Aletsch, um espetáculo gelado para aplaudir de pé

Para ver o maior glaciar da Europa, é preciso ir além dos 2 mil metros de altitude. De bondinho, é claro

Márcia De Chiara, O Estado de S.Paulo

13 Outubro 2009 | 01h41

Para observar de perto - e sem grande esforço - o Aletsch, maior glaciar da Europa, é preciso tomar dois bondinhos panorâmicos, semelhantes ao do Pão de Açúcar. O primeiro parte da vila de Fiesch, a 1.049 metros de altitude, e vai até Fiescheralp (2.212 metros). O segundo sobe até um dos picos mais altos, o Eggishorn, 2.926 metros acima do nível do mar.

Mas há formas mais emocionantes de admirar toda essa grandeza. Uma delas sai da mesma Fiescheralp (um dos locais favoritos também de quem pratica paraglider), passa por Eggishorn e termina na estação de bondinho de Bettmeralp, quase seis horas depois. Uma trilha de nível médio, mais longa que propriamente íngreme.

 

A paisagem pintada com inimagináveis tons de branco encanta. Mas o frio e o vento cortante assustam quem nunca testemunhou algo parecido e não tem botas nem casacos apropriados para enfrentar o clima duro dos Alpes, mesmo no verão. As montanhas da região são muito escorregadias, o que dificulta a caminhada para ver a geleira mais de perto. Com incontáveis camadas de gelo sobrepostas que chegam a mil metros de profundidade, só vistas em regiões polares, o Aletsch tem 22,5 quilômetros de extensão e uma área de superfície de 81 quilômetros quadrados.

 

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A vila de Blatten, também na região do glaciar, esconde a formação rochosa conhecida como Massa George - outra opção de adrenalina. Devidamente equipados com roupa de neoprene, capacete e cordas de segurança, os aventureiros descem as pedras e fazem rapel em pequenas cachoeiras formadas pelo degelo, numa emocionante experiência de canyoning.

A região onde o Aletsch está, a Jungfrau-Aletsch-Bietschhorn, foi declarada em 2001 Patrimônio Natural da Humanidade pela Unesco. São 380 quilômetros quadrados de área que reúnem cinco das sete maiores geleiras dos Alpes suíços. Com a decisão da Unesco, o uso desse trecho ficou restrito ao turismo e a pesquisas científicas.

As terras cultivadas, por exemplo, são alvo de rigoroso controle. Os agricultores precisam declarar o números de animais na propriedade e manter um método de produção similar ao utilizado 600 anos atrás. Segundo especialistas, essas medidas têm evitado a superexploração de recursos naturais.

EFEITO ESTUFA

Os picos nevados com mais de 4 mil metros de altura que se vê ao longe e a exuberante cauda do Aletsch, que desliza sobre a montanha, dão a impressão de que a natureza está intacta e o efeito estufa não chega até ali. Mas os geólogos advertem que o aquecimento global está de fato mudando a paisagem. As geleiras do Rhône estão recuando 800 metros por ano e um lago está crescendo na "língua" do glaciar.

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