Cine Doré
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Aquele cinema de fim de tarde

O Cinearte fechou, mas ainda há salas de rua pelo Brasil disponíveis para ver um filme

Bruna Toni, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2020 | 06h00

Era uma das coisas mais legais de trabalhar na livraria: saía às 18h, descia no elevador, virava à esquerda, descia as escadas, comprava ingresso, às vezes pipoca também, e entrava na sala de tamanho médio, nunca muito cheia, sempre confortável.  

Foi assim que frequentei, em alguns fins de tarde, a sala do Cinearte, quando ele ainda era o Cine Livraria Cultura – o espaço dentro do Conjunto Nacional mudou de nome diversas vezes, a depender do patrocinador. Desde a semana passada, porém, já não atende por nome algum. Está fechado, sem indícios de que retomará suas atividades.

O drama dos cinemas de rua no Brasil já conhecemos. Resistir ao circuito comercial, das grandes redes e dos filmes recordistas de bilheteria, não é nada fácil. Sobretudo em tempos onde a cultura tem sido constantemente atacada. Nesta coluna, porém, decidi trocar a nostalgia pela esperança e resistência, falando daquelas salas que ainda permanecem firmes e fortes com seus projetores, como as do Marabá, no centro de São Paulo, aberta em 1944.

No Brasil, é orgulho dos belenenses o Cine Olympia, um edifício aberto em 1912 que funcionou como cinema até 2006, quando quase fechou pela falta de recursos. Seus frequentadores, porém, conseguiram tombá-lo e transformá-lo em espaço cultural da capital paraense. Hoje, é o cinema de rua mais antigo do País.

Recife também tem a sua sala histórica, o Cinema São Luiz, inaugurado nas margens do Rio Capibaribe em 1952 e tombado em 2008. E vale falar do charmoso Cinema da Praça de Paraty, reaberto em 2018 depois de ficar muitos anos fechado.

Quando estive em Madri, me hospedei em frente ao Cine Doré, cinema de rua aberto em 1913. Fiquei curiosíssima por ele, com fachada modernista em tons rosados expondo também sua programação semanal, sempre com longas da Filmoteca Espanhola. O movimento durante as noites era constante, até porque o passeio é perfeito: ao lado, há vários bares de tapas e canas. Não muito longe fica a Sala Equis, cinema aberto em 2017 e que se autodefine como “praça de cultura”, porque exibe filmes seguidos de debates e preserva um belo bar. 

E como não falar de Paris, onde os cinemas de rua têm público enorme? Minha amiga que lá mora me conta que são duas grandes redes, UGC e MK2, com salas que muitas vezes dividem parede, todas sempre cheias. Como o centro parisiense não possui centros comerciais – o que também diz muito sobre nossa cultura –, as salas de rua são o que há de melhor para um fim de tarde depois do trabalho. Pronto, fiquei nostálgica. 

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