Andorinhas acrobatas sob a luz do entardecer

Ao contrário de lugares como o Morro do Pai Inácio, na Chapada Diamantina, ou a Pedra do Arpoador, no Rio, famosos por seus crepúsculos espetaculares, a Serra da Capivara não conta com um ponto emblemático para contemplar o pôr do sol. Porém, o que tem não se vê em nenhum dos outros lugares: o show aéreo do Baixão das Andorinhas.

SÃO RAIMUNDO NONATO , O Estado de S.Paulo

17 Setembro 2013 | 02h17

Ao entardecer, boa parte dos visitantes ruma para este ponto, localizado em um dos extremos do parque. E, como bem disse o guia Giordano Lopes, ninguém viajaria uma hora a mais à toa: tem de valer a pena. O baixão trata-se, na verdade, de um cânion, onde há milhares de anos passava um rio. Hoje, a vegetação insiste em crescer nas pedras.

A luz dourada do entardecer dá um colorido especial ao cenário. E, por volta das 17h30, elas aparecem. Bandos de andorinhas barulhentas surgem voando em largos círculos - hora de sacar os binóculos. Até que, de repente, o bando se agrupa. O silêncio se faz pleno por um instante. E, de sopetão, as aves descem num rasante vertical para dentro do baixão. Escuta-se apenas o ruído das asas cortando o ar, em despedida. As aves passarão a noite em tocas dentro das paredes.

Há pouco mais de cinco anos, uma agradável descoberta aconteceu por aqui. Após ver a bolsa de um tripé cair no cânion, um cinegrafista e seus amigos perceberam que era possível usar uma corda para descer, em rapel, cerca de quatro metros. Lá embaixo, a surpresa: um sítio arqueológico bem debaixo do mirante. Hoje, uma escada de madeira permite o acesso a todos.

Não bastasse isso, fui agraciado com um presente a mais no dia da minha visita. Pouco antes das andorinhas darem as caras, um casal de veados se aproximou para beber água no pequeno poço abastecido pela administração do parque. Todos clicaram sem parar, até um turista mais descuidado (ou seria sem noção?), chegar perto demais e assustar os bichos de volta para o mato.

Peculiar. Quem vai ao Baixão das Andorinhas acaba esticando o passeio a outro sítio arqueológico, a Toca do Baixão do Perna (sim, o nome é esquisito mesmo). O cânion onde outrora corria um rio serviu de abrigo - e tela - para muitos artistas do passado. Entre as cenas que não sucumbiram à ação do tempo, que despedaçou vários trechos de rocha, perfeitos desenhos de até 10 mil anos atrás (alguns, do tamanho de um polegar) retratam danças animadas. E também orgias. / F.M.

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