Carol Caminha
Belo Shabono foi remodelado para receber turistas numa experiência na floresta Carol Caminha

Belo Shabono foi remodelado para receber turistas numa experiência na floresta

Carol Caminha

Amazônia em 4 estilos: de barco, na selva, em hotel-design ou mesmo em Manaus

Em todas as formas, é preciso estar aberto ao novo, a conhecer e respeitar a natureza, a cultura, a comida e os povos indígenas

Nathalia Molina , Especial para o Estadão

Atualizado

Belo Shabono foi remodelado para receber turistas numa experiência na floresta

Carol Caminha

A Amazônia não é um destino qualquer – é preciso estar preparado. Não me refiro a condicionamento físico ou conhecimento resultante do estudo, mas sim à disposição de se maravilhar. É uma viagem tão instigante quanto assustadora, com muitas opções de roteiro. Do Museu da Amazônia (Musa), em Manaus, a experiências imersivas na floresta, em hotéis luxuosos ou barcos que mergulham pelo interior da floresta.

É uma viagem tão instigante quanto assustadora. Que desafia a visão viciada de seres urbanos e, em igual medida, surpreende humanos olhares atentos. Tem muito verde, muita água e muito céu. Um pôr-do-sol de matizes, uma profusão de barcos de tantos tamanhos e funções.

Glamping flutuante ao longo do Rio Negro

Um deles, o Belo Shabono navega o Rio Negro com visitantes ávidos por uma imersão amazônica. A bordo da embarcação construída por artesãos locais em 2017, o glamping flutuante emociona a cada légua percorrida com o horizonte indevassado. E também a cada parada, para fazer atividades ou para dormir sob o luar estrelado.

O povo ianomâmi chama suas casas comunitárias de shabonos. O sentido de vivência em grupo é a própria essência do barco da Belo Brasil Tours, empresa com experiência superior a 20 anos no segmento de intercâmbio cultural. A embarcação costumava receber estudantes estrangeiros na Amazônia, processo interrompido em 2020, com o início da pandemia. Remodelada, a experiência foi lançada no fim de 2021 para viajantes. O conceito continua o mesmo: vivenciar a Amazônia num barco sustentável, sem plástico e, em breve, com placas solares. Já a estrutura e os serviços tiveram um significativo upgrade.

Com 26 metros de comprimento, o Belo Shabono remete ao desenho das embarcações de transporte tradicionais nos rios da Amazônia, com dois andares. No primeiro, há uma área com água, chá e café disponíveis 24 horas; pias, cabines de chuveiro e outras de vaso sanitário; uma cozinha de apoio; e um canto para as malas.

A mesa posta com bonita louça recebe fartas e deliciosas refeições preparadas por cozinheiras locais em outro barco, que acompanha a toda a navegação. Os funcionários se encarregam de não deixar faltar nada aos visitantes. Ali só não existe internet, de propósito, para a atenção se manter constante na natureza, nos animais e nas pessoas.

Subindo as escadas, o deque coberto serve de lounge de dia e se transforma em quarto à noite. Os sofás viram camas, arrumadas com lençóis de algodão egípcio 300 fios e travesseiros de pluma de ganso. Ao longo da madrugada, quando a energia do barco está desligada, os sons da Amazônia ecoam em botos, sapos e pássaros, enquanto estrelas salpicam a escuridão até a visão cair sobre o negro da floresta e do rio.

Entre as paradas e a convivência a bordo do Belo Shabono, entramos em igarapé, tomamos banho de rio, aprendemos como se sobe num açaizeiro, apreciamos a dança da comunidade indígena Cipiá, visitamos a comunidade Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, contemplamos o cair alaranjado da tarde, conhecemos um projeto de proteção dos quelônios, compramos artesanato, provamos a culinária amazônica e andamos na mata com o guia nativo João Paulo Valente, conhecedor do Amazonas como ninguém.

Um detalhe importante: a acidez da água do Negro afasta os temidos mosquitos. Então, enquanto se está sobre o rio, os animais não incomodam. Isso não vale, obviamente, para as caminhadas na mata, quando o uso de repelente é indispensável.

O que está incluído

Muitas dessas atividades na natureza estão disponíveis em viagens pela Amazônia, obviamente com nuances personalizadas em cada estilo de roteiro ou meio de hospedagem. Geralmente já estão incluídas no preço; procure saber antes de fechar a viagem a que passeios tem direito.

Nas saídas, não se esqueça de carregar sempre dinheiro para comprar o artesanato produzido por indígenas e ribeirinhos. A venda desses artefatos – muitas biojoias, cestos e objetos para casa – contribui com a renda de toda a população que vive ao redor do Rio Negro.

Outro dado para se lembrar de perguntar antes é sobre a necessidade de estar de roupa de banho por baixo, especialmente na região do Rio Negro, porque os roteiros podem incluir uma parada para banho nas águas da Amazônia. Foi assim durante a nossa navegação com o Belo Shabono e na hospedagem no Mirante do Gavião Amazon Lodge, quando conseguimos ver botos nadando perto da margem do rio e apreciar a vegetação do Parque Nacional de Anavilhanas.

É importante entender que a programação da viagem vai depender da época do ano. A região amazônica tem praticamente duas estações: a cheia (de março a agosto) e a seca (de setembro a fevereiro), quando surgem bancos de areia e praias de água doce. Entre as temporadas, há dois momentos de transição, com os rios vazando ou enchendo.

Em qualquer tempo, tome as vacinas contra a febre amarela (no mínimo 10 dias antes do embarque) e contra a covid (não é indicado viajar sem a imunização completa para qualquer lugar, pela saúde em si e também porque a apresentação do comprovante de imunização pode ser pedido em alguma atração).

Conhecer para preservar

A Amazônia como um todo, maior floresta tropical do mundo, é fatiada entre nove países, sendo a maior parte dentro do território brasileiro. Com diversas espécies endêmicas, o bioma é rico em biodiversidade de fauna e flora. De acordo com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), em torno de 4 mil km² se estendem por oito Estados brasileiros.

Mas o desmatamento na Amazônia entre agosto de 2020 e julho de 2021, segundo o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), foi o maior dos últimos 15 anos: uma área de 13.235 km². Isso equivale a um aumento de quase 22% em relação ao total registrado nos 12 meses anteriores.

Visitar a região se apresenta como uma grande oportunidade de compreender sua importância, por meio de experiências com a floresta e sua gente. Hotéis de selva, por exemplo, costumam formatar pacotes de atividades de acordo com o número de noites que o turista passa no lugar.

Embora qualquer viagem à Amazônia – ainda que se limite a Manaus – ofereça a possibilidade de interação com animais, caso da focagem de jacaré e da pesca de piranha, a magnitude da floresta não exige esse contato próximo para o viajante se convencer de como a preservação daquele ecossistema se faz necessária para o Brasil e o mundo. Basta navegar pelo labirinto de ilhas do Parque Nacional de Anavilhanas, conversar com ribeirinhos e andar entre copaíbas, castanheiras e cipós d’água.

Receptivo ao novo, com os canais sensoriais abertos a todos os estímulos, o viajante deixa a Amazônia transformado. A pessoa se verte em reflexo. De rios, igarapés, árvores, sons, indígenas, barcos, colares, animais, sol, chuva e céu. De vida.

Quanto custa

Belo Shabono

Por pessoa, a diária sai por R$ 1.604, com pensão completa a bordo, bebidas não alcoólicas nas refeições e experiências do roteiro escolhido.

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Em Manaus, trecho de mata, sabores e artesanato indígena

Museu da Amazônia oferece trilhas dentro da capital, além de áreas como a sala de aracnídeos, o fungário e o serpentário

Nathalia Molina, Especial para o Estadão

20 de março de 2022 | 05h00

Não desanime diante dos 42 metros e 242 degraus da torre de observação do Museu da Amazônia (Musa) – há espaços para descansar durante a subida. O mirante só perde em altura para o angelim-pedra, a maior árvore da Amazônia, aos pés da qual uma plataforma está disponível para os visitantes tirarem fotos.

A meia hora do centro histórico de Manaus, o Musa ocupa 100 hectares da Reserva Florestal Adolpho Ducke, do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa). Inclui um pedaço de mata primária dentro da capital e tem especialistas em espaços como a sala de aracnídeos, o fungário e o serpentário. Além de ver a flora e a fauna, entrar em contato com a cultura indígena e contribuir com sua manutenção é um modo de interagir com a Amazônia. Outra é provar sabores regionais.

As compras na Galeria Amazônica, no Largo de São Sebastião, em frente ao Teatro Amazonas, têm a renda revertida para artesãos indígenas, muitos deles moradores de aldeias ao longo do Rio Negro. Resultado de uma parceria entre a Associação Comunidade Waimiri Atroari (ACWA) e o Instituto Socioambiental (ISA), a loja vende os itens ali e na internet.

Quem define os preços dos produtos são os próprios artesãos. Se não puder colaborar comprando produtos mais caros, é possível comprar biojoias e pequenos itens de souvenir, com menos de R$ 5.

O conjunto de enormes luminárias indígenas de palha se destaca no centro do restaurante do Juma Ópera, hotel num casarão tombado no centro da capital, no trecho que ostenta a riqueza do Ciclo da Borracha, áureo período da virada do século 20. A decoração do empreendimento tem elementos da cultura amazonense, como fotos de natureza, gente e animais.

Alguns quartos dão vista para o rosa do Teatro Amazonas. Sua cúpula colorida pode ser apreciada de vários pontos, como do bar. Da cobertura do Juma Ópera, onde fica a piscina, o visitante vê a cena inteira, de um ângulo aberto.

Aliás, não dispense uma visita guiada ao teatro, entre os mais famosos do mundo. Curtinha, com cerca de meia hora, apresenta a arquitetura e a história da construção, que completou 125 anos em 2021.

Ingredientes amazônicos

O caldo de cogumelo Yanomami, criado pela chef Debora Shornik para o cardápio de seu Caxiri, pode ser degustado de colher ou tomado cuia, como se faz com o clássico tacacá. A junção de ingredientes locais e técnicas da cozinha contemporânea resulta em um dos melhores restaurantes de Manaus, instalado num casarão na lateral do Teatro Amazonas.

Os palitos de tapioca com queijo coalho e puxuri passeiam pelas bandejas no salão com frequência. Crocante e sequinha, a mistura acompanha melaço e arubé. Como prato principal, o tambaqui vem com macaxeira com queijo e é coberto por molho de ervas frescas. Na sobremesa, o sorvete de açaí combina compota de abacaxi, creme inglês de cumaru e crocante de castanha. Um jantar memorável.

Outro pode ser vivido no Banzeiro, restaurante do chef Felipe Schaedler. As formigas crocantes preenchem a boca, na primeira mordida, com um frescor que lembra capim-limão. Pirarucu e matrinxã, entre outros peixes feitos na brasa, vêm escoltados por pirão, queijo coalho e banana pacovan (como a da terra é chamada por lá).

Ela também é um dos ingredientes do x-caboquinho, típico sanduíche quente de queijo, que leva ainda o tucumã, fruto da Amazônia. Na feira da Avenida Eduardo Ribeiro, das 7 às 14 horas de domingo, ele é servido para muita gente que chega cedo, para tomar café da manhã amazonense, com mingau e vitamina.

Artesanato, itens para a casa e produtos de beleza elaborados com óleos essenciais da floresta também são vendidos nas barracas. Quem desce a avenida todinha, até a região do porto, visita os mercados municipais. Empresas locais como a Amazon Explorers oferecem tours por esses pontos turísticos da cidade e até o Musa.

O Adolfo Lisboa, conhecido como Mercadão entre os locais, é um cartão-postal arrumadinho, com restaurantes. Ao lado, o mercado de peixe é um vaivém de manauaras atrás do pescado mais fresco para o almoço do dia. É uma sinfonia de facões limpando e filetando peixes amazônicos. Nos dois, estão presentes as garrafadas e as ervas medicinais.

Quanto custa

Juma Ópera

A diária custa desde R$ 869 para duas pessoas, com café da manhã – entre fevereiro e junho.

Galeria Amazônica

Por menos de R$ 5, é possível comprar pequenos souvenirs. Há biojoias, camisetas e peças mais elaboradas, feitas por pelo menos 15 etnias. Os produtos estão à venda também pela internet. 8h/17h – fecha dom.

Museu da Amazônia

A visita custa R$ 30 – incluindo trilha com guias do Musa, sai por R$ 50. Em atividades como observação de aves, nascer ou pôr do sol na torre, o visitante paga R$ 50 cada. 8h30/17h (entrada até as 16h) – fecha 4ª.

Teatro Amazonas

A visita, a R$ 20, deve ser agendada pela página da Secretaria de Cultura e Economia Criativa do Amazonas. 3ª a sáb, 9h/17h.

Amazon Explorers

Além do city tour por Manaus, a empresa oferece passeios para pontos turísticos como o Encontro das Águas e também visitas ao Museu da Amazônia (Musa).

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Hospedagem na selva com conforto e gastronomia de cidade grande

De fácil acesso de carro a partir da capital, o Mirante do Gavião Amazon Lodge alia conforto com experiência genuína

Nathalia Molina, Especial para o Estadão

20 de março de 2022 | 05h00

Um hotel com a gastronomia e a estrutura do Mirante do Gavião seria uma ótima opção de hospedagem em qualquer parte do Brasil. Mas aí tem mais um ponto a favor: ele não está em qualquer parte do País. Localizado em Novo Airão, fica diante do Parque Nacional de Anavilhanas, na Amazônia. E, nesse caso, tudo é influenciado por esse detalhe. A comida e a arquitetura recebem o toque amazônico, e os passeios são realizados de barco para visitar as áreas verdes e os povoados à beira do Rio Negro.

O Mirante do Gavião Amazon Lodge não é um hotel de selva no sentido mais cru da expressão. De fácil acesso (em média, três horas de carro a partir da capital amazonense) e de estrutura super confortável, tem na arquitetura um de seus mais marcantes traços. O desenho arqueado, que lembra o casco de um barco amazônico invertido, está presente em todo o hotel-design, da recepção aos 12 quartos. O teto do restaurante Camu Camu é o mais emblemático exemplo disso a arquitetura. Nas acomodações, as comodidades incluem ar-condicionado, frigobar e amenities Natura Eco.

Dos mesmos donos, o Mirante do Madadá tem inauguração prevista para o fim de 2023 e também guarda nos traços da sua construção um de seus pontos essenciais. O projeto de Marko Brajovic, expoente da bioarquitetura na América do Sul, foi destaque na Bienal de Arquitetura de Veneza em 2021. Por meio de elementos naturais e culturais da região, popõe uma imersão na floresta, também em harmonia com as comunidades locais.

Delícias de chef à mesa 

Sobre as mesas, brilha a gastronomia de Debora Shornik, executada com competência pela equipe hotel. A proposta da chef – também à frente do restaurante Caxiri, em Manaus – é fundir sabores regionais com cozinha contemporânea. As refeições, incluídas nas diárias, caem perfeitamente com os drinks criados pelo mixologista Ale D’Agostino, também com muitos toques regionais.

Entre os pratos, o tucunaré com caldo de tucupi é maravilhoso (mas forte demais para quem não está acostumado ao poder da mandioca brava). De entrada, prove a bruschetta de tomate, queijo e pesto de jambu (adormece levemente a boca).

O café da manhã do Mirante do Gavião marca quem ama a primeira refeição do dia. Além de saboroso, é muito diferente de qualquer um que você já provou em hotéis fora do Norte do Brasil. Pense em mingau de banana verde com tapioca, pão de açaí, pé de moleque (mandioca brava com castanha) e geleia de cupuaçu, entre outras opções de salivar.

Passeios com trilhas e banhos de rio

Fora isso, há uma piscina, dois mirantes para apreciar a região do Parque Nacional de Anavilhanas e salão de jogos com redário e varanda de cara para o Negro. Vivenciar as belezas do rio, sua natureza e seus povoados está na essência dos passeios do Mirante. Toda manhã e tarde os viajantes partem de barco para fazer caminhadas, aprender sobre a fauna e a flora, se banhar nas águas cor de mate e visitar comunidades como a do Tiririca. No povoado ainda com luz à base de gerador, menos de 50 pessoas vivem da arte de construir canoas à mão e da venda de artesanato.

Seu Antenor, experiente barqueiro-guia do Mirante, nos conduziu em dois passeios. No primeiro, fizemos uma caminhada na floresta, com dois guias locais, moradores da comunidade do Tiririca. Conhecemos espécies de árvores nativas, ouvimos os pássaros da Amazônia e escutamos histórias sobre tradições locais. Depois, tomamos o barco novamente para andar na comunidade e almoçar lá pelo Tiririca.

No roteiro pelo Arquipélago de Anavilhanas, o barco do Mirante do Gavião passa entre as ilhas. Preste atenção nos sons da floresta e mantenha os olhos atentos na mata. Mais para fazer suas próprias descobertas, porque os guias sempre avisam se algum animal aparecer nas árvores ou no rio.

Ao voltar do passeio, o hotel pede que o viajante já faça o pedido do jantar para que o prato esteja pronto perto do horário combinado, à noite. A caminhada até o quarto sob o luar e as estrelas encerra de maneira singela mais um dia na Amazônia.

Quanto custa

Mirante do Gavião Amazon Lodge

O pacote mínimo recomendado pelo hotel para aproveitar a viagem tem duas noites/três dias. Custa desde R$ 4.620 por pessoa em suíte dupla, incluindo passeios e refeições a la carte.

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‘Acampamento’ para interagir com a natureza

Com bangalôs sobre palafitas e passeios na natureza, o Juma Amazon Lodge está localizado a quatro horas de Manaus

Nathalia Molina, Especial para o Estadão

20 de março de 2022 | 05h00

Quem fica uma semana em hotéis de selva costuma ganhar o direito de dormir uma noite na floresta. Mesmo que o viajante se hospede por menos dias no Juma Amazon Lodge, a sensação de estar inserido no bioma acompanha os viajantes desde a saída da capital amazonense. Entre trechos terrestres e fluviais, o percurso de cerca de quatro horas corta o Encontro das Águas (onde o barrento Solimões recebe o Negro para seguirem juntos como Rio Amazonas), estrada de terra e vários cursos até chegar ao Rio Juma.

O check-in é feito ao sabor de suco de cupuaçu, a fruta típica da Amazônia. Construído entre copas de árvores e sobre palafitas, para se adequar ao sobe e desce do rio conforme a época, o Juma Amazon Lodge possui bangalôs conectados por passarelas, no quais funcionam a recepção, o restaurante e os quartos. Dependendo do ponto onde se está é possível apreciar o nascer ou o pôr do sol.

Toda a estrutura está erguida sobre palafitas, a 15 metros de altura do rio. Lembre-se, você está entre as copas das árvores, na Floresta Amazônica, então é fácil ver espécies locais coabitando o espaço que casais, famílias e amigos escolheram para curtir o lado selvagem da vida. Alguns animais já fazem parte do convívio local, como a macaca Anitta.

Parte dos bangalôs do Juma Amazon Lodge tem vista para a floresta, uns para o rio. Há uma unidade familiar diante das águas do Juma e também um panorâmico, onde ficamos. Ele é o maior entre todos os 19, com 96m² e totalmente reservado. Em vez de vidro, o espaço das janelas é preenchido por tela. Barra o máximo de insetos possível, mas não a linda visão da natureza.

Não há TV, frigobar nem ar. Um ventilador de teto e um de pé têm a missão de arrefecer o calor amazônico. Placas solares garantem geração de energia e água aquecida (e quem precisa?).

Mesmo grupo nos passeios e nas refeições

Como é comum em hotéis de selva, o Juma Amazon Lodge mantém uma programação de acordo com o número de noites de hospedagem. O sistema funciona como uma espécie de "acampamento", com refeições de horário definido, e um mesmo guia acompanhando o mesmo grupo de viajantes durante todo o tempo de hospedagem. Com eles você sai para fazer passeios e atividades em horários determinados. Com eles você também faz todas as refeições, em mesa coletiva.

Numa das saídas de barco, fomos até a mata, para uma longa caminhada interpretativa. Sugestão: vá de camiseta e calça compridas, de preferência de tecido próprio para exercício, porque seca mais facilmente. Use tênis ou bota e não esqueça de levar protetor solar e chapéu. Faça uso do cantil de água que eles dão a cada hóspede no check-in. E o principal: siga os avisos do seu guia, que é morador da região e te previne de perigos e surpresas. Mais do que nunca, faça como os locais.

Os passeios do Juma Lodge ajudam a enxergar a natureza bruta e bela. É impossível retornar ao hotel da mesma forma após um dos tours. Em meio a um impressionante banho de floresta, nos deparamos ainda com a sabedoria dos guias e caboclinhos visitados.

Quanto custa

Juma Amazon Lodge

Uma noite sai a partir de R$ 2.432 por pessoa em quarto duplo (preço válido de fevereiro a junho). Inclui pensão completa, atividades e traslados.

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