As bodas da rainha e as fotos de nosso viajante

miles@estadao.com

Mr. Miles, O Estado de S. Paulo

29 Novembro 2016 | 03h00

Ao contrário do que alardeamos na última de suas crônicas, nosso glorioso viajante ainda não saiu da Inglaterra. Teve um bom motivo para isso: a festa dos 69 anos de casamento entre a rainha Elizabeth II e seu príncipe consorte Phillip, duque de Edimburgo. Não houve grande pompa. Sessenta e nove anos de bodas, segundo Miles, “é um marco tão difícil de alcançar que, well, probably nem merece muita atenção. São as chamadas Bodas de Mercúrio, porque remetem aos antigos termômetros, instrumentos muito usados por seres que vivem ao lado de seus cônjuges por tanto tempo. Anyway, my friends, não cometi a indelicadeza de ignorar o evento. Com o príncipe longe de Londres – fato recorrente durante o matrimônio –, levei a ela um CD de soukous, a excêntrica música do Congo. Porque isso? Well: com o que mais se pode presentear uma rainha nonagenária?

Em nossa conversa, além de um ótimo chá, houve espaço para pequenas inconfidências da soberana, que me confessou ter passado momentos infelizes nesse período. “Phillip é um bom homem”, disse-me. “ Unfortunately, os tabloides sempre tiveram razão ao apontá-lo como um bacante. Esse personagem de rainha séria e elegante que assumi há tantas décadas, indeed, não é nem um pouco sensual. Don’t you agree?

Confesso que não encontrei palavras para responder.

A seguir, a pergunta da semana: 

Estimado Mr. Miles, há muito que guardo a agora incontida curiosidade: essa sua foto ao alto, à direita na sua coluna semanal, pela indumentária e bigode, me reportam aos anos 50. By the way, me lembra o impecável David Niven. Poderia me matar a curiosidade em saber quando, onde e em que circunstâncias essa marcante fotografia foi tirada?

David Diniz Dantas, por e-mail

Well, my friend: como se vê na foto (que se no impresso está incompleta, aqui existe de corpo inteiro, veja abaixo), sou um inglês de aparência comum. Já fui confundido com David Niven em uma festa em Tijuana, no México, e – confesso, com certa vergonha – a confusão rendeu-me uma noite caliente com a filha do intendente local. Hoje não tenho mais vergonha porque David me confessou ter vivido alguns romances com mulheres que pensavam estar na minha presença.

Há outro famoso britânico com quem guardo ligeira semelhança: o piloto Graham Hill, grande nome das pistas da Fórmula 1 entre os anos 60 e 80 do século passado. Eu estava em Monte Carlo na ocasião de uma de suas vitórias no principado e fui convidado para uma festa em homenagem ao vencedor (ele, no caso) em um dos salões do Hotel Hermitage. Pontual, as usually, cheguei no horário exato do compromisso. Guess what?

O chefe de cerimônias do principado confundiu-me com o piloto. Fui levado a um pequeno palco, recebi um troféu nem-sei-do-quê, e, no meio de uma grande ovação, entornei a maravilhosa champagne dedicada aos vencedores.

Quando o verdadeiro piloto chegou (e com a intenção de não piorar seu erro), o mesmo chefe de cerimônias decidiu não permitir sua entrada. Surgiram, of course, fofocas a respeito do engano, rapidamente abafadas por todas as partes.

Sinto muito, mas a foto é bastante anterior aos anos 50, de acordo com sua suposição. Ela foi tirada por um lambe-lambe da cidade de Notto, na Sicília, onde vi-me obrigado a usá-la em um documento de que nem sequer me lembro. Creio que – a memória falha – minha mãe estava comigo.

Desde, however, um certo tiro no bairro do Albaicín, em Granada, na Espanha (já falei disso antes e voltarei a contar no futuro), tornei-me avesso a qualquer tipo de câmera – e é por isso que a que aparece na coluna segue sendo minha única foto oficial.

Unfortunately, depois da proliferação da fotografia tirada por qualquer tipo de aparelho (celulares, relógios, escovas de dente e até cigarros eletrônicos), sinto que venho sendo fotografado em hotéis, aeroportos, praças e muito mais.

Therefore, aguardo retratos meus para, maybe, atualizar a antiga imagem. Se você as tiver, envie para minha caixa postal (miles@estadao.com). Mas, veja bem se sou eu. Conforme aconteceu com David Niven e Graham Hill, há muitos sósias na praça.”

MR. MILES É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO. ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E 16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS.

Mais conteúdo sobre:
Crônica

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.