Apesar dos apelos aos deuses, o tigre não apareceu

A caçada começou animada. Um tigre indiano havia sido visto nas primeiras horas da manhã. Eram quatro da tarde e a temperatura começava a baixar. Tigres não gostam de calor, preferem se esconder no frescor da floresta. Tínhamos duas horas de sol para tentar um encontro. Rapidamente, nos armamos de máquinas fotográficas e embarcamos para um safári pelo Nagarhole National Park, em Kabini, a 80 quilômetros de Mysore, sul de Karnataka.

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2011 | 03h08

O parque faz parte da Nilgiri Biosphere Reserve, uma reserva de 5 mil quilômetros quadrados que se estende ainda pelos Estados de Kerala e Tamil Nadu. Apenas 6% dela é aberta ao turismo e Nagarhole, área extremamente verde ao longo do Rio Kabini, é uma das portas de entrada.

Pedimos aos deuses que nos abençoassem com muitas aparições de animais. E parece que estávamos com sorte nesse contato: em menos de 5 minutos, dois elefantes cruzaram nossa estrada. Eram fêmeas, bem menores que as africanas, e ficaram irritadas com o assédio. Gritaram alto e as deixamos em paz, em busca de outros dos 150 a 200 elefantes que vivem no parque.

Somente um trechinho de seus 643 quilômetros quadrados pode ser percorrido pelos turistas, em trilhas predefinidas, duas vezes ao dia. Ainda assim, os muntjacs (um tipo de cervo) parecem não ter se acostumado: a maioria corre assustada ao ver os carros. Eles estão lá às centenas e logo você ficará enjoado de fotografá-los.

Seguimos ansiosos pelos tigres. São 65 no parque. Mas a noite cai, a floresta gela. Não vimos sequer um leopardo, dos 80 que existem ali. Tudo bem, são animais solitários, que não gostam de se expor sem necessidade - na seca, de abril a maio, acabam se mostrando mais.

Contento-me com gauros (bisões indianos), gaviões, macacos, javalis, pavões, um lindo pássaro azul e até mesmo um desengonçado mangusto. Era hora de voltar ao hotel de selva, pois às 6 horas da manhã tentaríamos mais uma vez encurralar um tigre com nossas objetivas. O frio não espantou o sono, mas parece ter deixado os tigres confortáveis onde quer que estivessem. Saí da Índia sem bengalas, mas ganhei um presente dos deuses pela tentativa: uma linda foto da flor de lótus, símbolo, entre outras coisas, da resistência. / A.C.

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