Claudio Marques/Estadão
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Claudio Marques , O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2016 | 05h00

ARACAJU - Com o sol da manhã no céu transbordante de azul, o catamarã navega tranquilamente ao longo do Rio Vaza-Barris em meio à paisagem natural dos mangues. Levado pelo leve balanço das águas, pelo calor e pelo vento no rosto, o visitante vai se deixando invadir por uma sensação fluida, agradável. À medida que o passeio prossegue, primeiro na parada no banco de areia chamado Croa do Goré, e depois na visita à Ilha dos Namorados, na foz do rio, aquela sensação gostosa se cristaliza em certeza: Aracaju, a capital do pequeno Estado de Sergipe, é uma agradável e acolhedora surpresa, pronta para ser apreciada em qualquer época do ano.

O Vaza-Barris, fora da área urbana, limita ao sul o município de 632 mil habitantes. O passeio de três horas pelo rio é bom começo para entrar no ritmo de uma viagem de descanso. Embalado pelo som do forró, o catamarã Croa do Goré parte do atracadouro na Orla do Pôr do Sol, em Mosqueiro, em dois horários: às 9 e às 13 horas (R$ 60 com a Top Tur, 79-3179-5050). 

Em 30 minutos de trajeto já estamos na Croa do Goré. Quando chegamos, o banco de areia estava levemente submerso, assim como as cadeiras, redes e pés das mesas, tornando ainda mais peculiar a atração. Para o turista, o melhor dos mundos: água limpa e agradável, sol do Nordeste, cerveja. Aquele pedaço de alegria ainda oferece atrativos menos preguiçosos como um passeio em stand up paddle. Mas não se acanhe se quiser apenas se banhar e relaxar.

A próxima parada é chamada pela população de Ilha dos Namorados. Trata-se de um gigantesco banco de areia situado na desembocadura do rio e, diferentemente da Croa, tem uma longa extensão sempre acima da linha d’água. A vista é ainda mais reconfortante. Rio e mata de um lado, pássaros acima e, ao fundo, as ondas do mar agitado. Numa caminhada, vai-se descobrindo novos ângulos da paisagem, como a vista parcial da Praia do Mosqueiro. Quem, a essa altura, ainda lembra de trabalho, congestionamentos, contas a pagar?

Na volta, revitalizados pelo encontro com as águas, é hora de aproveitar as atrações da orla perto do atracadouro, entre as quais o passeio de stand up paddle ao pôr do sol é uma das preferidas de moradores e turistas. Estar sobre as águas enquanto as luzes do fim de tarde vão tingindo de laranja o céu e o rio, e a mata vai se escondendo no lusco-fusco é como fazer parte da pintura de um artista impressionista.

Um dos mais belos cartões-postais de Aracaju, a Orla do Pôr do Sol tem um calçadão de cerca de 600 metros de extensão à beira do Vaza-Barris. Aos sábados, recebe uma feira de artesanato e de comidas típicas, grupos musicais da região e o show de Valtinho do Acordeão tocando Luiz Gonzaga e até o Bolero de Ravel dentro de um bote ancorado perto da margem. 

A praia de Atalaia, no Oeano Atlântico revoltoso, é o principal ponto turístico da área urbana, onde está o maior número de hotéis. A cidade tem outras atrações como o interativo Museu da Gente Sergipana, o complexo de mercados municipais, boa oferta de restaurantes e bares, em que peixes e caranguejo fazem a alegria do visitante. Aracaju funciona ainda como hub para bate-voltas: ao Cânion do Xingó, à cidade histórica de São Cristóvão, primeira capital do Estado, e, em direção ao sul pelo litoral, mas já na Bahia, o mítico povoado de Mangue Seco, cenário para a novela e o filme Tieta, baseados no livro de Jorge Amado.

Veja mais fotos de Sergipe e da capital, Aracaju:

PONTOS DE PARADA

1. Panorâmicas: O passeio de catamarã no Rio Sergipe parte do píer junto à Avenida Ivo do Prado e segue rio acima, passando ao largo do centro velho e da estátua do lendário Zé do Peixe que, dizem, era capaz de atravessar o rio nadando. Na volta, veem-se o bairro nobre 13 de Julho e trechos de vegetação nativa em direção à Barra dos Coqueiros: outras belas panorâmicas de Aracaju.

2. Mercados: A Praça dos Mercados reúne três desses estabelecimentos: o Antônio Franco, de 1926; o Thales Ferraz, de 1949; e o Albano Franco, de 2000, data em que os dois mais velhos também foram reformados. No Antônio Franco, o restaurante Caçarola serve o famoso prato camarão de cueca, uma moqueca, por R$ 70. A sobremesa moça virgem, mocinha virgem é sorvete de tapioca com banana flambada na cachaça. 

3. Gente sergipana: Na orla do Rio Sergipe, o Museu da Gente Sergipana, fundado em 2011 no prédio do antigo Colégio Ateneu Pedro II, é interativo e usa recursos multimídia para mostrar o folclore, artes, história, símbolos, culinária, festas e costumes do Estado. Também recebe mostras temporárias. Gratuito; há opções de visitas guiadas. 

SAIBA MAIS

Aéreo: SP–Aracaju–SP desde R$ 528 na Latam; R$ 545 na Gol; e R$ 568 na Avianca.

Onde ficar: o hotel Real Classic, em Atalaia, tem diária desde R$ 195. Perto, o Del Canto Hotel custa desde R$ 177.

*Viagem a convite da Secretaria de Turismo de Aracaju

Leia mais: Marajó, para começar a degustar a Amazônia

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Cláudio Marques, O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2016 | 04h50

Em seus 6 quilômetros de extensão, Atalaia é plena de possibilidades. A área foi urbanizada em quatro etapas, detalhe representado pelo mesmo número de arcos no calçadão. Há quadra de tênis, pista de skate, motocross, kart, parques infantis, lagos artificiais, fontes luminosas. A areia da praia é escura e firme, como a do litoral sul de São Paulo e, tanto nela como no calçadão, corridas e caminhadas são atividades frequentes ao amanhecer e no fim de tarde. Ao longe enxergam-se plataformas marítimas da Petrobrás.

Ali, uma construção em formato justamente de tartaruga, de 1.700 metros quadrados, abriga um oceanário do Projeto Tamar. É possível observar variadas espécies marinhas e também do Rio São Francisco em 18 aquários, 12 deles de água salgada. Tanques abrigam filhotes de tartaruga, tartarugas adultas, tubarões, e há um interativo, onde dá para tocar e interagir sem choques com enguias e outros bichos. 

O Submarino Amarelo é uma atração que começa com filmete sobre espécies raras encontradas em águas profundas do Oceano Atlântico – na sala seguinte é possível ver as algumas dessas criaturas e tocar outras. Tudo isso se dá em ambientes refrigerados e escuros para simular o hábitat dos bichos, onde luz e calor não chegam. 

A hora da alimentação dos tubarões, às 16h30, é uma atração disputada pelos visitantes. Outro grande momento do Projeto Tamar ocorre todo primeiro sábado do mês, entre setembro e março, temporada reprodutiva das tartarugas marinhas. Às 17 horas é feita a soltura de filhotes na areia da praia, que então caminham até o mar na direção de uma difícil vida autônoma. De cada mil filhotes, apenas um chega à idade adulta. 

Caranguejo. A orla de Atalaia é também a grande concentração de restaurantes em Aracaju. Em direção ao sul está o trecho conhecido como Passarela do Caranguejo. E comer caranguejo é um hábito que o aracajuano cultiva – nem que seja como uma boa desculpa para amigos se encontrarem e jogarem conversa fora. 

Além do crustáceo, outros frutos do mar e peixes garantem o sabor da deliciosa culinária local. Em três ambientes com decoração temática nordestina, o Bada Grill (Avenida Santos Dumont, 526) serve frutos do mar e comida brasileira. Por R$ 180, escolha quatro opções entre peixe, camarão, lagosta, polvo, lula e salmão para dividir por quatro pessoas, ao som de boa música ao vivo.

Para além do tradicional, o Calles Bar de Tapas (no número 188 da avenida) é especializado em petiscos internacionais. Tem mais de 30 rótulos de cervejas, com preços a partir de R$ 17. Vale experimentar o robalo em crosta de castanhas com linguine. No número 957 está o Pastel da Jane, com pastéis deliciosos como os de bacalhau e camarão, a R$ 9. Mas a Jane também serve coxinhas, empadas, acarajés, bolinhos e pratos em um espaço amigável para crianças, com espaço de brincar e fraldário. 

Para explorar as possibilidades gastronômicas de Aracaju fora da orla de Atalaia, siga para o bairro Inácio Barbosa, mais ao norte, que aracajuanos consideram a Vila Madalena local. O Sato Sushiya (Avenida Paulo VI, 177) tem no cardápio pratos como ceviche de frutos do mar, teppanyaki e yakissoba. Espere gastar cerca de R$ 35 por pessoa. A casa também conta com espaço para crianças e fraldário. 

Entre Atalaia e o centro, o Del Canto Hotel tem um restaurante de perfil mais arrumado, o Colibri. Aberto também a não hóspedes, tem fama de servir um dos melhores cafés da manhã da cidade. Nas refeições, peça o peixe Del Canto, que faz sucesso no cardápio e custa R$ 39,90. Fica na Rua Alferes José Pedro de Brito, 67. 

CURIOSIDADES

Todos os anos, no período das festas juninas, o catamarã Parnamirim se torna o Barco do Forró, com música do trio Pé de Serra e dança puxada por Kelly Varjão e Alex Frutuoso. O passeio, da Nozes Tur, custa R$ 50 por pessoa.

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Cláudio Marques, O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2016 | 04h50

MANGUE SECO - Cerca de 70 quilômetros ao sul da capital sergipana, mas já no Estado da Bahia, está um dos vilarejos nordestinos de praia que povoam o imaginário popular brasileiro. Mangue Seco viu sua fama crescer e se espalhar desde que virou cenário de Tieta, nas versões novela e filme, adaptações da obra do escritor Jorge Amado.

O percurso leva uma hora até o atracadouro no Rio Piauí, ao lado da ponte Gilberto Amado, no município de Estância. O trajeto de escuna pelas águas azuis, onde o mar e os rios Piauí e Real se encontram, proporciona uma gostosa expectativa de que o melhor ainda está por vir. 

A chegada ao povoado baiano é uma imersão na tranquilidade – pelo menos até o momento em que buggys começam a levar os visitantes para o indispensável passeio pelas dunas. Estrategicamente encravado entre rios, Mangue Seco é rodeado por uma vegetação típica que as dunas protegem do mar. Do alto das dunas mais elevadas, a vista é de sonhos. 

O passeio de buggy segue pela areia da praia até um quiosque com bebidas e petiscos servidos sob guarda-sóis, e redes para quem quiser curtir a preguiça no indolente sonho tropical. 

Para quem decidir aceitar o insistente convite da natureza local para ficar mais tempo na aconchegante vila de Mangue Seco, a descolada pousada Fantasias do Agreste tem um bom restaurante com porções e pratos bem servidos e diárias desde R$ 180 para duas pessoas. O passeio de Aracaju até o povoado custa R$ 110 com a Nozes Tur (79-3243-1000); tour de buggy a R$ 90 para quatro pessoas.

RUMO AO SUL ESTÃO AS PRAIAS MAIS TRANQUILAS

Saindo do centro, Aracaju tem 22 km de litoral entre os rios Sergipe e Vaza-Barris, que separa a capital da vizinha Estância. Ao sul de Atalaia estão as praias de Aruana, Náufrago e Refúgio, pouco habitadas e onde sergipanos têm casas de veraneio. Mosqueiros tem perfil similar; ali, o ótimo quiosque Parati serve moqueca com pescada e camarão por R$ 89. O descolado Duna Lounge une pratos italianos e sabores locais, como o nhoque de frutos do mar.

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Cláudio Marques, O Estado de S. Paulo

02 Agosto 2016 | 04h50

CANINDÉ DE SÃO FRANCISCO - Leva-se três horas na viagem até Canindé de São Francisco. São 212 quilômetros desde Aracaju para chegar a uma das principais atrações do Estado de Sergipe, o Cânion do Xingó, onde a terra seca e a caatinga deram lugar a um grande lago formado pelas águas represadas do Rio São Francisco para a construção da Hidrelétrica do Xingó. Em lugar da natureza árida, uma atração turística criada pela intervenção humana que vai se firmando como cada vez mais procurada. 

O restaurante Karranca’s é o ponto de partida para o passeio de catamarã (R$ 90; com traslado desde Aracaju, total de R$ 170) que, cercado por verde, nem de longe lembra a paisagem árida que se esperaria do sertão. São cerca de 20 minutos até o ponto de parada no píer que fica perto do cânion; por ali há uma área em que é permitido nadar, delimitada por uma rede que vai até 10 metros de profundidade. 

São os pequenos botes a remo para cinco ocupantes que levam os turistas a desbravar os corredores entre paredões rochosos que afunilam cada vez mais o percurso. A sensação é de pequenez e respeito diante dos entalhes feitos pela ação do tempo nas rochas metros acima. Bom seria ter um barquinho particular para poder parar ali no meio, deitar e deixar o olhar curtir o céu, os paredões e o silêncio. 

Mais para frente, a passagem se fecha. É hora de voltar. Dentro d’água, cercados pela rede, outros turistas esperam a vez de subir nos botes e conhecer esse belo canto do mundo. Mesmo para quem não quer entrar na água, o píer flutuante tem acomodações – mesa e bancos – para jogar conversa fora. Na volta a Canindé de São Francisco, pilotos de jet ski fazem manobras radicais nas águas do Rio São Francisco, que naquele ponto são calmas. 

Também é possível ver tudo isso do alto, de helicóptero. O sobrevoo inclui a hidrelétrica, permitindo ampla vista dos sistemas de geração de energia elétrica, além da região ao redor. Custa R$ 150 o passeio rapidíssimo, com duração de 4 minutos, por sobre a barragem. Por R$ 250, o voo vai até Piranhas, já em Alagoas, e por R$ 500, o helicóptero leva até o Cânion do Xingó para uma observação do alto. O voos são operados pela MF Tur (79-3346-1184). A Top Tur (79-3179-5050) também faz passeios à região.

Mais por lá. Na Serra do Chapéu de Couro, o Xingó Parque Hotel é uma boa opção de hospedagem na região para quem não quer fazer bate-volta. Diárias começam em R$ 278. 

Canindé de São Francisco faz parte da chamada Rota do Cangaço, formada pelos lugares por onde passou o mítico bando de Lampião. Não muito longe, mas já em Alagoas, a Grota Angico é um dos principais pontos de visitação da rota. Compre o passeio nas agências locais. 

CURIOSIDADES

A Praça dos Mercados de Aracaju fica na Praça Hilton Lopes, onde também está o grande espaço de eventos que recebe, todos os anos, na segunda quinzena de junho, o Forró Caju, a principal festa popular da capital sergipana.

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