Tasneem Alsultan/The New York Times
Tasneem Alsultan/The New York Times

Arábia Saudita se abre ao turismo prometendo regras menos rígidas a visitantes

Governo saudita apresentou visto de entrada turística no país pela primeira vez e disse querer promover atrativos históricos e naturais; ideia é reduzir a dependência do reino em relação ao petróleo

Megan Specia, The New York Times

02 de outubro de 2019 | 07h00

E então, quem quer visitar a Arábia Saudita? O governo do país está prestes a descobrir. Suas autoridades afirmaram recentemente que abririam suas fronteiras para o turismo internacional, anunciando um programa de visto online para cidadãos de 49 países, com a intenção de diversificar a economia do reino e reduzir sua dependência em relação ao petróleo. O Brasil não está incluído nesta lista e, por isso, brasileiros precisam atender a mais exigências para poder visitar o país (saiba quais aqui).  

Sob o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, a Arábia Saudita tem se mostrado disposta a impulsionar sua posição global e atrair investimentos, mas não está claro o quanto será atraente aos turistas: o país é notoriamente repressivo, provocando críticas negativas em razão de sua austera interpretação do Islã, que inclui rigorosos códigos sociais.

Algumas das regras que regiam o comportamento em público foram relaxadas sob o príncipe Mohammed, mas os visitantes ocidentais encontrarão uma atmosfera muito mais restritiva em relação à que estão acostumados.

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Há pouca tolerância com a dissidência, as alegações de abusos de direitos humanos são comuns e, no ano passado, o país foi objeto de condenações, globalmente, após o assassinato do escritor dissidente Jamal Khashoggi.

Ahmed al-Khateeb, o chefe de turismo do governo saudita, afirmou que a abertura do reino para turistas internacionais é “um momento histórico para o nosso país”.

Os viajantes estariam aptos a solicitar um visto com direito a múltiplas entradas, válido por um ano, que permitiria aos turistas permanecer até 90 dias no país.

Al-Khateeb ressaltou as cinco localidades consideradas Patrimônio da Humanidade no país e “a beleza natural de tirar o fôlego”. À Reuters, afirmou que as abayas - os robes que cobrem todo o corpo, usados pelas mulheres sauditas - não seriam de uso obrigatório para as turistas, mas que trajes discretos seriam exigidos delas, incluindo nas praias públicas. Ele também ressaltou que não haveria consumo de álcool.

Adam Coogle, da Human Rights Watch, afirmou que o estímulo ao turismo é “parte de uma série de outros passos tomados para tornar o investimento na Arábia Saudita mais palatável”. “Ainda há um longo caminho a ser percorrido, obviamente”, afirmou. Ele também alertou que os visitantes teriam de tomar cuidado ao discutir qualquer assunto que pudesse ser considerado politicamente sensível.

A Arábia Saudita já recebe milhões de religiosos peregrinos todos os anos - mais de 1,8 milhão de pessoas visitou Meca somente em agosto, para realizar o Hajj, a peregrinação anual que constitui um dos rituais mais sagrados do Islã.

O príncipe Mohammed tem conduzido seu país a uma forma mais moderada do Islã. As salas de cinema se proliferaram, e o reino permitiu a realização de concertos e eventos esportivos (como a Fórmula 1) com público misto.

No ano passado, a Arábia Saudita pôs fim à proibição de mulheres ao volante e, este ano, o governo anunciou um relaxamento nas estritas leis de tutela. Várias pessoas que advogavam pelos direitos femininos exigindo o fim da proibição das mulheres dirigindo carros, porém, ainda estão presas - e, segundo relatos, foram torturadas. 

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