A perfeição idealizada pelo czar

São Petersburgo, erguida por Pedro, o Grande, ostenta construções imponentes e o impecável Hermitage

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

03 Junho 2008 | 03h16

Definir a russa São Petersburgo não é fácil. Há quem a denomine ''Veneza do Norte'', em razão dos inúmeros canais que cortam a cidade. Outros a comparam a Paris, por suas linhas retas e construções harmônicas. Muitos, no entanto, preferem chamá-la de ''museu a céu aberto''. Nada mais acertado para uma cidade que, por si só, já é uma obra de arte. Não por acaso, está na lista de Patrimônios da Humanidade da Unesco. São Petersburgo foi fundada em 1703, idealizada pelo czar Pedro, o Grande (1672-1725) que, depois de passar uma temporada em Paris e Amsterdã, voltou à Rússia obcecado por modernizar o país. Juntou a isso a necessidade de garantir a saída para o Mar Báltico, e deu início à construção. As primeiras fundações foram no Forte de Pedro e Paulo, próximo do delta do Rio Neva. No centro, a igreja em homenagem aos apóstolos traz um mastro feito em ouro. Pedro transferiu a capital para a cidade, e planejou o principal cartão-postal de São Petersburgo: o complexo do Hermitage. Erguido em 1754 como Palácio de Inverno, residência oficial dos czares, o prédio hoje é um dos museus mais importantes do mundo. Os números impressionam: são 1.057 salas e 117 escadarias e um acervo com mais de 3 milhões de peças - mas nem todas ficam expostas de uma vez só. Michelangelo, Leonardo Da Vinci, Rembrandt, Pablo Picasso, Monet e Van Gogh são apenas alguns dos grandes nomes que têm obras expostas no local. Percorrer o museu por conta própria pode ser extenuante, já que muitas obras só têm placas no alfabeto cirílico. O melhor é conseguir um tour guiado. As artes estão presentes também fora dos museus. São Petersburgo serviu de inspiração para escritores como Dostoievski e Gogol, e para as composições de Tchaikovsky e Stravinski. Não deixe ainda de visitar a Igreja do Sangue Derramado, em estilo cebola, e a estátua de Pedro, o Grande, na Praça Dezembrista. Ela chama a atenção por mostrar o czar sobre um cavalo, apoiado apenas pelas patas traseiras e pela cauda. Foi construída a mando de sua mulher, Catarina, em 1782. PASSADO Além das riquezas arquitetônicas, São Petersburgo tem um forte legado histórico. A cidade mudou de nome várias vezes: nasceu São Petersburgo e, durante a Primeira Guerra, virou Petrogrado - nome mais eslavo. Em 1924, tornou-se Leningrado, em homenagem ao líder comunista. Depois da queda do regime, um plebiscito decidiu que a cidade deveria manter o nome desejado por Pedro, o Grande. Hoje, as lojas sempre cheias do centro mostram que os tempos do comunismo ficaram mesmo para trás. Hermitage: ingressos a 350 rublos (R$ 24,35). Site: www.hermitagemuseum.org

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