Adegas para degustar a quilômetros do chão

Pedimos a dois sommeliers para eleger seus vinhos preferidos na carta de empresas aéreas que voam no País

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

03 Agosto 2010 | 01h59

As taças, por vezes, não são as mais apropriadas. Nem o ambiente tem o charme ritualístico das melhores degustações. Mesmo assim, depois da maratona de check-in, imigração e free shop, um vinho pode ser o toque que faltava para relaxar durante o voo.         

Como muitos outros, este é um mimo que alcança principalmente quem paga mais pela passagem. Aos viajantes da econômica estão reservados rótulos sem muita reputação, em minigarrafas plásticas ou servidos em copos do mesmo material. Já os passageiros da primeira classe e da executiva costumam ter à disposição uma carta com opções de brancos, tintos e champanhe.

          

A pedido do Viagem, dois sommeliers escolheram seus preferidos nas listas de cinco companhias aéreas internacionais que atuam no País. José Luiz Alvim Borges é presidente em São Paulo da Associação Brasileira de Sommeliers. Arthur Azevedo, diretor executivo da mesma entidade, atua também como consultor de vinhos da TAM, cuja carta conquistou um prêmio mundial neste ano.  

                      

 

Vips. Executiva e primeira classe dão direito a mais opções

 

 

AIR CANADA

A lista é trocada em abril e outubro. Dois brancos e três tintos estão na carta.

Os escolhidos: o sul de Napa Valley, nos Estados Unidos, é especializado na produção de uvas chardonnay. Por isso, o Wente Riva Ranch foi apontado o melhor branco. Dos tintos, outro americano ficou com a preferência: Zinfandel Ancient Vines.       

AIR FRANCE

Mais do que esperado: apenas rótulos franceses figuram entre as nove opções.

Os escolhidos: um Beaujolais tinto (Moulin à Vin de Georges Douboeuf), um Languedoc branco (Terroir Haute Valée da cave Sieur D"Arques) e dois Borgonhas de Jean-Claude Boisset (Santenay Premier Cru La Maladiére e Gevrey Chambertim) são as apostas dos consultores.     

 

 

AMERICAN AIRLINES

Desde meados do ano passado, o produtor e crítico Ken Chase elabora as cartas.

Os escolhidos: apostas certas são o tinto argentino Amalaya de Colome (blend com uvas malbec e outras) e o branco australiano Groom Adelaide Hills (sauvignon blanc).     

            

KLM

Espanha, Itália, África do Sul e Estados Unidos estão representados na carta da empresa holandesa.

Os escolhidos: dos brancos, Borges elegeu o chardonnay Bramito del Cervo ("um dos poucos brancos interessantes da Itália") e Azevedo, o Verdejo Sauvignon Blanc ("fresco, aromático e frutado"). O americano do Estado de Washington Château Ste. Michelle foi o syrah escolhido por ambos. 

    

   

QATAR

A empresa internacional mais recente no Brasil exibe uma carta opulenta, digna de quem não tem restrições orçamentárias. "Beberia todos", diz Arthur Azevedo. Estão lá alguns dos melhores vinhos do mundo atualmente.

Os escolhidos: há opções da Itália, Austrália, Nova Zelândia e Estados Unidos. Mas os eleitos são todos franceses. Azevedo escolheu dois brancos, Chassagne Montrachet e Domaine Weinbach, e dois tintos, Château Brane Cantenac e Mas de Daumas Gassac. Borges preferiu os brancos Meursault Genevrieres Domaine Latour Giraud e Vincent Girardin Meursault Vielles Vignes, e o mesmo Château Brane Cantenac.

 

 

AS MELHORES OPÇÕES ESCOLHIDAS EM PRÊMIO MUNDIAL

Vinhos servidos a bordo são tema de um concurso mundial, realizado desde 1985: o Cellars in the Sky Awards, organizado pela revista britânica Business Traveller. A eleição mais recente teve resultado divulgado em fevereiro - e premiou a brasileira TAM pelo melhor branco servido na primeira classe, o francês Montrachet Premier Cru Les Chalumeaux, de Michel Picard Puligny, da Borgonha.

O vinho premiado não faz mais parte da carta da empresa. Atualmente, o branco mais interessante na primeira classe é o português Vinhas Velhas, de Luis Pato, na opinião do consultor José Luiz Alvim Borges.  

Borges recomendou também os tintos Cuvée Palomar, da espanhola Abadia Retuerta, e Fayat-Thunevin, francês de Bordeaux. Além do branco Selbach Oster Bereich Bernkastel, alemão.

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