A recepção dos trogloditas

Nosso admirável viajante, que mais uma vez passou pelo Brasil sem dar a honra de uma visita a esta redação está, segundo conta, em Angola, para "compromissos pessoais", sobre os quais não nos deu detalhes. Especulou-se, aqui em São Paulo, que um dos motivos da viagem de mr. Miles ao Brasil foi a presença de "uma amiga muito querida" entre as participantes do concurso Miss Universo realizado na cidade. E é fato, como se sabe, que a vencedora da disputa foi a angolana Leila Lopes. Juntando o fato com a especulação, há quem suponha que... well, esse é assunto realmente pessoal.

O Estado de S.Paulo

27 Setembro 2011 | 03h08

A seguir, a pergunta da semana:

Mr. Miles: em sua opinião, haveria alternativa para minimizar as agruras enfrentadas por todos que apreciam a arte de viajar? Falo de passaportes, vistos, filas de espera, check-ins, esteiras e detectores? Outra questão: mesmo que seja poliglota, o senhor não fala tantas línguas quantas são as paragens que visita. Em termos de comunicação, qual é a sua opção em lugares nos quais não fala a língua dos locais?

Júlio César Ribeiro, por e-mail

"Well, my friend, os que acompanham essa modesta coluna sabem que sou um inimigo figadal da própria existência de barreiras físicas ou políticas entre nações. Considero, indeed, que o planeta inteiro é um quintal de nossas casas e a atividade de conhecê-lo deveria ser o primeiro direito de todos os homens.

However, dear Júlio, somos nós, com nossas fraquezas, que demos início a essa trágica burocracia, provocando a criação de regras e normas que dificultam cada dia mais o prazer de viajar. A soberba, a vaidade, o medo, o poder, a inveja e outros desses 'nobres' valores que dizemos combater levam-nos a desconfiar uns dos outros, temer uns aos outros, julgarmo-nos melhores que os outros.

Não nos lembramos, however, que os outros, para todos os demais, somos nós. Veja, por exemplo, a tal da lei da reciprocidade que muitos países adotam como forma de vendetta contra as nações que exigem vistos de seus habitantes. Qual é a grandeza dessa bobagem burocrática? Em muitos países (including Brazil, I'm afraid), a exigência de vistos por reciprocidade apenas inibe a entrada de turistas, os quais, para evitar a burocracia e custo, optam por visitar outros lugares. Isn't it stupid?

Não é estúpido, as well, ser recebido em qualquer país do mundo (exceto, perhaps, algumas ilhas idílicas da Polinésia) por algum troglodita mal-humorado que, ao invés de dar as boas-vindas, faz questão de olhá-lo dos pés à cabeça como se você (seja um adulto, uma criança ou uma velhinha inofensiva como minha tia Martha) fosse um criminoso? Oh, my God! I'm very sorry, Júlio, mas como não há jeito, o melhor é enfrentar tudo com fairplay - uma versão mais cortês, aliás, da frase 'relaxe e goze' proferida, se não me engano, por uma antiga ministra de seu país.

Quanto à questão dos idiomas, é fato que raramente tenho problemas em algum lugar. Algumas vezes isso acontece, mas o entendimento acaba acontecendo com o auxilio de alguma terceira pessoa, amigo ou familiar, que faz as vezes de intérprete. E funciona tão bem que, quase sempre, passado algum tempo, eu já nem me lembro que estamos falando línguas diferentes. Também tenho o hábito de carregar comigo, quando viajo para locais cuja língua desconheço, um dicionário que leio antes de dormir. O enredo não é lá muito excitante, mas sempre se aprende alguma coisa. Só não consigo, mesmo, estabelecer contato com quem não quer fazê-lo. Mas, nesse caso, o problema não é de idioma. Don't you agree?"

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ESTEVE EM 132 PAÍSES E

7 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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