenas lojas de comida e bebida. Enquanto os turistas caminham, vendedores oferecem uma infinidade de produtos. De deliciosos picles japoneses a doces e saquê.   Vale a pena aproveitar a visita para almoçar. Escolha o macarrão gelado bem fininho - tipo zaru soba - feito com flor de cerejeira (cor-de-rosa, claro) e imerso em molho de soja. Não deixe de experimentar um dos doces da região acompanhado de chá verde da melhor qualidade, mais denso e com espuma verde batida na superfície. Yoshino é sede da antiga seita Shugendo, que mistura budismo e xintoísmo, e vários monges podem ser vistos pedindo doações na rua, uma tradição religiosa respeitada no país. A montanha tem monumentos importantes, como um dos únicos portões (tori) de ferro que ainda restam no Japão e o Templo Kinpunsenji, cujo pavilhão principal seria o segundo maior edifício de madeira do país.   "Que cerejeira maravilhosa", alguém falou. Era uma árvore pequena, mas de um rosa absolutamente intenso, uma das primeiras sakuras a florescer em Yoshino. Sem pensar, respondi: "Maravilhosa mesmo." A frase em bom português havia sido trocada entre os únicos ocidentais que eu tinha visto até aquele momento. Era um casal de brasileiros. Um encontro inesperado e divertido naquele fim de mundo. Vale também visitar o jardim do ryokan Chikurin-in. Tente fazer reserva antecipada, pois as vagas para hospedagem são bem concorridas. Yoshino fica perto de Nara, um desses locais imprescindíveis no Japão. Capital do país por um período curto, tem uma quantidade incrível de templos e de obras de arte budistas reunidos em seu belo parque. Reserve pelo menos um dia inteiro para a visita. Na mesma região há outra montanha sagrada, Monte Koya, que abriga o cemitério mais conhecido do Japão. Ali, sob um impressionante bosque de carvalhos, foram enterrados por séculos os poderosos do país. Também estão lá dezenas de templos, cercados de natureza exuberante. Quem quiser pode se hospedar no Rengejo-in, monastério ainda em atividade, e participar da oração matinal. Tóquio De lá segui direto para Tóquio, onde as sakuras haviam começado a florescer, precocemente, em 18 de março. Cheguei em 5 de abril para ver as últimas flores da temporada. Flocos brancos eram levados pelo vento, passando rente das janelas do Museu de Arte Moderna. Eram micropétalas de sakura, notei, já fora do prédio. Sob o sol da primavera, brilhavam intensamente. Vez ou outra batiam nos olhos e no nariz, provocando tremenda vontade de espirrar (muitos japoneses usam máscara no rosto). Aproximei-me de uma dessas árvores e pude observar que delicadas folhas verde-claras estavam surgindo nos botões de onde, havia pouco mais de dez dias, tinham brotado as fabulosas flores. Minha aventura em busca das sakuras havia chegado ao fim. Em pouco mais de 15 dias de viagem ao Japão, vi essas belíssimas flores antes ainda de despontarem, no apogeu de seu dramático desabrochar e, depois, caindo, levadas pelo vento primaveril. Sayonara e até a próxima! Site oficial de turismo: http://www.japantravelinfo.com/ 

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