Alain Doire/Dougogne Tourisme/Divulgação
Alain Doire/Dougogne Tourisme/Divulgação

Abadia secular entre o garfo e a taça

Antiga residência de monges virou luxuosa mescla de hotel e restaurante

Camila Anauate, O Estado de S.Paulo

12 Maio 2009 | 02h40

Seria injusto reduzir a Borgonha a taças cheias e mesas fartas, embora a alta gastronomia acompanhe (ainda bem!) cada passo do viajante. As estradas que cortam os vinhedos também carregam história. Pelo caminho, inesperadas vilas medievais, abadias seculares e até um château onde o próprio conde é o guia.

O trajeto entre Dijon e Beaune revela duas relíquias. A Abbaye de la Boussière, fundada em 1131, sempre foi um lugar espiritual visitado por peregrinos. Até que, em 2005, ganhou status de meca da hotelaria e da gastronomia mundiais.

A origem da abadia está ligada à ordem religiosa cisterciense. É nessa atmosfera tranquila, onde os monges viviam reclusos, que a família inglesa Cumming transformou antigos edifícios em um luxuoso hotel Relais & Châteaux, o que diz muito sobre cortesia, charme, caráter, calma e cozinha locais.

 

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O hotel tem decoração no melhor estilo francês e serviço impecável, mas é o "c" de cuisine o capítulo à parte. São dois restaurantes comandados pelo chef Olivier Elzer, que ganhou sua primeira estrela no Guia Michelin em 2007, aos 30 anos. O segredo? "O terroir da Borgonha, os produtos da estação e um pouco de inovação."

O foie gras, a carne de javali e o abacaxi com caramelo são capazes de satisfazer a gula. Tudo, claro, regado a vinhos dos melhores produtores da região.

DE VOLTA NO TEMPO

O almoço gastronômico na Abbaye de la Bussière combina com a visita à Abbaye de Fontenay, um dos mais antigos monastérios cistercienses da Europa, fundado em 1118 por São Bernardo. François Aynard, o proprietário, recebe os turistas.

Rodeado por florestas, o monastério era o lugar ideal para a paz e reclusão buscadas pelos monges. Eles levavam uma vida pobre e simples, que pode ser compreendida com uma rápida volta pelos cômodos da abadia.

Mais de oito séculos se passaram sem que as edificações fossem alteradas. O estilo romano é o mesmo. Arquitetura e decoração não permitem luxos. O melhor exemplo é o dormitório, onde os monges se deitavam sobre palhas, amontoados em fileiras. Na sala de reuniões e dos manuscritos, pilares do século 12 e tetos em abóbadas impressionam. A igreja e o claustro são outros pontos.

O passeio termina com uma caminhada pelas alamedas do imenso jardim inglês, repleto de flores e frutas coloridas. Um lindo contraste com o ocre das paredes de pedra.

Quando os monges fugiram, após a Revolução Francesa, a abadia virou fábrica de papel. Graças à produção, nunca foi desativada. Em 1906, a família de François Aynard a comprou e restaurou. O turismo, conta ele, se desenvolveu depois dos anos 1960. A Unesco declarou o local Patrimônio da Humanidade em 1981. Paradoxalmente, hoje são os 120 mil visitantes anuais que mantêm a paz e a tranquilidade que os monges tanto buscavam.

linkAbbaye de la Bussière: www.abbaye-dela-bussiere.com. Diária a partir de 245 (R$ 695)

linkAbbaye de Fontenay: www.abbayedefontenay.com  

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