Adrenalina logo ali atrás do morro

Bem menos conhecido, trecho norte da Patagônia chilena tem lindas paisagens - e mais verde que branco

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

02 Dezembro 2008 | 02h51

Tudo que fica próximo de Coyhaique, capital da Patagônia chilena, está "ahí detrás de la lomita, no más", como brincam os moradores da cidadezinha de 50 mil habitantes. É que "ali, logo atrás do morro", rumo ao norte pela estrada que corta esse canto pouco explorado do planeta, descortina-se uma série de cascatas, geleiras e fiordes para quem tem muita aventura no sangue. Veja também: Conheça a Patagônia Aysén  Em Coyhaique, frio cortante e uma fila de casas coloridas Um barco para 'ouvir' o silêncio Desvende paisagens a pé e a cavalo Mesa farta com carnes e peixes Horizonte recortado por ilhas e fiordes Ou nem é preciso tanto, porque a estrutura hoteleira tem ótimas surpresas, como um spa à beira do Pacífico Sul, e lodges para acomodação em fazendas familiares. Relaxar ou se aventurar passa a ser uma escolha, e o perfeito meio-termo é a prática do fly fishing, técnica para pesca de trutas que povoam os Rios Cisnes, Simpson, Coyhaique e Rosselot. Essa parte da Patagônia não é toda branca. As florestas de estepe dão o tom no verão, pinceladas pelo vermelho de minúsculas flores, os ciruelillos. Não tem pingüins, como é de se esperar de uma Patagônia. Só alguns leões-marinhos e golfinhos esparsos correm pelos fiordes em busca de comida. Nos melhores meses, dezembro, janeiro e fevereiro, a temperatura tem mínima de 5 graus e máxima de 15 graus. Chove, e muito. Um aviso do posto de turismo de Puyuhuapi, vila de pescadores próxima ao spa, informa com objetividade quase irônica: "Se fizer sol, aproveite. Se chover, bem-vindo à verdadeira Patagônia pluvial." Por sorte, independe de sol ou de chuva o clima amistoso do chileno patagón. A cada parada, uma receptividade de quem ainda trata o turista como amigo, e não como fonte de renda. Seja em Coyhaique, Cisnes, Puyuhuapi ou La Junta, as paradas preferenciais dos viajantes, brinda-se com pisco sour (drinque feito com aguardente de uva, suco de limão, açúcar e clara de ovo), come-se os melhores frutos do mar e fala-se de tudo - do futebol à política, passando, claro, pela história da região. Batalhas Desse assunto eles adoram falar, porque se consideram heróis, filhos de colonizadores que agüentaram o frio insuportável de até 40 graus negativos no inverno e construíram a vida quase confortável que levam atualmente. Cada tijolo assentado é como se fosse uma vitória sobre a natureza, com a qual hoje já dizem conviver em paz. Nas vilas de pescadores ainda persiste a pobreza, com casas mal ajambradas. "Falta trabalho", reclama uma comerciante, que assim como seus vizinhos festeja o início do verão: "hora de atender os turistas". Mas a verdadeira batalha dos patagones é a conclusão da Carretera Austral. A estrada atravessa toda a região, desde Chaitén, ao norte, até Villa O?Higgins, ao sul, passando por Coyhaique - uma espécie de Transamazônica chilena. Suas obras começaram em 1976, durante a ditadura de Augusto Pinochet (1915-2006), e ainda hoje engatinham. Máquinas estão há 32 anos na pista, finalizando trechos dos 1.270 quilômetros em uma empreitada que parece interminável. Segundo os moradores, a intenção é que, de quatro em quatro meses, quando o clima favorece, o asfalto chegue às regiões mais inóspitas como o Parque Nacional Queulat, onde o caminho tem neve quase perene. O desejo revela um motivo muito claro: o glacial Ventisquero Colgante, ou Geleira Pendurada, que deitado entre dois morros expele uma cascata de mais de 300 metros de altura, visível a menos de 10 minutos de caminhada. A geleira retrocedeu por obra do aquecimento global, como indica o guia do parque, mas ainda faz com que o visitante não acredite no que está vendo. Viagem feita a convite do Servicio Nacional de Turismo da Região de Patagonia-Aysen e da Varig

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