A natureza: o verde do Golfo Pérsico e o ocre do deserto

Chamada pelos moradores de ‘Dubuy’, a cidade dos superlativos inspira consumo. Em quatro dias, é possível conhecer um pouco do passado comerciante - e histórico - e da ostentação atual

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

31 Março 2015 | 03h00

A cena atípica chamava a atenção. Um japonês vestido com a gandora, túnica e turbante brancos que compõem o traje dos homens árabes, cruzava os braços e franzia a testa na tentativa de parecer tão poderoso quanto um xeque. Caminhava pelas areias da praia de Jumeirah em busca do melhor ângulo diante do Burj Al Arab, o hotel em formato de vela náutica que se consolidou como a primeira imagem de Dubai para o mundo e um símbolo de sua ostentação. Uma noite ali custa de 12 a 70 mil dirhams, ou R$ 10,5 mil a R$ 60,8 mil. 

Outros tantos turistas se espalhavam ao longo de um quilômetro de orla (parte em obras), em busca do enquadramento perfeito para a selfie. Apesar do calor do inverno – sim, do inverno, de novembro a abril, época de temperaturas mais amenas mas, ainda assim, que chegam à casa dos 30 graus – pouquíssimos arriscavam trajes de banho e entrar nas águas verdes do Golfo Pérsico, que encontram a areia sem fazer alarde, como piscina natural. Não há quiosques ou som alto. 

O bairro está a sudoeste do centro, distante 30 a 40 minutos, e conta com passeios organizados por agências. Ir por conta própria – dá para combinar metrô e táxi – é boa pedida: como não ocorre em várias outras áreas da cidade, em Jumeirah se anda a pé por largas, limpas e floridas calçadas. 

No bairro fica a Mesquita de Jumeirah (oesta.do/jumeirahmosque), a maior das 1.200 existentes em Dubai e a única a permitir a entrada de não muçulmanos, apenas nas visitas guiadas, de sábado a quinta-feira, sempre às 10 horas. Para entrar, mulheres precisam usar calça e camisa de manga comprida e cobrir os cabelos com um véu – que eu não tinha em mãos e precisei comprar. Todos são obrigados a lavar os pés e entrar descalços. 

Nas dunas. Depois de uma manhã à beira-mar, uma imersão entre as dunas ocres do deserto de Margham. O guia chega ao hotel às 15h30 para o início de um passeio que se estenderá até as 22 horas. Hoje, 40 agências locais fazem o safári pelo deserto – com a mais antiga, Arabian Adventures (oesta.do/arabianad), o pacote com transporte e jantar sai por 360 dirhams (R$ 313) por pessoa.

O carro 4X4 leva seis turistas. Zaheer, nosso guia paquistanês, conta, em seu inglês peculiar, detalhes da vida local, como o grande consumo de leite de camelo e as corridas no lombo do animal, organizadas de outubro a março. 

A primeira parada é para assistir à apresentação de um falcoeiro, que mostra sua habilidade com o animal. O falcão é o melhor amigo do homem na caçada pelo deserto. As dunas que vêm a seguir têm até 4 metros de altura. Por elas chacoalhamos ao sabor das manobras de Zaheer. Aos poucos o sol, que parece ser o maior do mundo, vai se escondendo – um pingo de desatenção e perde-se o momento de vê-lo encontrar-se com a lua por breves instantes. 

São 30 carros autorizados a entrar na área protegida do deserto a cada dia, o que rende uma turma grande de turistas no acampamento montado para nos receber. No meu dia, eram cerca de cem pessoas. Fica mais difícil viver a solidão e o silêncio a que o deserto convida, mas, mesmo assim, vale esquecer o celular para admirar as cores que o céu vai assumindo quando a noite cai. Ou para escorregar com os pés descalços nas dunas, já geladas às 18 horas. Leve casaco.

As estrelas iluminam a voltinha de camelo. São, no máximo, 3 minutos, que serão fotografados por profissionais e vendidas a cada turista por, no mínimo, US$ 30. 

Para o jantar – pão árabe, tabule, azeitonas, purê de batatas, kafta, shish taouk, arroz, tudo preparado com especiarias como canela e pimenta – nos acomodamos ao redor de mesas longas, sentados em almofadas. Em uma saleta você pode vestir roupas típicas e ser fotografado; fora, mulheres fazem tatuagens de rena. Há apresentação de dança do ventre protagonizado por uma dançarina brasileira, a sergipana Sumaya, na função há sete anos. 

Antes de ir embora, uma rodada de narguilés para fumar essências, mais café árabe e tâmaras. 

SAIBA MAIS

A fé muçulmana é predominante em Dubai, dita comportamentos e influencia costumes. Quartos de hotéis têm uma seta que indica a direção de Meca, para onde os fiéis se voltam nos horários das cinco orações diárias.

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