Ricardo Freire/AE
Ricardo Freire/AE

Abaixo o plástico

Os quarentões como eu devem lembrar do tempo em que toda família levava seu próprio guarda-sol e suas cadeirinhas à praia. As cadeiras tinham estrutura de alumínio e o assento e o encosto eram feitos com faixas de náilon trançadas, permitindo que água e areia escorressem.

Ricardo Freire, turista.profissional@grupoestado.com.br, O Estado de S.Paulo

05 Janeiro 2010 | 01h21

Aos poucos, os barraqueiros começaram a oferecer o equipamento para alugar. No Nordeste, as barracas passaram a dar de graça para os clientes que consumissem bebidas. Então, as fábricas de cervejas entraram no esquema - e inundaram nossas belas praias com horrorosas mesas e cadeiras de plástico com seus logotipos. Em alguns trechos da costa há mais cadeiras brancas, vermelhas e amarelas do que coqueiros.

Para não ver plástico na areia e não precisar se recostar numa superfície impermeável ao suor, é preciso saber aonde ir. Felizmente ainda existem praias que não sucumbiram à plastificação generalizada. Em algumas delas é possível encontrar bares, lounges e clubes que conseguem criar ambientes charmosos à beira-mar. Vamos repassar a costa de norte a sul:

CEARÁ

Em Jericoacoara, o Club Ventos, à direita da vila, tem boas espreguiçadeiras e serve de camarote para ver os windsurfistas em ação. Já em Fortaleza, a única megabarraca que continua com cadeirinhas de madeira é a Cabumba, a preferida dos GLS (Avenida Zezé Diogo, 3.911).

RIO GRANDE DO NORTE

No Bar do Marinheiro, na Praia do Amor, em Pipa, os pastéis são enormes e as cadeiras, rústicas. Um pouco antes, em Tibau do Sul, funciona o clube de praia mais classudo do Nordeste, a Ponta do Pirambu.

PERNAMBUCO

Os barraqueiros de Boa Viagem ainda alugam as cadeirinhas de alumínio com encosto (inteiriço) de náilon. O trecho mais bochichado é em frente ao edifício Acaiaca, na altura do número 3.200 da Avenida Boa Viagem. Nos fins de semana, porém, os frequentadores debandam para Maracaípe, dois quilômetros adiante de Porto de Galinhas.

ALAGOAS

Para não topar com o mar de cadeiras de plástico do Gunga ou da Praia do Francês, tome a direção norte: em Ipioca, o bar Hibiscus tem tendas e música boa.

BAHIA

A Praia do Espelho, a 100 quilômetros de Porto Seguro, é a central brasileira de resistência à onda do plástico. Foi por ali, entre o Restaurante da Silvinha e o Bar do Baiano, que se criou uma estética brasileira pé na areia. Esteiras grossas de taboa, almofadas de chita coloridíssima, mesinhas baixas com gaveta: ponha tudo isso debaixo de um coqueiral e forme um espaço digno de qualquer revista internacional de decoração. Volta e meia o estilo é copiado, deixando ainda mais bonitas praias como Taipus de Fora, na península de Maraú.

Ainda na região de Porto Seguro, o Arraial d"Ajuda tem algumas barracas charmosas, como o Bar do Sting, na praia do Araçaípe (o preferido dos haolis) e a Plage Blanche, que põe colchões brancos na praia do Mucugê.

Em Trancoso, quase todas as barracas da praia do Rio Verde passariam num exame de bom gosto. A mais descolada de todas, porém, é a estação de praia do Hotel Uxuá, ao lado do Rio Trancoso, onde ficava o Bar Cauim. O barman atende dentro de um barquinho e há um espaço anexo para massagens.

RIO DE JANEIRO

São raros os pontos do litoral fluminense onde o plástico predomina. Pena que os quiosques da orla da capital não estejam padronizados e ainda se encontrem cadeiras vermelhas fincadas nas pedras portuguesas de desenho ondulado.

Em Búzios a grande novidade é o clube de praia do hotel Insólito, na Ferradura. Como está num costão, o acesso pode ser cobrado: há uma consumação de R$ 80 por pessoa.

SANTA CATARINA

Jurerê Internacional, no norte da ilha, é a praia que tem mais lounges no país: são cinco competindo pelo título de mais muvucado.

Na Praia Brava de Itajaí, a doze quilômetros de Balneário Camboriú, os lounges foram tirados da areia pela Justiça, para não danificar a vegetação de restinga. Pois o Kiwi Bar instalou-se do outro lado da rua - com uma estrutura que inclui até um espelho d'água.

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