A multicolorida e pacata Parnaíba

História da cidade está preservada no casario gracioso e no Porto das Barcas, onde tudo começou

Lucas Frasão, O Estado de S.Paulo

21 Outubro 2008 | 02h49

O colorido e gracioso centro histórico de Parnaíba funciona como base de apoio para quem visita a região. Muito por sua importância para o Estado, claro. Mas também pelo fato de as agências de turismo terem escolhido o Porto das Barcas para montar seus escritórios. Esse porto que testemunhou o surgimento da cidade, 300 anos atrás, por muito tempo recebeu os navios a vapor que chegavam da Europa e, depois, voltavam ao Velho Continente abarrotados de produtos derivados da pecuária. Em especial, o charque. "O Piauí era o maior produtor de gado das porções Norte e Nordeste do Brasil", diz Claudete Maria Miranda Dias, historiadora da Universidade Federal do Piauí. O Porto das Barcas também faz parte da história de um dos maiores líderes indígenas do Nordeste. Manduladino, da tribo dos tremembés, foi separado de sua família ainda criança para ser educado por jesuítas. Mais velho e revoltado com a dominação portuguesa, ele conseguiu organizar um levante contra a cidade de Parnaíba na década de 1750, conhecido como "a rebelião do Norte". Assustados com o ataque dos tremembés, os portugueses tiraram de lá a imagem de Nossa Senhora de Monte Serrathe, símbolo da colonização. A santa estava na capela de mesmo nome, na Rua Duque de Caxias. Erguida em 1711, é a construção mais antiga de Parnaíba. A estátua foi levada para a cidade de Piracuruca, a 125 quilômetros do litoral - onde está até hoje. Manduladino não teve sorte. Capturado pouco tempo depois da invasão, acabou sendo executado na região do Porto das Barcas. INDEPENDÊNCIA Perto do porto, a Igreja de Nossa Senhora das Graças, na praça de mesmo nome, abriga o túmulo de outra personalidade decisiva para a história piauiense. Simplício Dias, um grande fazendeiro de Parnaíba no século 19, foi o principal articulador do movimento de independência no Estado. "No Brasil, o ano de 1822 não se resume ao grito que d. Pedro I deu às margens do Ipiranga, em São Paulo", explica a professora, nascida na Serra da Capivara. Tanto que, por lá, o fim do período de colônia portuguesa é comemorado (com feriado, sem dúvida) também no 19 de Outubro, considerado o Dia do Piauí. E não só no 7 de Setembro. "Há poucas pesquisas sobre a história específica de nosso Estado", afirma Claudete, que agora trabalha na preparação do livro Piauí que o Brasil não vê: História, Arte e Cultura. "Pretendo lançá-lo o mais breve possível", diz.

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