Renato Jakitas/Estadão
Renato Jakitas/Estadão

Agito e vinhedos no entorno do Rio Douro, em Portugal

A bordo de um motorhome, visitamos a cidade do Porto e Gaia, onde é possível degustar os famosos vinhos

Renato Jakitas, O Estado de S.Paulo

02 de abril de 2019 | 04h30

Depois de chegar ao Porto um dia antes do combinado e passar a noite no Sheraton, a 15 minutos do centro, um funcionário avisou que uma senhora aguardava do lado de fora com uma autocaravana. A primeira vista do carro assustou. Tratava-se de um caminhão VUC da Ford, desses pequenos que circulam durante o dia fazendo entregas em São Paulo, com uma carroceria em formato de casa. Um homem de 1,80m consegue dar 7 passos na carroceria, dotada de cama de casal no segundo pavimento, uma mesa com bancos para quatro pessoas, fogão, forno, geladeira, armários, banheiro com chuveiro e uma beliche no “piso térreo”.

 Conhecer o motorhome e descobrir todos os seus macetes envolve um check-list de 1h30, lido pela host do AirBnb. Fui informado sobre como acionar a suspensão ativa, o aquecedor central e travei contato com uma terminologia nova de “águas brancas” (limpas), “cinzas” (vindas dos ralos) e “escuras” (esgoto) relacionadas à limpeza dos dejetos do banheiro.

Outro ponto de tensão envolvia a direção do motorhome. A locadora do veículo repetiu ao menos três vezes que o veículo era de fácil condução, mas era preciso tomar cuidado com alguns detalhes do caminho, geralmente despercebidos pelos carros de passeio, como copas de árvores, a altura de alguns semáforos e, pasmem, sacadas de casas. "Já aconteceram acidentes envolvendo batidas em sacadas", disse. 

Do ponto de vista econômico, o Porto é a segunda cidade de Portugal, que tem Lisboa como centro de negócios. A 9 quilômetros do mar, ela é cortada pelo Rio Douro – em suas margens floresceu uma agitada vida boêmia com bares, restaurantes e baladinhas. O clima é de romance com casais de todo o mundo.

O centro histórico dá uma sensação de familiaridade: é fácil reconhecer nas casinhas antigas, coloridas, a arquitetura de cidades históricas brasileiras. 

Outro passeio fundamental envolve passear pela Ribeira, sentar em um bar e ver a vida passar. É ali que está o centro novo da cidade, com cartões-postais consagrados, como a estação ferroviária São Bento. Vale a pena tirar 5 minutos do seu tempo para entrar, mesmo que rapidinho, e admirar sua bela entrada com pinturas feitas em azulejos portugueses.  

Na Ribeira também está a Livraria Lello, que serviu de inspiração para J.K. Rowling criar a Floreios e Borrões, da saga de Harry Potter. O prédio, de 1906, se tornou ponto turístico – por isso, teve de mudar sua forma de visitação. Agora, vende vouchers de 5 euros (R$ 22), que valem descontos na compra de livros.

 

CAVAS, O PASSEIO FUNDAMENTAL

Do outro lado do rio, a cidade é Gaiafoi para lá que levei o motorhome assim que saí do hotel. Estacionei o mais longe possível da confusão, desliguei tudo e retirei a bicicleta do suporte para conhecer a cidade. Depois de uma volta, decidi prender a magrela na roda gigante de Gaia e seguir a pé.

É nessa região que se concentram as cavas de vinho do Porto. As degustações começam em 10 euros (R$ 44), mas podem chegar a 100 euros (R$ 440), dependendo da cava e da privacidade adquirida no pacote. Entre os destaques, a Graham’s fica em uma propriedade de 1890, a poucos metros do Douro, e só aceita visitas com hora marcada. Na Croft e na Taylor’s não é necessário agendamento. Já na Churchill’s é possível optar entre a degustação, almoço harmonizado ou mesmo dormir nas acomodações. A Ferreira tem uma tradição de mais de 250 anos. Só não vale beber e dirigir.

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