Thiago Lasco/Estadão
Vicunhas pastando com os vulcões irmãos Parinacota e Pomerape ao fundo: cena impactante que resume o Parque Nacional Lauca, maior atração da região de Arica y Parinacota Thiago Lasco/Estadão

Arica, uma região de belezas inexploradas no norte do Chile

O roteiro parte do nível do mar e chega a mais de 4 mil metros de altitude; no caminho, vulcões, cenários desérticos e povoados onde é raro encontrar alguém

Thiago Lasco, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2019 | 07h00

Quando eu contava para meus amigos que estava de viagem marcada para o norte do Chile, a resposta era sempre a mesma: “Atacama, né? Legal, eu conheço!”. Mas meu destino não era San Pedro de Atacama, vilarejo encravado na província de Antofagasta que se tornou um polo turístico cada vez mais procurado por brasileiros. Meu objetivo era vasculhar os atrativos de Arica y Parinacota, ainda mais ao norte, a última región daquele país antes da fronteira com o Peru. As caras de interrogação dos meus amigos eram inevitáveis.

Trata-se de um pedaço ainda pouco visitado, não só pelos brasileiros, mas também pelos próprios chilenos. Como San Pedro de Atacama hoje já caminha para a saturação, o governo do Chile agora quer explorar o potencial de Arica y Parinacota e desenvolvê-la como destino turístico.

Como uma região ainda pouco explorada, a verdade é que nem todos os lugares a que fui apresentado pelos meus guias pareciam atrações turísticas acabadas; havia ali um tanto de promessa para o futuro. Por outro lado, desbravar um lugar fora dos holofotes das massas também pode ser muito interessante.

Boas-vindas

A cidade de Arica, onde fica o aeroporto que serve como principal porta de entrada para a região, tem seus ângulos favoráveis e oferece atividades que conseguem ocupar um par de dias. Mas o grande destaque é mesmo o Parque Nacional Lauca. Se a distância de Arica até lá é relativamente pequena (150 km, que podem ser vencidos em pouco menos de três horas), a diferença de altitude não deve ser desprezada: enquanto a capital da província está ao nível do mar, Lauca fica mais de 4 mil metros acima.

Por isso, visitá-lo em um simples bate-volta é até possível (há agências que oferecem esse passeio, a cerca de 100 mil pesos ou R$ 590 por pessoa), mas não recomendável. Seria uma viagem exaustiva, com pouco tempo para desfrutar do parque e com as consequências para o organismo de duas mudanças bruscas de altitude no mesmo dia (não é raro que turistas passem mal, mesmo fazendo paradas pelo caminho). Faz mais sentido montar base em Putre, povoado que fica a poucos quilômetros do parque e tem alguma estrutura de hospedagem e alimentação.

Nossa estratégia foi fazer a subida em duas etapas. Primeiro fomos até Codpa, a 2.200 metros de altitude, onde passamos a noite. No dia seguinte, seguimos viagem até Putre. No caminho de Codpa a Putre, fomos percorrendo povoados que um dia receberam missões jesuítas espanholas. Por isso, esse trajeto é conhecido como Ruta de las Misiones.

Além de ajudar o corpo a se adaptar, o percurso permite ao visitante acompanhar as mudanças na paisagem a cada zona geológica atravessada: deserto costeiro, deserto absoluto, deserto alto e frio e estepe altoandino, com diferentes espécies de animais e vegetação adaptadas a cada faixa de altitude. É uma daquelas viagens em que a travessia pode ser tão encantadora quanto o destino.

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Entre lhamas, alpacas e vulcões no Parque Nacional Lauca

Camelídeos são encontrados por toda parte dentro do parque, que não tem porteiras ou ingresso, mas guarda belezas de sobra

Thiago Lasco, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2019 | 06h50

Toda simpática, a lhama é a criatura mais pop do grupo. Pelagem fofa como a de um poodle que acabou de sair do pet shop, um sorriso de canto de boca que parece saudar o visitante. A alpaca também tem o corpo recoberto de lã e, por isso, o mesmo aspecto gorducho – mas o pescoço e o focinho são mais curtos. A vicunha é a mais delicada de todas: compacta, delgada, quase uma prima do Bambi de Walt Disney. O guanaco fica no meio do caminho entre a alpaca e a vicunha - é o único que tem a cara preta. 

Depois de um dia inteiro no Parque Nacional Lauca, com as explicações de um bom guia, fica fácil entender quem é quem. O contato com esses animais, todos membros da família dos camelídeos, está entre as experiências mais marcantes da visita. Da janela do carro, o zoom da câmera nem sempre consegue capturar os detalhes dos bichos que surgem ao redor da estrada. Mas há vários trechos, como nas ruínas do povoado de Parinacota, em que é possível avistá-los bem de perto, pastando ou bebendo água em lagos. E, de perto, eles são ainda mais adoráveis.

Mas há mais para ver. A paisagem é dominada pelo Lago Chungará, de cerca de 15 km² de extensão, com águas em tom esmeralda que podem estar parcialmente congeladas, a depender da época do ano. Ao seu redor, impõem-se dois vulcões gêmeos, Parinacota (cujo cume, a 6.340 metros, é o ponto mais alto do parque) e Pomerape, sempre cobertos de neve. Em uma das extremidades, o lago deságua em várias pequenas lagoas, cercadas por rochas vulcânicas, as Lagunas Cotacotani. Mais de cem espécies de aves, de gaivotas e taguas até flamingos cor-de-rosa, podem ser vistas por ali.

Portas abertas

É um cenário contemplativo, que pede uma degustação demorada – o que não combina com bate-volta. Até porque, a 4.590 metros de altitude, é preciso entender e aceitar que o corpo passa a funcionar em outro ritmo. Com o ar mais rarefeito, o fôlego fica curto; se você tentar se movimentar na velocidade de sempre, vai se sentir como se estivesse correndo uma maratona.

O parque se espraia por uma área de 138 mil hectares, sem fronteiras delimitadas ou cobrança de ingresso. A partir de Putre, são pouco mais de 30 km de distância. Você vai percorrendo a Carretera 11, rumo à fronteira com a Bolívia e, de repente, sem maior aviso, surgem os vulcões e o lago à sua esquerda.

O caminho tem alguns mirantes onde se pode estacionar com segurança e apreciar a vista. Eles são a única estrutura para o visitante: não há sinal de banheiro, lanchonete ou posto de gasolina por perto - por isso, é preciso trazer tudo o que é necessário para passar o dia. Os guias sabem disso - e vêm prevenidos.

Vocação mochileira

Putre não é mais que um punhado de ruas. Algumas casas de pedra talhada, uma praça, o posto bancário que faz as vezes de casa de câmbio. San Pedro de Atacama também era assim há 25 anos – pelo menos é o que garantem os que frequentavam o vilarejo antes de ele se transformar em destino concorrido.

Ao lado dos dois únicos hotéis do povoado de 2 mil habitantes, há vários albergues. Vale registrar que Putre foi um dos poucos lugares em todo o meu giro pelo norte do Chile em que encontrei outros viajantes – todos com o mesmo perfil, de mochileiros interessados em destinos de aventura.

Em frente à praça, uma loja vende xales, ponchos, cachecóis e pashminas feitos com lã de diversos tipos. A mais nobre é a de alpaca:   fina como seda e, ao mesmo tempo, com maior resistência térmica, o que garante proteção contra os ventos gelados que cortam Lauca. A título de comparação, enquanto um poncho de lã de ovelha custa 18 mil pesos (pouco mais de R$ 100), uma peça similar de alpaca chega a 95 mil pesos (R$ 560).

Jantar à moda local

A especialidade culinária da região é o cuadril de alpaco. Isso mesmo: enquanto as alpacas fêmeas fornecem lã para agasalhos, os machos vão para a panela. Na receita local, a carne é cortada em escalopinhos, preparada com tomate, cebola-roxa, coentro e molho de ostra e servida com arroz e batatas fritas – exatamente como os peruanos fazem o conhecido lomo saltado.

Ainda que não tenha a mesma maciez da versão com filé mignon, o prato é saboroso. Mas é preciso ter sangue frio para devorá-lo depois de ter visto todos aqueles bichinhos vivos e felizes pelo parque.

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Rota do deserto: entre igrejas e povoados fantasmas

Encontrar moradores em alguns dos vilarejos do trecho entre Codpa e Parinacota é coisa rara

Thiago Lasco, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2019 | 06h50

Depois de horas de curvas e solavancos em vias empoeiradas, o café da manhã já era uma lembrança distante e o estômago roncava. Chegamos a um povoado, o quarto do dia, que pelas ruas asfaltadas parecia mais bem cuidado que os demais. Dirigimos até a praça, onde estava fincada a igreja. Que estava trancada. Não havia viv'alma em parte alguma: nem no posto de saúde (também fechado), nem nos banheiros públicos (esses abertos, ainda bem). Nos três dias da expedição que fizemos pela Ruta del Desierto, essa era a rotina normal: não encontrar ninguém.

Nesse dia, nosso guia abriu a caçamba da picape, tirou dela uma grande tábua e cavaletes, montou a mesa com toalha. De uma grande bolsa foi sacando os ingredientes para rechear as tortillas que seriam o nosso almoço: latas de atum, milho e feijão-preto, um pote com folhas de alface, alguns tomates e abacates, um saco de batata palha, azeite. Entre armar nosso farnel, comer e desmontar tudo, passamos umas boas duas horas em Belén.

Ninguém apareceu. Em nenhum momento. Parecia que estávamos na cidade cenográfica de algum filme – em cuja história havia um toque de recolher como o de Bacurau, ou uma tragédia que fez toda a população se mandar dali.

Heranças das missões

Nosso percurso pela Ruta del Desierto foi cruzando vários povoados que um dia receberam missões jesuítas: Codpa, Guañacagua, Timar, Ticnamar, Belén, Parinacota. Cada um não tem mais que 100 habitantes. A falta de perspectivas acaba expulsando os jovens para cidades maiores, como Arica, e o que fica são vilarejos que parecem entregues à própria sorte.

Perdido nesse fim de mundo, um simpático casal andava com as duas filhas pequenas a tiracolo pela estrada de terra que liga Codpa a Guañacagua. Oferecemos carona à família e, nos poucos minutos que durou esse encontro tão improvável (como também seria improvável que surgisse mais alguém para ajudá-los), descobrimos que eles moravam em Valparaíso. A moça tinha resolvido voltar com o marido e as duas filhas à região de Arica, onde ela cresceu. “Nada aqui mudou”, ela constatou.

As igrejas construídas pelos espanhóis ainda estão lá. Mas todas as que vimos estavam fechadas, talvez à espera de um futuro restauro. A primeira de nosso caminho, em Codpa, é a segunda mais antiga de todo o Chile. Construída no século 17, a Igreja de San Francisco de Tours teve as portas feitas com madeira de cactos nativos e as vigas, com álamos trazidos pelos espanhóis. O campanário (a torre do sino) é outro traço da influência ibérica. Os outros templos pelos quais passamos tinham as mesmas características.

Parada estratégica

Foi em Codpa, 2.200 metros acima do nível do mar, que passamos a primeira noite, para ajudar o corpo a se acostumar com a diferença de altitude. Provamos o vinho pintatani, uma cepa produzida ali há mais de 200 anos. Com forte teor alcoólico, doce e licoroso, ele lembra o vinho do Porto. Da bodega que visitamos, Quinta Santa Elena, saem apenas 400 garrafas por ano. Na visita, que custa 1.000 pesos ou R$ 6 (agendamento pelo +569 4420-3155 ou anasoza.uta@gmail.com), são mostrados os parreirais e o processo de produção, com degustação de uma tacinha ao final. Cada garrafa de 750 ml sai por 10 mil pesos (R$ 59).

Mudanças de cenário

Se não há tanta vida nos povoados, a graça da viagem é acompanhar as mudanças de paisagem que vão se sucedendo na medida em que atravessamos diferentes tipos de deserto, até a estepe do altiplano. Com a altitude, muda a fauna, muda a flora, mudam as cores.

Pouco depois de sair da Carretera 5 pelo trevo que dá acesso à região de Codpa, a primeira surpresa foi um mar de apachetas ao redor da rodovia. São pilhas de pedras que incas e outras civilizações andinas faziam - hoje, viajantes, guias e moradores mantêm a tradição viva. Existem duas explicações para elas: a mais mítica diz que seriam oferendas para pedir proteção à Pachamama (a Mãe-Terra). De acordo com a outra, essas pilhas eram usadas como pontos de referência pelos viajantes, para marcar o caminho de volta.

Quando a rota começa a subir, a estrada sinuosa vai contornando vales e penhascos, com duas cordilheiras (primeiro a da Costa e depois a dos Andes) se erguendo no horizonte. No início as montanhas ainda são nuas e áridas como em Arica e a única vegetação são enormes cactos em forma de candelabro.

Montanha acima

Aos poucos, as colinas começam a ser recobertas por tons de bege e verde da vegetação pré-cordilheira, irrigada pela água das geleiras. Nas encostas, frutas e hortaliças são plantadas em camadas que lembram terraços, nas chamadas zonas de cultivo, outra herança inca. Surgem bodes, ovelhas, cabras.

A partir de 3 mil metros de altitude, começam a dar o ar da graça os tais camelídeos. Ver um guanaco exige sorte e atenção: eles ficam ao redor da estrada, mas se camuflam facilmente pela cor da pelagem, opaca, entre os tons café-avermelhado e oliva, que o ajuda a se esconder dos predadores. A única árvore que sobrevive no altiplano é a queñoa, um arbusto de galhos retorcidos que lembra um grande bonsai.

O caminho até Putre não chega a 300 quilômetros, mas é cansativo. A mudança de altitude acentua o desgaste físico. A experiência toda ganhou muito mais corpo e significado graças ao guia e seus conhecimentos de geologia, botânica, biologia, geografia.

Com Juan Pablo, aprendemos sobre tudo: hábitos dos animais selvagens, plantas medicinais, crenças andinas. Mais que simples curiosidades, as explicações nos ajudaram a entender a riqueza do que nos cercava. 

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Cristo, praia e carnaval: cidade é o Rio de Janeiro do norte do Chile

Com 200 mil habitantes, cidade é porta de entrada (e de saída) dos turistas para a região

Thiago Lasco, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2019 | 06h50

Ela é abençoada por uma estátua do Cristo, que está plantada em um morro com vista panorâmica da cidade. E tem um carnaval de rua que é o maior do país e um dos mais importantes da América Latina. Estamos falando do Rio de Janeiro? Não: é Arica, uma cidade de 200 mil habitantes a apenas 18 km da fronteira entre o Chile e o Peru.

Arica cresceu e vive em função do mar. Tem praia e porto - seus antepassados, os chinchorros, viviam da pesca e deixaram ali um pouco de sua cultura. O clima é ameno durante todo o ano, com temperaturas médias entre 17 e 25 graus, o que lhe rendeu o apelido de “Cidade da Eterna Primavera”.

Sem a mesma badalação de Viña del Mar, as praias de Arica são muito frequentadas por bolivianos e peruanos. As vizinhas Las Machas e Chinchorro têm areia batida e escura e mar raso e frio; já El Laucho, em uma pequena enseada, tem bares de praia e um serviço mais caprichado.

Uma caminhada pela orla fica melhor com uma paradinha no Mr. Chiss, na Playa Chinchorro. O food truck serve frutos do mar com sotaque peruano e uma limonada com hortelã deliciosa. O ceviche custa 4 mil pesos (R$ 24), metade do que se pede em Santiago; um combo para dois com ceviches, limonadas e um chicharrón de pescado (pedaços de peixe empanados em farinha de milho e fritos) sai por 13 mil pesos (R$ 76).

City tour

No centro, o destaque é a Catedral San Marcos de Arica. Com estrutura de metal em estilo neogótico, ela foi construída em 1875 pelo francês Gustave Eiffel (sim, o mesmo da torre em Paris).

Em frente à igreja, a Plaza Colón é o local certo para dar um tempo depois do jantar (que pode ser a poucos passos dali, no peruano Amaz), tomar a fresca e ver o movimento noturno.

Do outro lado da praça e da avenida costeira, o porto também vale uma olhada durante o dia. Barracas vendem peixes e frutos do mar fresquinhos – há corvinas, congrios, tollos (peixes parentes dos tubarões) e jaibas, os caranguejos gigantes típicos da região. As sobras dos peixes fazem a festa de pelicanos e lobos-marinhos, que estão sempre à espreita e rendem ótimos cliques.

Dá para almoçar por ali gastando bem pouco. Duas picadas (restaurantes simples), La Porteñita e Matarangi, servem menus do dia, com entrada, sopa, prato de peixe e bebida, por preços entre 4 mil pesos (R$ 23) e 6 mil pesos (R$ 35).

Se o céu estiver claro, não deixe de subir ao Morro de Arica no fim da tarde. A estátua do Cristo de la Paz, inaugurada no ano 2000, não tem lá a mesma presença do Cristo Redentor carioca, é verdade.

Mas, do mirante a 130 metros de altura, dá para ver boa parte da cidade, o porto, a orla e o sol se pondo no Oceano Pacífico. A partir da Plaza Colón, são cinco minutos de carro (pelas ruas Rafael Sotomayor e Santo Domingo) ou 20 a pé (pelo caminho no final da rua Cristóbal Colón).

No rastro dos antepassados

Ao sul de Arica, duas atrações turísticas remetem a um passado muito distante.  Conheça:

Cuevas de Anzota

A apenas 10 km do centro de Arica, as Cuevas de Anzota são grandes falésias que foram esculpidas pela ação do mar e dos ventos por milhões de anos (o mar anzota, ou seja, açoita as rochas, daí o nome).  O caminho para visitação vai margeando paredes de pedra em tons de marrom, cinza e branco, que contrastam com o mar esmeralda. Algumas rochas foram batizadas pelas formas ou desenhos que aparecem em seu relevo: O Rosto do Avô, O Beijo do Cachorro, O Coração da América do Sul. Inscrições rupestres denunciam a passagem de povos primitivos. Dá para explorar as cavernas, fazer trilhas com guias credenciados e, em alguns trechos sinalizados, até arriscar um rapel.

Embora as falésias estejam ali há milhões de anos (durante o Paleozoico, estavam completamente submersas), o local passou a ser administrado apenas em 2016. O ingresso é gratuito, mas não há muita estrutura para o visitante. Os únicos banheiros, na entrada, estão fechados; comida e bebida, só nos fins de semana do verão, quando food trucks param na entrada.

Caleta Camarones

Seguindo a partir de Arica por 1h40 (117 km) pela Ruta 5, chega-se à Caleta Camarones, aldeia de pescadores que foi um lugar de concentração dos chinchorros. Esses antepassados dos ariqueños viviam de pesca e coleta e foram o primeiro povo da humanidade a mumificar seus mortos – há totens na entrada da aldeia que representam um homem e uma mulher mumificados dentro do costume chinchorro.

O lugar é também um sítio arqueológico, com vestígios que vão de ossadas a restos de múmias. Mas, ao longo dos anos, grande parte desse material foi levada por pesquisadores. Ao visitante, o que resta hoje é o contato com os pescadores, que mantêm vivas tradições dos antepassados, incluindo as técnicas de manejo. Eles limpam de forma artesanal quilos de ouriços todos os dias.

A visita pode ser coroada com um almoço típico, servido nas casas dos próprios pescadores (combine ao chegar). A estrela é o chinchorrazo, cozido que leva chorozapatos (espécie de mexilhão gigante), peito de frango e linguiça. Pode haver também perol (escabeche de frutos do mar servido frio, como um ceviche), chicharrón de pulpo (pedaços de polvo fritos até a consistência de torresmo) e pebre, o vinagrete chileno. Em média, 4 mil pesos (R$ 23).

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Como chegar, onde ficar e onde comer na região de Arica y Parinacota

Em Putre, a altitude é uma preocupação que deve ser levada a sério

Thiago Lasco, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2019 | 06h50

COMO CHEGAR

Aéreo

Para chegar à região desde São Paulo, é preciso voar para Santiago (4h20) e mais 2h40 até Arica. Com a Latam, a partir de R$ 2.584,92; na low cost chilena Sky Airline, desde US$ 522,41.

 

Moeda

R$ 1 vale 170 pesos chilenos. Em Arica, dá para fazer câmbio no centro, na região do Paseo 21 de Mayo - mas é melhor levar dólares (US$ 1 compra 670 pesos chilenos). 

ONDE FICAMOS

Hotel Apacheta (Arica)

A construção, erguida sobre palafitas quase à beira da praia, é toda de madeira, com desenho modernoso e pegada sustentável. Os quartos, aconchegantes, têm varanda debruçada para o mar, de onde se ouve o canto das gaivotas. No café da manhã, são servidos ovos mexidos feitos na hora, geleias caseiras e iogurte com frutas. Vale a pena jantar por lá: invista no quinotto de frutos do mar (espécie de risoto com quinoa no lugar do arroz) e não perca o pisco sour de goiaba. Diárias desde R$ 387.

Codpa Valley Lodge (Codpa) 

Os quinze chalés são rústicos, mas espaçosos, com pé-direito alto, e ficam ao redor de um gramado com piscina. Pena que não havia água quente no banho durante nossa estada (a gerência garantiu se tratar de um problema passageiro). Encare a falta de Wi-Fi como um convite a se desconectar e releve a simplicidade do desjejum. Diárias desde US$ 120.

Hotel Kukuli (Putre)

Bem localizado, fica a uma curta distância a pé da praça e dos restaurantes. Ao lado da cama confortável há um canto de trabalho com escrivaninha. Por outro lado, o banheiro não serve para hóspedes claustrofóbicos. Um pijama bem quentinho, ou mesmo uma segunda pele, pode ajudar a encarar as noites geladas sem calefação. Diárias desde R$ 267.

ONDE COMER

La Paloma

Instalado no hotel de mesmo nome em Putre, o salão amplo serve clássicos da cozinha peruana (arroz chaufa de frutos do mar, lomo a lo pobre) e especialidades locais, como o cuadril de alpaco (preparado na wok com molho de ostra, tomate, cebola-roxa). Pratos a 7 mil pesos (R$ 42).

Amaz

A poucos passos da Plaza Colón, em Arica, tem em sua carta de drinques variações de pisco sour (prove o de gengibre; 5 mil pesos ou R$ 30). Para petiscar, as tablas trazem especialidades peruanas para compartilhar (desde 16 mil pesos ou R$ 94). Pratos principais a 9.500 pesos (R$ 56).

Mr. Chiss

O simpático food truck serve em mesas sob um toldo improvisado, de frente para a Playa Chinchorro, em Arica. Ceviches desde 4 mil pesos (R$ 23); o combinado com 2 ceviches, um chicharrón de pescado (peixe empanados em farinha de milho) e 2 limonadas com hortelã custa 13 mil pesos (R$ 76).

Restorán Doña Fely

No único restaurante de Codpa, os donos servem aos eventuais forasteiros o que tiverem feito para o seu próprio consumo. É comida caseira: nosso PF tinha coxa de frango com arroz branco, batata cozida e salada de tomate, cebola e ervilha. Com suco natural, custou 3.500 pesos (R$ 20).

CONSELHOS ÚTEIS

Altitude

Para encarar as altitudes elevadas, capriche na hidratação e aumente o consumo de carboidratos. Na véspera da expedição, durma bem e resista aos drinques com pisco, já que a ressaca pode complicar a adaptação à altitude. Os andinos têm como tradição mascar folhas de coca. Mas cuidado: em organismos mais sensíveis, isso pode provocar uma arritmia cardíaca. O chá de coca é menos agressivo.

Docinhos à mão

Caramelos são bons companheiros de viagem: alimentam, ajudam a formar saliva e, ao mascá-los, você mantém os ouvidos desobstruídos.

 

Roupas

Use roupas e calçados confortáveis. Vestir-se em camadas ajuda a se adaptar às variações de temperatura ao longo do dia. Leve um bom gorro que cubra as orelhas, pois o vento gelado no Parque Nacional Lauca é cortante. Apesar do frio, o sol queima muito, então óculos escuros e filtro solar são fundamentais. Como Putre tem temperaturas negativas durante a noite, os mais friorentos vão gostar de ter à mão uma segunda pele. 

 

Devagar e sempre

Durante os passeios, ande devagar e trabalhe a respiração, enchendo mais os pulmões de ar a cada inspiração. Se você tentar se movimentar no ritmo a que está habituado, ficará sem fôlego rapidamente. O mantra é: “caminhar como um idoso, para terminar como um jovem”.

Carro valente

É recomendável fazer o trajeto com guia, mas quem for por conta própria é melhor ir com uma picape grande, com tração 4x4, já que o percurso entre os povoados é feito por estradas difíceis. Não confie apenas no GPS ou em aplicativos para se orientar: como há várias áreas sem sinal de celular ou internet, estude bem o trajeto para não se perder.

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