Felipe Mortara/Estadão
Felipe Mortara/Estadão

Areias que dançam

O vento modifica a paisagem do parque nacional continuamente, num infinito balé. Comece a aventura por Barreirinhas - e nem cogite perder o pôr do sol

Felipe Mortara/BARREIRINHAS, O Estado de S.Paulo

20 Agosto 2013 | 02h11

Aposto que você já ouviu falar muito sobre os Lençóis Maranhenses, que é lindo, único e coisa e tal. Corro o risco de soar repetitivo, mas que lugar, meu amigo (se me permite a liberdade). Afinal, dizem que, durante uma viagem, basta um minutinho para nascer uma amizade daquelas de infância.

 

Lençóis é daqueles lugares em que você mal chega e já sente saudades. Os olhos, estes órgãos mimados e exigentes, habituam-se rapidinho ao que é belo e harmonioso. E, aqui, ficam mal acostumados que só. Aliás, não são só eles, não. Estas areias com ares escaldantes na verdade têm o frescor do vento incessante que as fazem flutuar delicadamente na altura do tornozelo. Difícil dizer isso, mas dispense as havaianas.

 

Um deserto que se move com o vento, dunas que parecem líquidas, pontilhadas por lagoas de ares oníricos. Águas translúcidas se acumulam com as chuvas do primeiro semestre e se transformam em refrescantes piscinas até setembro. Pois é, a melhor época para visitar este tesouro vai, em geral, de junho até o próximo mês, quando as águas secam até que o oásis vire areia e mais areia. Um bom motivo, portanto, para se apressar.

 

Porém, não se lamente se puder viajar apenas fora de temporada, já que o cenário não fica feio de jeito nenhum. Perenes, as lagoas do Peixe e da Esperança nunca secam e acolhem os desesperados com um mínimo de água o ano todo.

 

Além disso, as belíssimas praias de Atins e Caburé o esperam a apenas uma hora de barco descendo o Rio Preguiças. Mas são as águas doces que fazem dos Lençóis Maranhenses um lugar único. Não vi ninguém sem encanto estampado no rosto. E não é para menos: 1.560 quilômetros quadrados de parque nacional, com dunas, água e também - pasme - árvores enormes. E a base para conhecer tudo isso é Barreirinhas, cidade de 60 mil habitantes, a 270 quilômetros da capital, São Luís.

 

Protagonistas. Posso apostar um mindinho que no seu roteiro haverá pelo menos duas lagoas, a Azul e a Bonita - afinal, são os principais passeios desde Barreirinhas. Se jogue: as duas fazem por merecer. Além disso, cada tour passa por cinco lagoas menores (porém não menos idílicas), distribuindo bem os turistas. Garantimos a foto do Facebook sem ninguém ao redor (e um recorde de curtidas).

 

Não se esqueça de que a Azul e a Bonita são só as mais próximas da cidade, a pouco mais de uma hora em jardineira. Turistas de vários países e até famílias com crianças pequenas encaram estes rústicos veículos 4x4 com assentos instalados na parte de trás. O caminho exige algum molejo (além do amortecedor da Toyota), pois todo o trajeto é de areia - carros normais nem sonhem em desafiar. Ambos os tours costumam durar meio período e custam, em média, R$ 50 por pessoa nas agências em Barreirinhas.

 

Aí você pergunta o melhor horário para conhecer cada lagoa. Peço perdão pela indecisão e sugiro: vá de manhã e à tarde, e me diga você sob qual luz mais gostou da paisagem. As nuances das areias mudam, de branco para amareladas, ou seriam cor de creme? As lagoas clareiam ou ganham tons mais intensos com o entardecer. Ah, o fim da tarde. O pôr do sol é um programa à parte, uma poesia da natureza.

 

Ao final de tudo isso, meu caro, você provavelmente terminará por recomendar este lugar a um estranho. Ou melhor, a um novo amigo . Daqueles de infância, claro.

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