Alegre e musical, Havana é para ser vivida a seu tempo

Sons, cores, charutos e muita história encontram-se a cada esquina na monumental capital dos cubanos

Mônica Nóbrega, O Estado de S.Paulo

24 Março 2009 | 02h35

O Cadillac americano e o Lada russo estão estacionados lado a lado. Em Havana, a cena representa um dos poucos exemplos de convivência natural entre ícones de mundos tão diferentes. Pressionada pelos baixos salários e pelo embargo econômico, a capital do único país socialista do Ocidente tem uma relação ambígua com o avanço do capitalismo, que conquista espaço aos poucos, pelas frestas.

 

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Alegre, colorida e musical, a cidade transpira experiências intensas, a começar pela forma como seus habitantes abordam os estrangeiros: sempre prontos a vender qualquer coisa, seja produto ou serviço, por preço invariavelmente exorbitante. Guias turísticos de ocasião surgem aos montes e não é exatamente fácil dispensá-los, mas faça isso. Para manter a salvo seus caros pesos conversíveis, mas também porque Havana é para ser vista e vivida no seu próprio ritmo.

O que não significa se manter afastado de todo e qualquer cubano. Ao contrário. Com alto nível educacional e extremamente politizados, eles são interlocutores gabaritados. É só uma questão de identificar as oportunidades de conversa.

Que podem surgir na visita a lugares como o Capitólio. O prédio mais fotografado de Havana é cópia do de Washington, mas foi erguido em 1929 - muito antes, portanto, de os Estados Unidos tornarem-se o inimigo número 1 de Cuba. Foi sede do parlamento e endereço de episódios históricos. Do alto da escadaria principal Fidel Castro celebrou o triunfo de sua revolução - a foto continua exposta lá dentro. Hoje, além de museu, o prédio é sede da Biblioteca Nacional de Ciência e Tecnologia.

Atrás do Capitólio começa o bairro de Centro Havana. Aproveite e passe na fábrica de charutos Partagas, fundada em 1845, a mais tradicional do país, e na Chinatown local.

A fachada principal do Capitólio está voltada para Havana Velha, o bairro turístico da capital. Há praças arborizadas, prédios de arquitetura colonial espanhola transformados em museus, rum e charutos nas esquinas. Carros são proibidos de circular em um largo perímetro, o que torna o local ainda melhor para caminhadas curiosas.

Um dos aspectos apaixonantes de Havana é a forma como moradores ocupam o espaço público. Cadeiras e varais invadem as ruas. Áreas mais amplas, como a recém-reformada Plaza Vieja e a frente da catedral, monumento barroco do século 18, viram campo improvisado de beisebol, o esporte nacional.

Praças e passeios

Bem perto da avenida costeira, a Igreja de São Francisco de Assis fica no centro de um largo que lembra as pracinhas góticas de Barcelona, com cafés e mesas ao ar livre. Nas ruas ao redor espalham-se galerias de arte. Adiante está a Praça de Armas, onde Havana nasceu, endereço de uma feira de livros ótima para encontrar obras sobre os heróis nacionais. Completar o tour por Havana Velha inclui descer o Passeio do Prado pelo canteiro central até o Malecón, o calçadão à beira-mar. Por seus seis quilômetros chega-se a pé ao Vedado, bairro construído entre 1940 e 1950. Há uma saborosa justificativa para ir até lá: a sorveteria Cooppelia, na Calle 23.

Capitólio: Paseo de Martí. Entrada: 3 pesos conversíveis (R$ 7,50)

Partagas: Calle Industria, 520

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