A nova queridinha do leste europeu

É inevitável fazer comparações quando se está na Cracóvia, a segunda maior cidade da Polônia. A suntuosa praça da Cidade Velha, repleta de cafés com mesinhas na calçada, onde se destacam as torres da magnífica igreja? Igual à de Praga, só que maior. O castelo no alto da colina, cercado pelo rio sinuoso? Como o de Budapeste, mas mais antigo. A vida noturna povoada de clubes underground? Semelhante à de Berlim, porém mais tímida.

INGRID K. WILLIAMS / CRACÓVIA , THE NEW YORK TIMES, O Estado de S.Paulo

25 Outubro 2011 | 03h09

Mas esta cidade rejuvenescida também reserva surpresas bem originais. Museus brotam em fábricas desativadas, galerias de arte fora do circuito tradicional destacam trabalhos de artistas locais. Novos restaurantes conquistam espaço em vizinhanças boêmias, temperando a cena gastronômica local com ingredientes frescos e ares modernos. Por tudo isso, a Cracóvia deve se tornar, em breve, a próxima queridinha do leste europeu.

O compacto centro histórico pode ser facilmente percorrido a pé. Comece então com uma visita ao Parque Planty, que circunda a Cidade Antiga. Uma trilha de três quilômetros leva à colina Wawell, onde o castelo e a catedral erguem-se sobre o Rio Vistula. Percorra o jardim e desça às margens do rio. Depois, siga o curso d'água até Laetus Bernatek, antiga ponte de aço para pedestres e ciclistas que liga os distritos de Kazimierz e Podgorze.

Arte. Se estiver com disposição, você pode seguir direto para o Museu de Arte Contemporânea da Cracóvia, o Mocak (mocak.com.pl), aberto em maio em um prédio de aço e vidro no distrito industrial de Podgorze. Os visitantes são recebidos com as palavras Kunst Macht Frei - ou "A Arte te Libertará", trabalho inspirado na frase da entrada de Auschwitz (o trabalho te libertará). No acervo permanente, peças provocativas como a reprodução em tamanho real de uma cela da prisão de Guantánamo, do artista polonês Tomasz Bajer.

E que tal se manter no tema fazendo um tour pela arte polonesa ao longo dos séculos? Comece no Cloth Hall, o mercado no centro da praça principal que tem lojas variadas no térreo e, no piso superior, a Galeria de Arte Polonesa do Século 19 (muzeum.krakow.pl), administrada pelo Museu Nacional.

A parada seguinte pode ser na Galeria Plakatu Krakow (cracowpostergallery.com), que reúne centenas de pôsteres raros do século 20, principal forma de arte na Polônia depois da Segunda Guerra Mundial. Termine no século 21, na Bunkier Sztuki Contemporary Art Gallery ( bunkier.art.pl), que recebe exposições experimentais em grande escala.

História. A atração mais concorrida da cidade nos últimos tempos é também a mais sóbria. Desde o ano passado, a antiga fábrica de Oskar Schindler, retratado na oscarizada produção de Steven Spielberg A Lista de Schindler (1993), abriga o Museu Histórico da Cidade de Cracóvia (mhk.pl). A impressionante mostra permanente Cracóvia sob Ocupação Nazista 1939-1945 traça o perfil da cidade desde a explosão da 2ª Guerra até o fim do bairro judeu de maneira informativa e, ao mesmo tempo, tocante.

Comer, beber e badalar. A comida de rua mais popular da Cracóvia é o zapiekanka, baguete tostado com cobertura de queijo e cogumelos (e o que mais você quiser colocar). Convenientemente, a rotatória no meio da Plac Nowy é repleta de vendedores da iguaria. Mas o melhor da região é o Endzior (endzior.eu).

A Cidade Antiga é repleta de bares e cafés, mas para provar a bebida mais procurada pelos locais siga até o Wodka Cafe Bar (wodkabar.pl). Nem pense em provar todas as vodcas do menu - são mais de 100 tipos! Melhor começar com a de avelã (7 zloty ou R$ 4), boa para saborear. Depois, suba as escadas para provar o tatanka (11 zloty ou R$ 6), mistura de vodca e suco de maçã, em um ambiente mais aconchegante.

Melhor então manter o estômago cheio. No Restauracja Pod Baranem (podbaranem.com), a decoração beira o kitsch, mas a cozinha prepara com primor os clássicos poloneses. Comece com uma tigela fumegante de sopa de beterraba ou, se preferir, de creme de cogumelo servido no pão. Depois passe para o pierogi ruskie - bolinhos recheados de queijo cottage e para o pato fatiado, com molho de maçã e canela. Termine a refeição com o doce e grudento pão de gengibre de sobremesa. O jantar para dois custa cerca de 90 zloty (R$ 50), sem bebidas.

Prefere uma refeição menos étnica? O Love Krove (Ulica Jozefa 8), é uma lanchonete descolada com mural inspirado em arte de rua e saborosos hambúrgueres com os mais diferentes complementos. Prove o Ozzy Burger, com raiz de beterraba, abacaxi grelhado, queijo e molho barbecue (15 zloty ou R$ 8).

Deixe para comer a sobremesa no Cupcake Corner (cupcakecorner.pl), administrado por um amante desses bolinhos vindo de Chicago. Os sabores mudam diariamente, por isso cruze os dedos para que os molhadinhos cupcakes red velvet estejam no menu quando você for para lá.

Outra boa pedida de sobremesa são os pierogi palette - amostras de bolinhos recheados com frutas variadas (17,50 zloty; R$ 10), carne (39,50 zloty; R$ 22) ou a versão vegetariana (36,90 zloty ou R$ 20) - no Pierozki u Vincenta (kazimierz.uvincenta.pl). O restaurante especializado na iguaria típica tem decoração inspirada em Van Gogh.

À noite, o agito se concentra em Kazimierz, o histórico quarteirão judeu. Nas noites mais quentes, vale aproveitar o biergarten do Mleczarnia (mle.pl). Depois, siga para o Singer (Ulica Estery 20), próximo a Plac Nowy, a praça principal do bairro. Ali, os clientes não sentam em mesas, mas em máquinas de costura. Quando a temperatura cair, entre no intimista Alchemia (alchemia.com.pl), iluminado por candelabros.

Se depois da badalação a fome apertar, procure a van azul estacionada logo depois da linha férrea elevada, ao lado do Hala Targowa (Mercado Municipal), na intersecção da Blich e Grzegorzecka. Até às 3 horas da manhã, a dupla de cozinheiros prepara kielbasa em uma churrasqueira à lenha improvisada. Servida com pão crocante e muita mostarda, estas salsichas (8 zloty ou R$ 4,50) ganharam um culto de seguidores. Por isso, prepare-se para a fila.

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