A tradição: bairro histórico de um lado, especiarias e ouro de outro

Chamada pelos moradores de ‘Dubuy’, a cidade dos superlativos inspira consumo. Em quatro dias, é possível conhecer um pouco do passado comerciante - e histórico - e da ostentação atual

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

31 Março 2015 | 03h00

“Quando eu falo no passado estou falando de 40 anos atrás, entende?”, começa nosso guia, Azir, ao se referir à antiga Dubai. Marroquino de origem, emirate de coração, aprendeu a falar português de tanto ir ao Brasil visitar o irmão, dono de uma pousada no Nordeste. 

A história de Azir, como a de tantos outros estrangeiros – 80% da população dos Emirados Árabes não nasceu no território –, acaba por testemunhar as várias facetas que essa região do Golfo Pérsico sempre teve, mas que ficaram em segundo plano durante o recente e estrondoso surgimento da nova Dubai. 

É no trajeto para Bastakia, em Bur Dubai, que a cidade das compras nos conquistou. Não por motivos que fogem ao estereótipo. Se hoje Dubai é conhecida como o lugar certo para se fazer e se gastar dinheiro, antigamente não era diferente. Às margens do Creek, indianos e persas negociavam mercadorias muito antes de a cidade cair no radar mundial. 

Por isso, fazer a travessia desse rio de água salgada em um abra, o tradicional barco de madeira que serve como táxi aquático, é indispensável. Custa 1 dirham (R$ 0,87) e leva, das 6 horas à meia-noite, aos souks, mercados típicos de especiarias e do ouro, ao lado de moradores. 

Caminhar pelos apertados e movimentados corredores fará com que você se sinta de fato no Oriente. Vendedores parados à porta de suas lojas gritam em inglês para chamar a atenção dos turistas, mas basta dizer sua nacionalidade para ouvir frases decoradas em português, um reflexo da grande quantidade de brasileiros morando na cidade. 

O aroma dos temperos ao sair do túnel que liga o porto ao mercado vai se tornando mais forte a cada passo. Girassol, gengibre, canela, açafrão, pimenta, baunilha, menta, pedra ume... Tudo pode ser levado dentro de saquinhos, na quantidade desejada. Barganhar é do jogo. Também há narguilés, incensos, roupas, sapatos e chocolate de camelo em formato de pedra (R$ 9).

Adiante está o mercado do ouro. São mais de 300 lojas com produtos feitos com o metal (inclusive roupas), de 18 a 24 quilates. Não procure os valores nas vitrines. Tudo depende da cotação do dia, exposta em um telão.

Antes ou depois da travessia do Creek, caminhe pelas ruas do bairro histórico. Suas construções baixas e largas, cujos tons não fogem muito do bege e do marrom, chamam a atenção pelos arabescos decorativos e torres de vento para amenizar o calor.

Com o guia Azir, tivemos a chance de entrar com o pé direito, um sinal de respeito, em uma casa de beduínos, habitantes do deserto desde o século 7º. Na porta, Youssef Mohamed Sharif Albastek, um emirate de fato, nos recebe com chá de jasmim e tâmaras. Empolgado, mostra mapas, roupas e antigas fotos de Dubai e das personalidades que já recebeu, entre elas o jogador brasileiro Kaká. Youssef, que vive na região há 50 anos, ganhou do governo o direito de cuidar da casa, mantendo as portas abertas aos turistas.

Bem perto dali está o Museu Dubai. Acomodado no que antes era o forte Al Fahidi, construído com corais e a ajuda dos portugueses, em 1787, acredita-se que seja o prédio mais antigo de Dubai. A entrada custa entre 1 e 6 dirhams (R$ 0,87 a R$ 5,20). 

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