A revolta das mães

Nosso viajante celibatário recebeu - e desde logo agradece - uma vasta quantidade de correspondências relativas ao seu artigo Como lidar com bebês em aviões, publicado na semana passada. Apesar de uma minoria de e-mails de apoio, mr. Miles admite que recebeu "carinhosos pitos" de muitas mães indignadas com suas observações sobre as indefesas crianças.

O Estado de S.Paulo

18 Junho 2013 | 02h11

A leitora Laura Abreu, por exemplo, diz-se decepcionada com as sugestões do viajante britânico: "Presumo que o senhor não tenha filhos para pensar apenas em remédios", reclamou. Elencou em seguida algumas medidas indispensáveis: "Os pais devem dar atenção aos filhos durante a viagem. Parece óbvio dizer isso, mas hoje em dia, infelizmente, eles estão esquecendo de algumas regras básicas e terceirizando a educação de seus pimpolhinhos... Transformem a viagem no que ela realmente é, lazer. Divirtam-se com as crianças. Levem brinquedos (poucos e pequenos) que possam distraí-los. Para uma situação especial como essa (12 horas de voo), talvez um brinquedinho novo, uma surpresa para ser aberta no avião, uma caixa de giz de cera, um bloquinho para desenhar fariam a festa. Mesmo para o bebê de 6 meses, é possível pensar em algo com que ele gostaria de brincar."

A leitora Cecilia Huet concorda e dá mais dicas: "Muito líquido, mamadeiras de água, sucos para que as crianças mantenham-se bem hidratadas no ambiente seco da aeronave. É importante que elas estejam mastigando ou mamando na decolagem e na aterrissagem para diminuir a dolorosa pressão nos ouvidos e ter à mão alimentos que a criança goste e brinquedinhos. Quanto maior for o suprimento de água, alimento e conforto afetivo, melhor será uma viagem, melhor serão todas as viagens pela vida. Sem gotas para dormir, mas com gotas de serenidade afetuosa para viver".

Mas a pior das broncas que nosso viajante teve de encarar foi da leitora M. Nobrega: "Sinto-me obrigada a discordar terminantemente do grande Miles. Crianças pequenas podem ser viajantes tão incômodos quanto qualquer outro passageiro. Choram, eventualmente, ok. Os demais falam alto, gabam-se de suas compras, lotam os compartimentos de bagagem de mão com tranqueiras do free shop, que abrem e fecham o tempo todo. Abrem laptops, bebem além da conta, emitem aromas íntimos, usam perfume demais ou de menos, acendem a luz para ler. Roncam quando dormem, demoram no banheiro, querem fazer amigos e influenciar pessoas no voo, impõem seu chulé quando tiram os sapatos. Dormem profunda e silenciosamente e nos impedem de ir ao banheiro, são grandes demais e invadem as poltronas vizinhas, empurram com seus joelhos o encosto da frente. Enfim, sempre há algo no outro que irrita quem está disposto a se irritar. É algo que nunca entendi, mesmo quando não tinha filho: por que as crianças sempre pagam o pato?".

"My God!", reagiu mr. Miles. "Não era minha intenção ofender ninguém, mas confesso que o fato de não ter filhos influenciou em muito o meu tacanho raciocínio ao escrever o artigo. However, olhando do ponto de vista de um passageiro desacostumado ao convívio com crianças, é fato indiscutível que o minguado e promíscuo espaço de uma cabine de avião não é o mais indicado para pequenos pimpolhos.

Agradeço, emphatically, as dicas de minhas amigas Laura Abreu e Cecilia Huet, que, for sure, irão auxiliar outras mães prestes a viver essa… aventura. Quanto à leitora M. Nobrega, mãe devotada e defensora dos petizes, I have to agree. Há muitos outros passageiros cujas atitudes on board incomodam deveras. Mas esse é um assunto que fica para uma das minhas crônicas futuras."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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