Mracos de Paula/Estadão
Mracos de Paula/Estadão

Amigos, amigos, viagens à parte

Precaução é importante na hora de viajar com alguém. Tente uns dias na praia antes do mochilão na Europa

Adriana Moreira, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2018 | 02h00

“Nunca mais viajo com esse povo na minha vida.” Atire o primeiro amendoim de avião quem nunca terminou uma viagem arrependido das companhias escolhidas. Um feriado prolongado pode ser suficiente para acabar com uma paixão, balançar uma amizade de anos ou, no mínimo, repetir inúmeras vezes o mantra acima, para nunca mais correr o risco de esquecer.

Quer conhecer realmente uma pessoa? Viaje com ela. Não importa quão longa seja a amizade ou quão apaixonado você esteja no relacionamento: aqueles poucos dias longe da rotina serão fundamentais para conhecer o verdadeiro âmago do seu companheiro de viagem – para o bem e para o mal.

Viajar profissionalmente fez com que eu embarcasse em roteiros acompanhada de desconhecidos – e muitos deles acabaram virando grandes amigos. Há um pouco de sorte nisso, sim, mas devo o sucesso a alguns fatores: são grupos formados essencialmente por jornalistas, o que já traz afinidade em alguns aspectos e interesses em comum. Na esmagadora maioria das vezes, cada um tem o próprio quarto, de modo que ter de se adaptar aos rituais noturnos ou matinais de alguém é quase tão raro quanto um espaço para montar o guarda-sol no Guarujá em um feriadão.

Afinal, são nas horas de cansaço, estresse e fome que as convenções sociais vão para as cucuias, que aquele restinho de paciência desaparece de vez e que os conflitos ficam mais evidentes. 

Os anos de viajante me ajudaram a desenvolver o que eu chamo de “roubadômetro”, ou seja, o potencial de roubadas que determinado programa de viagem pode ter – e o que fazer para evitá-las. 

Quem vai? Se for a primeira viagem como um casal, considere isso um experimento. Você pode se apaixonar ainda mais ou descobrir que o melhor é dizer adeus (às vezes, até mesmo durante a viagem). Talvez seja o caso de começar com um fim de semana na praia para testar a companhia, em vez de logo de cara encarar um mochilão pela Europa.

Em grupo, aprenda a identificar potenciais conflitos: o cunhado que te irrita no almoço de domingo vai se tornar insuportável depois de 48 horas de convivência em uma casa de praia, espalhando lata de cerveja vazia para todo lado. Será que vocês precisam mesmo dividir uma casa com todo mundo? Uma pousadinha, com quartos separados (e distantes) pode ficar mais cara, mas lembre-se: o sossego não tem preço. 

Qual o objetivo de cada um? Você adora caminhar pela cidade descompromissadamente, mas sua amiga quer ter tudo planejado em detalhes. Deixe claro antes da viagem que você não vai seguir a programação dela todos os dias, mas para ela fazer o que tem vontade – vocês podem se encontrar no meio do dia para almoçar ou jantar juntas, ir a uma loja ou a um bar, mas não precisam passar o dia inteiro grudadas. Nada pior em uma viagem do que ter alguém contrariado por fazer algo que não queria.

Seja maleável. Por outro lado, todo mundo tem de ceder um pouquinho para haver harmonia. Isso vale tanto em grupo quanto em casal: nem sempre tudo precisa ser exatamente do seu jeito. Abrir mão de algo pelo coletivo pode se transformar em um programa memorável, com todos rindo juntos da roubada em que caíram, ou comemorando por terem resolvido seguir o ótimo conselho de um dos amigos. 

Faça uma planilha de gastos. Ficar responsável pela reserva da viagem pode ser sinônimo de prejuízo. Abra uma planilha colaborativa no Google Drive, com todas as despesas organizadas e o nome de quem pagou o quê. No final da viagem, ninguém mais lembra para quem ou quanto está devendo, e a planilha vai ajudar a manter a paz (financeira) do grupo.

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