Bruna Toni/Estadão
Bruna Toni/Estadão

Karlovy Vary: as águas termais do rei Carlos

Segundo destino mais procurado por turistas na República Checa tem spas de cerveja e licores saborosos

Bruna Toni, O Estado de S. Paulo

23 Agosto 2016 | 05h00

Karlovy Vary poderia ter sido o cenário de um encontro entre Mozart e Scarlett Johansson ou entre Karl Marx e Roman Polanski se, assim como as construções, pessoas também pudessem atravessar séculos. A “praça da fama”, em frente ao histórico e luxuoso Grandhotel Pupp, construído em 1701, conseguiu aproximar não só os quatro ilustres citados acima, como tantos outros que, por motivos diversos, estiveram na pequena cidade a 200 quilômetros de Praga, a segunda mais visitada da República Checa.

As águas termais renderam à cidade seu nome, que significa algo como “águas quentes de Carlos”. Por causa delas, que brotam de profundidades variadas, Karlovy Vary sempre recebeu elites aristocráticas e intelectuais, como Goethe, assíduo frequentador, e Mozart, cujo filho mais novo, para tentar curar-se de uma grave doença, morou e acabou sendo enterrado na cidade – é possível ver a casa dele numa visita pela Rua Stará Louka.

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Hoje, não é preciso ser ilustre para conhecer e experimentar o gosto salgado da água termal que sai de suas 12 fontes espalhadas. Símbolo da cidade, Vridlo é uma delas. Fica dentro de uma espécie de galeria, aberta das 6 às 19 horas, com três torneiras esguichando água continuamente a temperaturas de 30, 50 e 72 graus. Você até pode bebericar com as mãos, mas dizem por lá que bom mesmo é virar dois copos pequenos do líquido três vezes ao dia – os copinhos, claro, são vendidos ali mesmo como souvenir, ao custo de 130 coroas (R$ 17). Por causa de sua característica mineral, o sabor pode não agradar a todos os paladares. 

Karlovy Vary vale tanto como bate-volta desde Praga quanto para ficar mais tempo e aproveitar seus balneários, spas e seus aproximadamente 200 hotéis. Muitos desses spas, que eram públicos durante o regime socialista, hoje ostentam marcas mundialmente conhecidas, com diárias reajustadas de acordo com o novo padrão, claro. No verão, há festivais ao ar livre.

 

Erva boa. Sem deixar de dar sua colaboração à consolidação da fama cervejeira da República Checa, Karlovy Vary também se destaca pela produção de uma outra bebida. Fabricado pela Becherovka, um popular licor de ervas também tem seus fãs.

Criada por Jan Becker em 1807, a marca mantém em segredo a receita de seu licor que, na versão original, inclui cerca de 20 ervas, a maioria delas plantadas na região. A parte que não é nativa vinha da América do Sul, Indonésia, Austrália e África. 

Como apenas duas pessoas no mundo conhecem a lista completa dos ingredientes, a cada semana uma delas é responsável por preparar a mistura mágica que inclui – isso eles revelam – açúcar, álcool e a água quente de Karlovy Vary. Segundo os fabricantes, é essa água que garante o sabor único e inimitável da bebida exportada ao resto do mundo. 

Por 400 coroas (R$ 54) é possível comprar tamanhos variados de garrafas do licor e versões alternativas, como a Lemon e a Ice & Fire. Mas o mais interessante é fazer o tour pela fábrica antiga, onde a bebida foi produzida por 143 anos antes de migrar para uma nova sede. O passeio guiado mostra a produção e a história da marca, como a evolução das garrafas verdes que acondicionam o produto, e termina em uma mesa redonda de degustação. 

Essa parte pode se revelar um desafio: o teor alcoólico dos licores é de 38%. Para amenizar, prefira o beton, coquetel inventado pelos checos que mistura licor e água tônica. O tour guiado custa 120 coroas checas (R$ 16). Agende: vstupenky@jan-becher.com. 

 

RECEITAS TÍPICAS E ALGUMA OUSADIA

Ensopado de carne (bovina ou de porco) feito com farinha, cebola e pimenta, o goulash é receita tradicional na República Checa. Em Karlovy Vary, experimente o prato servido no restaurante U Svejka, por 65 coras (R$ 8,74). Em Cesky Krumlov, aventure-se por outros sabores no restaurante da cervejaria Eggenberg: uma porção de joelho de porco assado e rabanete picante ou um queijinho temperado no azeite com pimenta sai a partir de 135 coroas (R$ 18). 

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