Agentes de viagem em extinção?

Nosso incansável viajante e sua inseparável Trashie, a raposa das estepes siberianas, mandam noticias de Istambul, para onde foram prestigiar o casamento de Ozil, filho de seu afilhado Mehmet Agka, eficiente vendedor do famoso Grande Bazar, capaz de convencer um judeu ortodoxo a comprar um exemplar do Corão. Sempre fascinado pela capital de todos os impérios, mr. Miles informou que está feliz, mesmo antes das várias doses de ráki que costuma ingerir.

Mr. Miles*, O Estado de S. Paulo

25 Agosto 2014 | 19h21

A seguir, a pergunta da semana: 

Prezado Mr. Miles: seriam os agentes de viagem uma profissão em extinção? Li uma reportagem a respeito e gostaria de ouvir sua opinião. 

Alex Ricciardi, por e-mail

“Well, my friend: sou, as you know, um viajante autônomo e levo a imensa vantagem de já ter errado mil vezes em cada jornada antes de começar a acertar. Como o prezado amigo já deve ter observado neste mesmo espaço, são frequentes as dúvidas e questões de turistas em várias situações: antes de escolher o destino, antes de viajar, antes de escolher a época do ano, antes de escolher o hotel, etc. Tento, na medida do possível, oferecer a minha modesta opinião de viajante. However, a existência das consultas revela, in my opinion, a necessidade de um suporte abalizado – se é que posso me considerar algo do gênero.

O bom agente de viagem não está em extinção; está na extensão de seus conhecimentos. Do you know what I mean? Há profissionais dessa área que, indeed, não sabem o que estão dizendo. Eles são meros vendedores. Tenho um amigo brasileiro que esteve com um desses salesmen e acabou comprando uma viagem para a Índia por um preço muito conveniente. Inquirido sobre a oferta vantajosa, o pseudo agente disse-lhe que a Índia estava fazendo uma grande campanha de promoção turística. O homem saiu convencido e, of course, passou as férias sonhadas na Índia em plenas monções! Tudo o que viu foram ratazanas nadando na velocidade de atletas olímpicos. Ainda mais risível foi a atendente de uma agência que, tendo vendido uma viagem em julho para Abu Dabi, foi inquirida sobre que tipo de roupa o viajante deveria levar. “Roupa leve, porque é verão”, disse ela. “Mas não deixe de levar uma malha porque às vezes pode esfriar”, concluiu. Em Abu Dabi? Em julho? Só se o viajante couber em algum tipo de refrigerador.

Anyway, não é disso que estamos falando. O verdadeiro agente é indispensável. Melhor seria chamá-lo de conselheiro. Ele terá ido ao destino que você escolheu. Ele será capaz de dizer o que é bom e, of course, também o que é ruim no lugar de sua escolha. Ele dirá quando ir, que cuidados tomar, que hotéis escolher, que programas fazer. Ele será seu amigo, seu Mr. Miles particular. 

A internet, of course, pode fazer papel semelhante. Os hotéis terão fotos de seus melhores quartos (e nunca daquele cafofo de fundos em que você vai parar). As entidades nacionais de turismo mostrarão, em suas belas webpages, as incríveis atrações que você encontrará na sua visita, mas jamais dirão para você evitar a temporada de furacões ou tufões.

Não, Alex, não acredite nessas previsões sombrias. Os conselheiros de viagem tendem, a meu ver, à especialização. Haverá os que sabem tudo sobre safáris. Haverá, as well, especialistas em spas around the world. Ou cruzeiros. Ou países. Ou turismo gastronômico.

Ao viajar, ou mesmo muito antes disso, procure um agente/conselheiro que saiba das coisas. E, well... se continuar com dúvidas, não se acanhe: pergunte ao Mr. Miles.” 

* É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS 

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