Mônica Nóbrega/Estadão
Mônica Nóbrega/Estadão

Argentina: 4 lugares para degustar bons vinhos em Mendoza

Aos pés da cordilheira andina, entre planícies cobertas de parreiras, a província premia os sentidos com sabores, aromas e paisagens

Marcelo Lima, O Estado de S. Paulo

01 Setembro 2015 | 00h30

MENDOZA - Estamos em Maipu, a cerca de 20 quilômetros da cidade de Mendoza, capital da província homônima, na Argentina. A noite é de céu estrelado, mas o termômetro insiste em registrar poucos graus abaixo de zero. À sombra de uma fogueira, uma recém-formada confraria se aglomera em torno de uma estreita escada de pedras. Alguns degraus abaixo, uma pequena plaqueta informa a todos que estão diante do Portal do Inferno. Mas, ao contrário do que isso possa sugerir, ninguém se furta a entrar.

“Entrem sem medo”, convida, bem-humorado, o performático Alejandro Vigil, um dos mais cultuados enólogos argentinos de sua geração, há 13 anos à frente da vinícola Catena Zapata e, atualmente, às voltas com a divulgação de sua própria bodega, a El Inimigo. “Aqui não é preciso abandonar nenhuma esperança. Principalmente se for encontrar bons vinhos.”

Mendoza tem cerca de mil vinícolas em funcionamento. Algumas familiares, como a de Vigil. Outras, trabalhando em escala industrial, caso de Trivento e Terrazas. Cerca de 200 são abertas à visitação. Em todas, o vinho continua a ocupar o foco das atenções de seus visitantes. Mas, cada vez mais, tudo o que gira em torno dele também não escapa ao radar dos turistas.

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Amante de vinhos, de Dante e da Divina Comédia, Vigil conduz, sob luz de velas e cenograficamente posicionado sobre uma pilha de tonéis, a degustação de suas decantadas criações. Entre elas, o Grand Enemigo Gualtalarry, vinho que detém a mais alta distinção já concedida pela revista The Wine Advocate para um cabernet franc produzido na região. 

Para ele e sua família, que habitam uma confortável casa ao lado da cave, a noite é de celebração. Trata-se da primeira visita pública à propriedade e, após a apresentação dos vinhos, será a hora de promover um jantar de harmonização. Taças a postos, o grupo de convidados acompanha tudo com atenção. O momento é de se entregar, sem culpas, ao prazer de degustar. 

Diferenças. “Me parece natural que, do ponto de vista de suas instalações e serviços, cada uma das vinícolas procure se diferenciar aos olhos de seus frequentadores”, afirma Javier Espina, ministro de Turismo da província que, regada pelos rios Mendoza e Tunuyán, se tornou a capital vinícola da Argentina, respondendo por 85% da produção nacional. 

“Os brasileiros são grandes apreciadores de nossos vinhos e, com o aumento da oferta de voos, o número de visitantes tende a se ampliar”, diz Espina, visivelmente entusiasmado com a retomada da ponte áerea São Paulo-Mendoza, em julho, operada pela Gol, com duas frequências semanais: às quartas-feiras e aos sábados.

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De fato, para um público interessado em conhecer uma Argentina menos afeita ao cosmopolitismo portenho ou aos esportes de inverno de Bariloche, Mendoza tem muito a oferecer. Aguardada com grande expectativa, a festa da vendimia (vindima), que marca o início da colheita da uva e geralmente ocorre no início de março, é o ponto culminante do calendário turístico local. Mas suas principais atrações podem ser conferidas ao longo de todo o ano. 

Tranquila, arborizada – um secular sistema de irrigação nutre a vegetação mesmo em face do clima semidesértico da região – e fácil de ser percorrida a pé ou de bicicleta, a capital da província merece ser desfrutada com calma. Em qualquer categoria, são muitas as opções de hospedagem. E a oferta gastronômica, vinculada às heranças culinárias italiana e espanhola, não deixa a desejar. Especialmente aos amantes de carnes e massas.

Suas três principais regiões produtoras de vinhos – Luján de Cuyo, Maipu e Vale do Uco –, onde se concentram as bodegas que ilustram esta reportagem, não ficam além de 2 horas de carro do centro da cidade e são um convite a prolongadas degustações. Acolhida calorosa, vinhos de qualidade por preços mais em conta do que os praticados nas lojas locais.

Por último, mas não menos importante, por onde quer que vá, mesmo o mais desavisado dos turistas cedo vai perceber que Mendoza é um ponto avançado de observação da Cordilheira dos Andes. A mais extensa cadeia de montanhas do mundo alcança nos limites da cidade seu ponto mais alto: o Cerro Aconcágua, com 6.962 m de altitude. O quanto se aproximar de seus picos nevados, vai depender, a rigor, das condições meteorológicas locais. Sua simples presença, porém, fascina e silencia. E, com a cabeça nas nuvens ou não, já vale a visita.

DEGUSTAÇÃO

Quem visita Mendoza deve incluir no roteiro um giro por pelo menos duas ou três grandes vinícolas. A produção em escala industrial de forma alguma afeta a qualidade da bebida. E infraestrutura oferecida aos turistas é primorosa. Existem, no entanto, vários pequenos estabelecimentos que conservam o ritmo da produção dos velhos tempos. Não que isso interfira na cotação dos vinhos produzidos. Mas, enquanto as grandes impressionam com sua dimensão e tecnologia, as pequenas bodegas encantam pela atmosfera caseira. 

SAIBA MAIS

Como ir: desde julho, a Gol opera voo direto entre São Paulo e Mendoza, com duas frequências semanais, às quartas-feiras e aos sábados. Custa desde R$ 1.258, com taxas. Com conexão em Buenos Aires e taxas já incluídas, há opções das Aerolíneas Argentinas (R$ 973,63) e da TAM (R$ 1.224).

 

Site: consulte mais passeios e degustações em turismo.mendoza.gov.ar.

*O repórter viajou a convite do Ministério do Turismo de Mendoza e Gol.

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