Aproveitando a crise alheia

Estranhas reações foram causadas pelo último artigo de nosso correspondente britânico sobre hotéis mal-assombrados. Alguns leitores revelaram desassossego com a simples possibilidade de encontrar fantasmas durante as férias. Houve quem, como o leitor Celso Alberto Araújo, tenha ficado tão impressionado com as histórias contadas que se diga agora tomado pela horrível sensação de "terror noturno", acordando, noite após noite, em sua casa com a impressão de estar sendo observado.

O Estado de S.Paulo

22 Novembro 2011 | 03h09

De outra parte, os mais céticos divertiram-se muito com os casos relatados e os atribuíram ao "marketing" de certas casas de hospedagem. A leitora Veruschka Montana quis saber se há mais hotéis mal-assombrados ao redor do mundo. Mr. Miles mandou dizer que há centenas deles, quase todos frequentados por espectros inofensivos.

A seguir, a pergunta da semana:

Mr. Miles: venho acompanhando, preocupado, a crise econômica que assola a Europa. O que o senhor tem a dizer sobre ela?

Julius Skärsen, por e-mail

"Well, my friend: como dizia Augusto Comte, o pai do positivismo, 'nem sempre é possível ou conveniente suspender o juízo.'

Pois, unfortunately, uma respeitável quantidade de nações da Europa parecem ter suspendido o juízo ao juntar, em uma mesma cesta, países de realidades e comportamentos tão distintos. Embora eu não seja um expert no assunto, parece-me que as maçãs estragadas estão contaminando toda a cesta, embora a intenção fosse que as maçãs sadias dessem conforto e curassem as estragadas.

Nossa brava ilha, ao menos, teve o bom senso de conservar nossa indestrutível libra, deixando para os demais países a caxumba que ora acomete o euro.

As you know, Julius, sou um eterno otimista, ainda que tenha combatido nas duas últimas guerras mundiais. Tendo a imaginar que a necessidade de defender uma moeda continental levará os países credores a forçarem os devedores rumo à responsabilidade e à austeridade necessárias. No meio desse processo, however, algumas cabeças vão rolar. Entre as primeiras, para minha satisfação pessoal, rolou uma repleta de tintura e brilhantina por fora e pesada de intolerância por dentro: a do patético primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi.

Os que me acompanham neste espaço talvez se lembrem do imenso vazio que acometeu my soul, quando, em vista de medidas xenófobas adotadas pelo ex-Cavalieri, resolvi privar-me de visitar a Itália pelo período em que o sátrapa ficasse com o poder.

Oh, my God! Foi como uma penitência excluir de meu roteiro um dos mais belos países do mundo. Sua comida excepcional. O calor de suas ilhas. O testemunho de seus gênios criadores. A beleza de suas mulheres. Com absoluta certeza, my friend, Berlusconi não sentiu minha falta. Mas algumas belle donni sentiram e, ainda que silenciosamente, pude manifestar minha indignação. Preparo, agora, um retorno à Itália para breve.

By the way, my brazilian readers, há que se olhar para a crise da Europa continental com um certo oportunismo. Tirar proveito da força de sua moeda. Ficar atento às promoções que se multiplicam em função, justamente, da crise econômica. Meu velho amigo Bertie Charles Forbes, um escocês que criou a revista com seu sobrenome, costumava dizer-me: 'Miles, as crises econômicas podem corroer governos e instituições. Mas não atingem nem monumentos nem o legado histórico de cada lugar'.

Em outras palavras, dear Julius, viaje para a Europa e recomende aos seus amigos que também o façam. Eles estão loucos para recebê-los."

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 132 PAÍSES E

7TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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