Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão

Amersfoort

Um papo sobre Mondrian

Mônica Nobrega, Haia

15 Maio 2018 | 03h11

De tão perto que fica de Utrecht, Amersfoort nem exigiu pernoite. De trem, são 14 minutos e 9 euros. É uma cidade pequena que cabe num bate-volta, mas é bom se preparar para um dia longo. Há muito o que ver – e as atrações complementam o roteiro De Stijl.

Depois da imersão em Rietveld do dia anterior em Utrecht, ainda restava uma importante criação do arquiteto e designer: o Pavilhão Rietveld, em Amersfoort. De 1959, foi criado como centro cultural em homenagem aos 700 anos da cidadezinha, e lança mão da geometria simples e da abundância de luz natural que caracterizam De Stijl

Dentro estão expostas peças como a Cadeira Amersfoort (1949) e os móveis que ele desenhou para a sala de imprensa da Unesco em Paris. Mais legal que tudo isso é ir ao banheiro no pavilhão: você faz xixi no vaso sanitário que Rietveld escolheu para o local, olhando para os azulejos que ele quis nas paredes, e lava as mãos na pia e na torneira que ele desenhou. Tudo original.

Nasce um ícone. Amersfoort também é uma cidade de canais. À beira de um deles, as rodelas de plástico vermelhas, azuis, amarelas, brancas e pretas que transformam o guarda-corpo num ábaco gigante sinalizam até melhor que a discreta placa: estamos na Mondriaanhuis, a residência onde Mondrian nasceu e viveu até os 8 anos.

A casa reabriu em março de 2017, depois de uma remodelação. Falta-lhe acervo, obras originas – a maioria está em Haia –, mas sobram bons insights tecnológicos. Numa sala, assiste-se a uma linha do tempo animada em várias telas simultâneas; na outra, traços horizontais e verticais vão se organizando num cubo branco e ganhando cores até formar uma projeção do quadro Broadway Boogie Woogie

Por fim, você entra no pequeno apartamento onde Mondrian viveu em Nova York, senta no sofá ao lado da imagem holográfica do pintor e faz-se a mágica: sai numa foto “papeando” com Mondrian, na sala dele, em pleno 2018. 

Mais Amersfoort

Kunsthal Kade 

À beira do canal de Amersfoort e em meio à arquitetura medieval, uma nave espacial arquitetônica desenhada pelo espanhol Juan Navarro Baldeweg abriga o centro cultural Kunsthal Kade, que recebe exposições de arte moderna e contemporânea. 

 

Koppelpoort 

O cartão-postal da cidade é seu principal portal, do século 15. Passe por ele em horários diversos para ver os efeitos das mudanças de luz no dia. O Kunsthal Kade fica perto. 

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