Beto Barata/Estadão
Beto Barata/Estadão

Aquário no mar do Caribe

Um passeio feito em dez dias, e 11 voos, pelo mares da Colômbia

Beto Barata / Guapí, O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2013 | 02h08

O barco cortava o Rio Guapí com velocidade. Em poucos minutos, entraríamos no Oceano Pacífico - nossa meta era a Ilha Gorgona, a 56 quilômetros da costa colombiana, onde eu faria meu primeiro mergulho no mar. Isso mesmo: apesar de ter nível avançado, meus 130 mergulhos registrados até então haviam sido somente no Lago Paranoá, em Brasília.

Foram onze voos em dez dias de viagem pela Colômbia com o objetivo de explorar as belezas submersas do país. As ilhas de San Andrés e Providencia também estavam na programação, além de Gorgona, onde teve início minha aventura.

Conhecida como a Ilha Prisão, Gorgona ganhou fama não por suas belezas naturais, mas por seu passado sombrio. Durante 26 anos, entre 1958 e 1984, funcionou ali um presídio de segurança máxima, fechado por denúncias de violações de direitos humanos e pressões de grupos ambientalistas. Em 1985, virou parque nacional.

A vila onde vivam os guardas que trabalhavam no presídio é hoje o centro administrativo, científico e de hospedagem da ilha. Ali não há bebidas alcoólicas, as serpentes estão por toda parte e qualquer aparelho elétrico com resistência é proibido - por isso, todos passam por uma revista nas bolsas na chegada. Assim, o secador de cabelos de uma das integrantes do grupo foi confiscado temporariamente.

O contato com a natureza é total. Não há luxos - os alojamentos são duplos ou para até quatro pessoas (US$ 715 por pessoa, para três noites com pensão completa). Há apenas uma loja de souvenirs, que oferece também água, refrigerantes e picolés. Telefone e internet, só na administração da ilha, das 18 às 22 horas.

Nos instalamos nos quartos e, quase imediatamente, voltamos ao mar. Antes de descermos em El Remanso, um conjunto de três ilhotas, um presente: a visita de uma baleia jubarte. As gigantes costumam se exibir pela região de julho a outubro.

Enfim, chegou a hora de entrar na água. No começo, tudo tranquilo: água morna, boa visibilidade e muitos peixinhos coloridos. Mas quando descemos a 18 metros, a correnteza começou a me atrapalhar. Acabei não conseguindo ficar muito tempo n'água - mas sabia que no dia seguinte haveria mais.

Saímos por volta das 6 horas da manhã seguinte. Foram cerca de 30 minutos de navegação até chegar a um ponto de mergulho conhecido como Montañita I. Trata-se (como o nome sugere) de uma montanha de pedras a 20 metros de profundidade, repleta de vida. Bastou eu mergulhar para dar de cara com um enorme mero. Apenas uma amostra do que viria: moreias, corais de todas as cores, peixinhos e peixões.

Ali também me deparei com meu primeiro tubarão, um gralha branca de quase dois metros que repousava calmamente na areia - melhor assim. Para descansar, paramos ao lado do Estrecho de Tasca, que separa Gorgona de Gorgonilla, um ninhal para aves marinhas.

À tarde, o mergulho foi em Montañita II. Ali, além dos meros, moreias e mais um tubarão, fui brindado com uma inesquecível surpresa: o canto das jubartes. Não deu para vê-las, mas a água vibrava enquanto as gigantes cantavam. E era só o começo da viagem pelos mares da Colômbia.

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