A vida deveria ser all-inclusive

MR. MILES, miles@estadao.com.br*,

26 Novembro 2010 | 10h00

 

Alguns viajantes que leram a última coluna de nosso interminável viajante mandaram dizer que ele exagerou ao dizer que conhece todos os países do mundo. Um deles, Jorge Irozawa, de Campinas, exigiu provas "desta balela" de mr. Miles. O correspondente britânico manda agradecer as críticas e lamenta ter sido instado a verificar o mapa para conferir os países que já visitou. Diz que, infelizmente, não é detetive para colecionar provas e que, conforme já disse diversas vezes neste mesmo espaço, ainda está no prólogo de sua história como viajante.

 

A seguir, a pergunta da semana:

Prezado Mr. Miles: pretendemos fazer um cruzeiro no início do próximo ano e estamos na dúvida entre um navio em que se paga o quanto se consome e outro que oferece o sistema all-inclusive. Que recomendação o senhor poderia nos fazer a respeito?

 

Osmar e Lúcia Santiago, por e-mail

"Well, my friends, vossa questão é muito pertinente e recebi outras consultas do gênero. Vejam bem: diante de tantas contas a pagar, de tantas escolhas a fazer e de tanta burocracia envolvida nas questões de pagamento, eu não tenho dúvida que a vida deveria ser all-inclusive. Can you imagine such a life?

Andar pelas ruas provando frutas e doces, entrar nas lojas e simplesmente apanhar meus bowler hats preferidos, subir e descer de táxis, ônibus e trens sem que ninguém venha verificar-me o bilhete… It would be magnificent!

 

Infelizmente, não é exatamente assim. Nem mesmo, by the way, nos navios e resorts que oferecem essa linda utopia. De alguma forma, of course, você estará sempre pagando a conta. Que pode ser maior ou menor, dependendo do que está verdadeiramente incluído nesse conceito de inclusão geral.

 

É aí, my friends, que reside o perigo. É fundamental informar-se antes com outros passageiros do navio em questão. De modo geral, however, se o preço do all-inclusive for muito atraente, esteja certo de que ele inclui apenas o trivial e não alimente a esperança de jantares regados a vinhos de diversas procedências, nos quais a escolha entre um prato de lagosta e um foie gras serão apenas uma questão de apontar o dedo.

 

Deixe-me ser mais claro usando exemplos reais. Há alguns anos, um afilhado queniano que gerenciava um resort all-inclusive em Zanzibar convidou-me para conhecer o seu estabelecimento. Tratava-se de um grande complexo, onde cozinhas industriais produziam alimentação em massa para turistas famintos. O único requinte, I must say, eram algumas velas e flores no menor dos restaurantes, que exigia reserva antecipada.

 

Pedi um whisky para Trashie e fui brindado com uma estranha garrafa de uísque queniano, com ligeiro sabor de petróleo. Trashie, of course, nem provou. O rum, well, era péssimo. O gin, feito em Uganda, não me despertou o apetite. Enfim, as bebidas incluídas eram todas de procedência duvidosa - e muitas delas, hoje, fazem parte de minha coleção de exotic liquors.

 

Para não parecer rabugento, é justo dizer que a cerveja Tusker, também fabricada localmente, era de excelente qualidade.

 

Em outras palavras, Osmar e Lucy, às vezes é melhor pagar para poder escolher do que ter opções medíocres aparentemente gratuitas.

 

Aos demais leitores devo lembrar que, no ramo dos cruzeiros de luxo, amplia-se a tendência pelo sistema all-inclusive. Não vou mencionar as linhas, of course, mas algumas delas realmente oferecem gastronomia impecável, fartura de bebidas de todas as procedências e qualidades e até abastecem o frigobar de cada cabine de acordo com o gusto do passageiro. Essa, my friends, é a mais próxima projeção que se pode fazer de um mundo all-inclusive. Sem notas, sem assinaturas, sem limites, como se, naquela jornada, você definitivamente pudesse tudo.

 

Unfortunately, como nada é perfeito, esses cruzeiros custam tudo o que valem. And maybe more."

 

 

*É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ESTEVE EM 132 PAÍSES E 7 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

 

 

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