'Alô? Estou aqui no Monte Everest...'

Aparelhos high-tech deixam os viajantes em contato com o mundo

Lucas Frasão, O Estado de S.Paulo

14 Outubro 2008 | 01h34

Fazer uma chamada telefônica para casa de um dos pontos mais altos do planeta e publicar fotos na internet no meio do oceano eram possibilidades que nem passavam pela cabeça dos aventureiros antes da década de 1990. Hoje, equipamentos de última geração fazem parte da rotina dos adeptos de viagens a lugares remotos - e desempenham suas funções quase sem decepcionar, mesmo depois de milhares de quilômetros por terra ou por mar. Graças às facilidades da tecnologia, as pacientes da cirurgiã plástica Ana Elisa Boscarioli, primeira mulher brasileira a alcançar o topo do Everest, em 2006, não ficaram desassistidas enquanto a doutora exercia seu lado aventureira. Na bagagem, o telefone via satélite que permitiu o contato com os consultórios de São Paulo, Campinas e Americana, além de placas solares, máquina fotográfica, filmadora e notebook. "Na base da montanha, internet banda larga virou rotina", diz. Mas os equipamentos podem falhar em locais inóspitos. Ao vencer os 8.850 metros do Everest, a cirurgiã deu de cara com as baterias, transportadas perto do corpo para não congelar. "Provavelmente, o suor danificou os circuitos", diz. AR, ESTRADA, MAR Desde a primeira aventura, um passeio de 47 dias por 42 mil quilômetros a bordo de um bimotor, em 2002, José Antonio Ramalho conta com a ajuda da tecnologia. "Atualizei meu site durante o vôo", recorda. Três anos depois, de bicicleta pelo Caminho de Santiago, na Espanha, ele levou até uma pequena impressora, que usava para distribuir fotos pelos vilarejos por onde passava. Na época, todo o equipamento pesava 8 quilos. No tour mais recente, um roteiro de bike de 3.100 quilômetros entre Paris e Istambul, a bagagem composta por equipamentos mais modernos pesava módicos 2 quilos. Eduardo Fenianos, o viajante conhecido como urbenauta (um "astronauta urbano", ele define), deu até nome ao seu GPS. "Soraia" é o aparelho que guia o aventureiro em sua rota pelas capitais brasileiras. "Como o aparelho é rastreado, qualquer internauta pode saber onde estou a cada momento." A partir do dia 27, na travessia oceânica de 17.400 quilômetros entre Chile e Austrália a bordo do catamarã high-tech Bye Bye Brasil, os velejadores Roberto Pandiani e Igor Bely contarão com notebook à prova d?água e de choques. Desenvolvido para a aventura, o equipamento conecta na internet - e deverá ser vendido em breve. Dependendo do caso, receber o incentivo das pessoas queridas - mesmo de desconhecidos - pode ser determinante para que o viajante complete a aventura. Foi o que aconteceu com André Homem de Mello, o primeiro brasileiro a dar a volta ao mundo sozinho, em 2001, navegando sem escalas. "Os e-mails de incentivo me ajudaram a manter o ânimo."

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