Brian Wright/ The New York Times
Brian Wright/ The New York Times

As delícias dos brechós de Paris

Para as parisienses, comprar itens de grife de segunda mão é algo corriqueiro. As chamadas ‘depôt-ventes’ são butiques arejadas e organizadas, repletas de tesouros para fashionistas

Amy Tara Koch, Paris/ The New York Times

03 Abril 2018 | 04h20

Quase três décadas visitando Paris, o ponto alto da minha estadia sempre são as compras de roupas francesas difíceis de encontrar. Com o passar dos anos e a proliferação das cadeias de lojas em Paris (e o fácil acesso às marcas francesas de luxo), encontrar peças exclusivas se tornou um desafio.

Numa viagem recente, quando descobri uma loja de segunda mão repleta de jaquetas, bolsas, botas e joias de estilistas de luxo, e peças prêt-à-porter de marcas parisienses, fiquei entusiasmada. Quando pagava pela minha compra (um blazer de cashmere de Angelo Tarlazzi e uma estola de pele vintage) fiquei sabendo que havia uma rede com dezenas de lojas de segunda mão atendendo ao gosto exigente e à paixão por barganhas das mulheres francesas.

Fanática por brechós e lojas de segunda mão de roupas de grife, encontrei algumas coisas que me satisfizeram mais do que sair à caça de bijuterias “fabriqué à Paris” pagando caro. Assim, parti em busca das lojas especializadas em artigos de luxo.

Enquanto os turistas gastam seus euros na Avenue Montaigne, área elegante de compras entre a Champs-Elysées, o Sena e o Hotel Plaza Athenée, as parisienses conhecedoras buscam roupas de marca “usadas e em bom estado” de estilistas como Chanel, Yves Saint Laurent, Hermès, Givenchy, Louis Vuitton, e outras não tão conhecidas, nas butiques de segunda mão escondidas pela cidade.

Não são brechós em que você precisa vasculhar muito para encontrar peças interessantes. As butiques chamadas depôt-ventes (depósito e venda) são arejadas e bem organizadas: você encontra jaquetas de couro, smokings, blazers, blusas de seda, suéteres de cashmere, peles, vestidos de coquetel, todos enfileirados; vitrines repletas de joias, carteiras, óculos de sol e, claro, echarpes. No que se refere a preços, qualquer produto de luxo numa loja de segunda mão custa uma fração do seu preço original.

Pense numa roupa Balenciaga ao custo de uma Zara. Muitas peças estão ali em consignação depois de terem sido usadas uma única vez. Algumas têm a etiqueta de preço original, provocando palpitações da clientela obcecada por brechós. Ao contrário das lojas de varejo tradicionais, os preços não são inalteráveis. Não tenha medo de barganhar.

Roteiro. O 16º Arrondissement, um distrito com avenidas largas e arborizadas e edifícios de apartamento art nouveau, é um campo fértil para compras, especialmente as pequenas ruas atrás da elegante Place Du Trocadero.

Comece na Reciproque, o maior depósito e vendas de Paris, com quase 500 metros quadrados. Ali você estará fazendo compras ao lado de moradores elegantes em busca de roupas clássicas, vestidos de noite e uma variedade alucinante de echarpes. Não deixe de ir ao porão, onde estão peças mais casuais (jeans, blusas, maiôs). Dê uma olhada na área de sapatos. Uma nova sola e uma boa limpeza e você tem um par de sapatos sensacional barato.

Próximo dali está o Le Date, uma caixinha de joias que lembra um camarim, repleta de vestidos para coquetel, peles, sapatos de salto e bolsas expostas em caixas de chapéu antigas. Além disso, você encontra peças de Yves Saint Laurent, Chanel, Hermès. Mas as mais interessantes – e os melhores preços – são de marcas menos conhecidas como Kyros e Stéphan, como também de Lil Pour L-Autre, Joseph e Hotel Partiulier.

Do outro lado da rua, o Depôt Vente Luxe Paris foca na moda do momento, não clássica. Preços reduzidos de peças que podem ser vistas nas revistas de moda atuais. Em novembro encontrei uma bolsa Fendi Peekaboo, uma bolsa Sac de Jour Saint Laurent, uma jaqueta de couro da grife Balmain e uma pasta Louis Vuitton.

Na artéria principal, na Rue de Passy, uma rua de pedestres repleta de lojas, está a Coeur de Luxe, onde você encontra casacos de smoking, blusas da grife Céline, tricôs Breton, tweeds Chanel, junto com peças de couro de Claude Jitrois, peles de Sylvie Schimmel e uma variedade de fivelas para cinto em ouro, além de bolsas e sapatos.

Acima, no 8º Arrondissement, a alguns passos do Palácio do Eliseu e atrás da elegante Rue Du Faubourg Saint Honoré, está o Valois Vintage, com uma mistura glamourosa de peças da última moda e outras vintage, mas caras. 

Cruze a Ponte Alexandre III rumo à Rive Gauche, passe a Esplanada dos Inválidos e você vai deparar com a Defile des Marques. Trata-se de um empório pequeno, mas poderoso, onde fiz as melhores descobertas: smokings Yves Saint Laurent e Loulou de la Falaise, calças Akris e Balenciaga, e coleções da era de Riccardo Tisci na Maison Givenchy. 

No 2º Arrondissement está a La Marelle, próxima das alamedas arborizadas do Palais Royal, dentro da Galerie Vivienne – uma passagem coberta Belle Époque, com teto de vidro e molduras de ninfas e deusas. No andar térreo estão marcas acessíveis como Sandro e Isabel Marant. Subindo as escadas, você encontra coisas interessantes. Há uma parede inteira devotada ao design japonês, uma seção de peles Made in Paris, uma arara do jeans e peças prêt-à-porter baratas.

Estou agora andando por Chicago com minhas roupas elegantes e me deliciando quando amigos perguntam onde comprei meu conjunto: “Este? É de uma lojinha em Paris”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO. 

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