Carla Miranda/AE - 19/12/2007
Carla Miranda/AE - 19/12/2007

Agito consagrado nas esquinas do histórico e eclético Marais

Impossível pensar em algo melhor num domingo, quando as ruas ficam lotadas de moradores e visitantes

Camila Anauate, O Estado de S.Paulo

14 Abril 2009 | 02h39

Enquanto Bercy ainda está sendo (re)descoberta por turistas e parisienses, o Marais já se consagrou como o lugar onde todos queriam estar - e estão. Lojas modernosas, bares lotados e feiras de artesanato fazem do bairro o mais descolado do momento. Outro motivo para tanta badalação é a presença dos gays.

Entre butiques, showrooms, galerias de arte, museus e restaurantes - que, pasmem, abrem aos domingos -, saiba o que ver e fazer em algumas das principais vias do Marais.

As ruas Charlot, de Poitou e de Bretagne estão se tornando cada vez mais populares por causa dos projetos de renovação de inúmeros prédios históricos como o Hôtel de Retz e o Hôtel de Sauroy, do século 17. Alguns dizem, inclusive, que são as mais estilosas do bairro, com ótimas opções culturais.

 

 

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O Museu Picasso e a Catedral Armenian, com sua arquitetura barroca, são os destaques da Rue Charlot. Fãs da França do século 18 não podem deixar de conhecer a loja Le Boudoir et Sa Philosophie, com roupas e objetos com jeito de Maria Antonieta. Um ótimo souvenir são as fotos românticas tiradas no A Chacun son Image, o estúdio à moda antiga do fotógrafo Fabien Breuvart.

No número 55 da Rue de Bretagne está um dos melhores restaurantes: Les Chineurs, que serve alta gastronomia a preço de brasserie. Já na Rue de Poitou, é o Hôtel du Petit Moulin, com design de Christian Lacroix, que chama atenção.

A Rue dês Francs-Bourgeois é a via comercial favorita do Marais. Eclética, reúne de lojas descoladas a grifes, passando por antiquários e galerias de móveis para casa. Sem falar nas históricas mansões do século 18 e nos restaurantes. Uma dica: a loja Zadig & Voltaire, com filiais em outras partes do mundo, vende lindas camisas e túnicas com estampas de glitter.

PARADA ESTRATÉGICA

Quando a fome bater - ou os pés reclamarem -, faça uma pausa na Place des Vosges, repleta de arcos, tijolos e pedras. A praça perto de onde moraram ícones da história francesa como cardeal Richelieu e Victor Hugo é hoje um ponto de encontro de turistas, moradores e jovens casais. Conheça a loja da Issey Miyake e passe algum tempo num dos cafés.

Depois do descanso, volte a bater perna na Rue de Rivoli. E pare logo no famoso Bazar de L'Hôtel de Ville (BHV), magazine aberto em 1856. A casa segue a linha casa, mesa, banho e jardim. Impossível ficar ali por menos de uma hora.

Termine a visita na Rue des Rosiers. Será um passeio pela história do Marais (leia mais abaixo). Ao longo da via, confira as sinagogas e os restaurantes de comidas judaicas. Se estiver com pressa, peça um falafel (bolinho de grão de bico) nos balcões abertos para a rua antes de seguir caminhando.

Site: www.parisinfo.com

SAIBA MAIS

Área naturalmente alagada (em francês, Marais significa pântano), o bairro entre o 3.º e 4.º arrondissements foi deixado de lado quando os romanos chegaram para urbanizar Paris, no ano 250 a.C.. E assim ficou até o século 12, quando religiosos de várias ordens pensaram em transformar o lodaçal em bairro. Serviço feito, Carlos V "descobriu" o Marais e transferiu para lá a residência real. Em seguida, os nobres construíram ali suas mansões, que atualmente só podem ser visitadas com guias ou em ocasiões especiais. Mas a corte acabou se mudando para Versailles cerca de três séculos depois e o Marais mais uma vez ficou vazio. O espaço foi sendo aos poucos ocupado por imigrantes e pela comunidade judaica, o que transformou o trecho em alvo fácil durante o nazismo. Hoje, as vítimas do holocausto são lembradas em memoriais nos jardins do Marais.

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