As grutas de Waitomo e sua beleza milenar

Cavernas da região formam uma rede de 45 quilômetros

Adriana Moreira, O Estado de S.Paulo

30 de setembro de 2008 | 02h09

A decoração pode ser definida como minuciosa. Paredes, teto e chão exibem obras de valor inestimável, criadas ao longo dos milhões de anos de contato entre a água subterrânea e as camadas de calcário. A duas horas de Auckland, as cavernas e grutas de Waitomo formam um trajeto ininterrupto de 45 quilômetros, uma maravilha só descoberta no fim do século 19. Para ficar mais claro: é como se o parque de cavernas mais famoso do Brasil, o Petar, no Vale do Ribeira, tivesse uma filial na Nova Zelândia. A diferença, contudo, está na infra-estrutura. Ao contrário das estradas malconservadas que dão acesso ao parque brasileiro, o caminho que liga Auckland a Waitomo tem vias rápidas e bem sinalizadas. E, dessa forma, os turistas aparecem.E não apenas aqueles que buscam aventuras como o Black Water Rafting, espécie de acqua ride local. Durante três horas, o visitante percorre os túneis labirínticos da caverna Ruakuri. O passeio é realizado o ano inteiro, mesmo nos dias mais frios. Para que os turistas resistam às baixas temperaturas, a agência que promove o tour fornece roupa de neoprene e botas de borracha - o capacete está incluído, claro.'CÉU' ESTRELADOAlém de belas formações, como estalactites e estalagmites, o visitante vê os glow worms, larvas minúsculas que usam a luminescência para atrair outros insetos e, assim, conseguir alimento. Pode parecer nojento, mas, na escuridão, os olhos humanos conseguem distinguir apenas pontinhos luminosos no teto das cavernas, formando um céu estrelado.Mas não é preciso se molhar dos pés a cabeça - ou estar em plena forma física - para ter acesso a esse espetáculo. Há outra caverna, a Waitomo Glowworm Cave, bem mais popular e de fácil acesso. Em compensação, as modificações realizadas para simplificar a vida do turista deixariam qualquer guia do Petar estarrecido. No chão, estalagmites deram lugar a um piso antiderrapante. Há corrimãos em várias partes, assim como iluminação artificial - os fios foram disfarçados com ajuda de reboco. As luzes (pelo menos) são desligadas pelo guia quando o grupo deixa o local. O próximo, no entanto, chegará em apenas meia hora. O tour termina com um pequeno passeio de barco em um lago na caverna, hábitat dos glow worms. Outra bela caverna é a Aranui, bem menos visitada e com poucas modificações. Ali, as estrelas não são os vermes fosforescentes, mas as magníficas esculturas, brancas ou rosas, que lembram velas derretidas. Durante cerca de uma hora, o visitante pode observar grandes colunas e estalactites tão finas que parecem fios de gelo. As estalagmites, por sua vez, ganham formas divertidas. Com um certo esforço, observa-se uma Branca de Neve, com seus sete anões, e até um presépio. Uma decoração um tanto quanto kitsch, é verdade. Mas que, naquele cenário, parece absolutamente perfeita. Cavernas de Waitomo: www.waitomo.com; preços: a partir de 15 dólares neozelandeses (R$ 18,94)

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