Alegria e desespero de principiante

CENÁRIO: Ítalo Reis

O Estado de S.Paulo

22 Julho 2014 | 02h06

Para mim, que nunca tinha enfrentado um frio mais intenso do que um inverno em Curitiba, ver neve aos montes foi mágico. Impossível não se encantar com a paisagem toda esbranquiçada ou se lembrar de cenas dos filmes natalinos, com árvores cobertas de gelo. Fiquei realizado como uma criança que ganhou o presente que tanto queria.

Como numa primeira vez, tentei fazer tudo o que se pode imaginar numa área gélida como essa: tirei foto com boneco de neve, entrei num iglu, me joguei na neve fofinha, gelei bebidas com a temperatura ambiente, atirei bolas de neve nos colegas, experimentei com a língua os flocos caindo do céu e fiz aqueles anjos na neve. Quero dizer, tentei! Quando levantei vi que aquilo no chão não parecia nem de longe com o que deveria ser.

Para esquiar, fui psicologicamente preparado para cair diversas vezes e, mesmo assim, aproveitar ao máximo. No fim, com a ajuda dos instrutores, consegui ficar sem cair nenhuma vez enquanto usava os esquis. Mas, sem eles, descobri que o gelo pode ser muito traiçoeiro e levar ao chão fácil, fácil.

Creio que, por andar de patins, tive facilidade para aprender os movimentos do esqui. A ideia geral é parecida: o peso do corpo deve ser jogado para frente, colocar as mãos nos joelhos devolve estabilidade e, para frear, você usa a parte de trás das pernas.

Iniciante, claro que perdi o controle por alguns instantes enquanto descia a encosta do magnífico vulcão Lonquimay. Nessa hora bateu um desespero ao imaginar que não conseguiria parar até encontrar barreira qualquer pela frente e me esborrachar, como nos desenhos animados. Mas, em seguida, lembrei das dicas dos professores de esqui e consegui parar. A essa hora o coração estava batendo a mil. Com aquela paisagem linda, descobri como é fácil se apaixonar pela velocidade e pensei: "Por que não outra vez?".

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