A multinacional mistura de Corfu

Algo de França, outro bom tanto de Itália e toques de Inglaterra fazem o encanto dessa ilha única

Carla Miranda, O Estado de S.Paulo

10 Junho 2008 | 03h09

Os franceses passaram por lá e deixaram uma miniatura da Rue de Rivoli, endereço mais que chique de Paris. Como ficaram bem mais tempo, algo como módicos quatro séculos, os venezianos deram a Corfu um jeitão de casa da nonna, com sobrados coloridos, roupas na janela e gente falando alto. Em seus 50 anos de domínio e muito confortáveis com o fato de estarem cercados por água, os ingleses construíram monumentos e um campo de críquete. O resultado desse emaranhado multinacional você confere nas ruas dessa Ilha Jônica que se parece com tudo. Menos com a Grécia. Para começar a (re)conhecer Corfu, nada melhor do que um belo e carésimo cafezinho em Liston, construção de arcos amarelados com lanternas de ferro. Lembrou de algo? Sim, Rivoli. Só que com as árvores da Esplanada na frente, em vez do Jardim das Tulherias. No meio da tarde, os cafés estão tomados de clientes, que se espalham em cadeiras confortáveis ou pufes. Além da arquitetura e do clima, o preço do cappuccino é parisiense: a xícara pequena vale 3,20 (R$ 8,05). Os garçons são mais simpáticos - mas falam apenas grego. Adivinhe o que está escrito no cardápio, se conseguir. Ainda na cidade de Corfu, que leva o nome da ilha, siga sem mapa pelas ruas estreitinhas que partem de Liston, com lojas de souvenirs na parte de baixo dos sobrados e roupas quase caindo das janelas do piso superior. Em algum momento, você vai avistar o domo vermelho de Ágios Spyrídon, igreja construída para receber as relíquias de São Esperidião. Entre os milagres do santo morto em 350 d.C. estaria a expulsão dos turcos de Corfu, em 1716. Um parênteses: separados pelo Mar Egeu, gregos e turcos nunca foram, como poderia dizer, os melhores amigos. Basta lembrar que a grande Tróia ficava na Turquia e, como se sabe, virou pó diante de um pool de guerreiros helenos. Falando de épocas menos remotas, os dois países estiveram em lados opostos, por exemplo, na 1ª Guerra Mundial (1914-1918). Voltando ao centrinho de Corfu, pare nas Fortalezas Velha e Nova, construídas com apenas 30 anos de diferença, no século 16. Apesar de estar em ruínas, a Velha domina o cenário no mar e serve de palco para apresentações de danças jônicas e espetáculos de luz. Na nova funciona uma base naval. Também à beira-mar, o Palácio de São Jorge e São Miguel é outro exemplo do quebra-cabeças internacional da ilha. Erguido pelos ingleses no século 19, o prédio chegou a ser residência da família real grega e, atualmente, abriga o Museu de Arte Asiática. Coisas de Corfu. O que falta em estereótipos gregos por lá - não vi uma só casinha branca, e não foi por falta de procurar - sobra em passagens míticas. Na ilha, o argonauta Jasão teria se casado com Medéia. E a formação rochosa que se destaca na Baía Paleokastriza seria o barco petrificado de Ulisses, que naufragou por aquelas bandas. O herói da Guerra de Tróia foi salvo e, depois de muito penar, avistou sua Ítaca, uma vizinha Jônica. Aquiles, que lutou do lado de Ulisses, mas não teve a sorte de sair vivo da batalha, ganhou uma homenagem em Corfu. O Palácio Achílleion ficou conhecido como refúgio da triste imperatriz Sissi, da Áustria. Vai fazê-lo recordar de algo. Para que você não precise revirar as gavetas do cérebro, o palácio serviu de cenário para James ''Roger Moore'' Bond, em Somente para seus Olhos (1981). Hora de ganhar rodas e partir para as praias de Corfu. Afinal, a maior das ilhas do Mar Jônico tem mais de 200 quilômetros de areia e 12 horas de sol por dia nesta época do ano. Alugar um carro é uma boa opção. Com 40 (R$ 100) você consegue um veículo popular por um dia. Taxistas vão se oferecer para, pelo mesmo preço, levá-lo até uma praia nem tão distante e esperar por duas horas. A 26 quilômetros da cidade de Corfu, Palaiokastrítsa está entre as preferidas dos turistas. Algo difícil de entender para quem prefere areia, em vez de pedregulhos que espetam o pé. Do mesmo lado da ilha, escolha Pélekas (com uma prainha escondida) ou Myrtiótissa, com faixa dourada de - enfim - areia. COMO IR (DE ATENAS) Barco: não há saídas do Porto de Pireu, perto de Atenas. Os ferries partem de Igoumenitsa, custam a partir de 10 (R$ 25,15) e levam 1h30. Confira no site: www.greekferries.gr Avião: na Aegean Airlines (www.aegeanair.com), o trecho Atenas-Corfu custa 81 (R$ 203), mais taxas, e leva uma hora

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