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Arranha-céus e diversão na Berlim que olha para o futuro

Lugares antes abandonados na cidade hoje dão lugar a museus, espaços culturais e construções modernas

Marina Azaredo, Especial para O Estado de S. Paulo

09 de novembro de 2019 | 09h00

Depois de tanto lembrar o passado, talvez seja hora de olhar para o futuro. Inaugurado em setembro e com visitação gratuita pelos próximos cinco anos, o Futurium foi construído em outro trecho de "no man's land" ("terra de ninguém"). Nos moldes do carioca Museu do Amanhã, faz uma reflexão sobre o futuro do planeta, com uma exposição e um laboratório prático para fazer experimentos. Um programa para adultos e crianças.

Pertinho dali fica o Reichstag, o parlamento alemão que também tem visitação gratuita – e um excelente audioguia para orientar o percurso. Além de informações sobre a arquitetura do prédio, seriamente danificado durante a Segunda Guerra e reformado em 1999, detalhes sobre a história da Alemanha também aparecem. É imprescindível agendar a visita pelo site.

Cidade em transformação

Para entender como Berlim está se modernizando, vale uma ida até a Potsdamer Platz um lugar que já esteve abandonado  e agora é ocupado por arranha-céus modernosos – é lá também que está e o elevador mais rápido do mundo, no Panoramapunkt (a vista do rooftop vale o ingresso).

Não perca ainda o Timeride, uma atração em realidade virtual inaugurada em agosto. Após escolher a companhia de um personagem, o visitante faz um tour por uma Berlim Oriental cheia de Trabis – o carro produzido no Leste – e prédios governamentais. Já a Topografia do Terror, um museu de história ao ar livre localizado a poucos metros, conta a história da ascensão do nazismo na Alemanha. Tema pesado, mas necessário.

A nova fronteira hipster

Já que você está no norte de Berlim, vale a pena esticar até Wedding para conhecer o bairro que vem sendo considerado a nova meca hipster da cidade, desbancando o título que já foi de Prenzlauer Berg, Kreuzberg e Neukölln.

Eleito o quarto bairro mais cool do mundo pela Time Out, começou a passar mais recentemente por um processo de gentrificação, mas o movimento é tímido em relação ao que ocorre em outras regiões da cidade.

Por isso, ainda mantém muitas de suas características originais, com mercados tradicionais, bares das antigas e vastos espaços públicos que ainda não foram descobertos pela especulação imobiliária.

QUIZ - Descubra o que você sabe sobre os 30 anos da queda do Muro de Berlim

Uma boa maneira de começar um tour exploratório é pelo Silent Green, um espaço cultural aberto em 2013 onde já funcionou um crematório. Além de shows, palestras e outros eventos, o local abriga um restaurante que merece o deslocamento mesmo se você estiver do outro lado da cidade.

Em um salão envidraçado e aconchegante, o Mars serve deliciosos almoços e brunches. Da cozinha saem pratos como o ravióli de cogumelos e manteiga temperada, falafel com homus e salada e waffels belgas com molho de morango.

Outros endereços interessantes são os jardins comunitários de Himmelbeet, o criativo restaurante Baldon, o coletivo de artistas Gerichtshöfe, a casa de tango Tangoloft e o Piano Salon Christophori, com seus delicados concertos de piano.

Wedding não fica assim tão perto do antigo muro, mas era um dos bairros proletários da antiga Berlim Ocidental - enquanto a elite preferia viver próxima a lagos mais ao sul da cidade. Nele, você ainda pode ter um gostinho da Berlim "pobre, mas sexy" dos anos 90.

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