Gabriela Biló/ Estadão
Gabriela Biló/ Estadão

Antuérpia

O ano do barroco de Rubens

Mônica Nobrega, Haia

15 Maio 2018 | 03h08

É pela moda e pela lapidação de diamantes que a cosmopolita Antuérpia, segunda maior cidade da Bélgica com 500 mil habitantes, é conhecida. Mas este é o ano da arte barroca. Batizado de Antuérpia Barroca 2018 – Rubens Inspira, o ano temático joga ainda mais luz sobre o principal artista local.

Peter Paul Rubens (1577-1640) nasceu na Alemanha, na região de Colônia. Mas passou a maior parte de sua vida em Antuérpia. Sua casa, no centro da cidade, está a poucos passos da Meir (área que é o epicentro da moda) e da estação central de trens, uma atração em si pela monumental arquitetura neobarroca. Transformada em museu, a Rubenshuis expõe não apenas as criações de seu dono, mas também a de seus amigos e alunos e coisas que ele mesmo colecionava. 

É um museu magnífico, onde até o revestimento de couro de algumas paredes é original (sei o quanto é difícil, mas não pode mesmo tocar) e é possível sentir a atmosfera de agitação intelectual do lugar naqueles dias em que o ateliê do multivalente Rubens empregava vários aprendizes. Estima-se que ali foram produzidos cerca de 3 mil trabalhos artísticos. Rubens era também um grande negociante, diplomata e – hoje sabe-se cada vez mais a respeito – espião de guerra. 

O autorretrato pintado por Rubens em 1630 é o cartão-postal do museu. A Rubenshuis ganhou, em meados de 2017, um atrativo de peso a mais. Santa Catarina, quadro do veneziano Tintoretto pintado entre 1560 e 1570, pertenceu a David Bowie (1947-2016) até sua morte. Leiloado, foi comprado por um colecionador que encaminhou a obra à Rubenshuis sob as justificativas de que, como Bowie, Rubens foi um fã de Tintoretto; e que a casa de Rubens era um dos museus preferidos do cantor no mundo. 

A 15 minutos de distância, o museu Plantin Moretus ocupa um palacete que, por três séculos a partir do 16, foi a residência e a gráfica da família que lhe dá nome. É onde Rubens imprimiu volumes com as ilustrações que criava – imagine ver-se diante de um papel que foi impresso no século 17. 

De 29 de setembro a 6 de janeiro, o museu recebe a exposição O Livro Barroco: Uma Criação Conjunta de Balthasar Moretus e Peter Paul Rubens.

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MAS 

O Museum aan de Stroom (Museu no Rio), que se destaca pela arquitetura ímpar e o mirante com vista em 360 graus da cidade, recebe a partir de 1º de junho (a data de encerramento não foi divulgada) a exposição gratuita Barroco Burez, do jovem fotógrafo Athos Burez. Ele se inspira no estilo de Rubens para fazer retratos, naturezas mortas, paisagens e interiores. 

 

Meir 

Aberto aos pedestres e com lojas instaladas em prédios de estilo rococó, é a área da moda na cidade mais fashion da Bélgica. Um bom programa enquanto o Museu da Moda está fechado para renovação – reabre em 2020.  

Leia mais: ‘Tintoretto do Bowie’, a nova estrela da Antuérpia

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