Marina Valle/Arquivo Pessoal
Marina Valle/Arquivo Pessoal

As ilhotas e suas características

  Lagosta, sol e cerveja

O Estado de S.Paulo

02 Outubro 2012 | 03h10

 

As piscinas naturais rasinhas de Francisquí del Medio e de Abajo atraem iates e veleiros. Apesar da movimentação de barcos, as águas, tranquilas e quentinhas, são um convite a um mergulho demorado. A areia fofa e clarinha, que mais parece talco, é perfeita para lagartear sem sentir o sol queimar - com a ajuda dos ventos que seduzem os kitesurfistas. Ambas as ilhas abrigam restaurantes que servem pescados a la plancha (ou seja, grelhados). Fora da época de defesa (que ocorre de maio a outubro), o Casa Marina, em Francisquí del Medio, serve lagosta fresca a 120 bolívares fortes (R$ 57). Mas o ano todo há porções como os tequeños, a bolinha de queijo deles, ideais para acompanhar uma Solera (a cerveja local) gelada. O ideal é reservar um dia para cada ilha, mas dá para ir nadando de uma a outra, passando (com cuidado, por favor) entre os corais.    Chão de estrelas    

Conhecido como minitour, o passeio entre Laguna Rabusquí, Krasquí e Noronquí vai preencher seu dia com imagens belas e raras. Afinal, não é sempre que se tem a oportunidade de ver o céu dentro do mar: Rabusquí, a primeira parada, abriga uma piscina natural forrada de estrelas-do-mar, frondosas e em surpreendentes tons alaranjados. Ainda não tínhamos ficado cansados de nos encantar com aquele cenário quando, ao meio-dia, o barqueiro chamou para seguirmos até Crasquí. Ali, quem fica sem cooler tem a opção de almoçar no Restaurante Juanita (funciona das 10 às 15 horas), pé na areia cujo prato principal é - adivinhe? - peixe frito, claro. A última parada é Noronquí, um conjunto de três ilhas que são santuário de tartarugas-marinhas. Como a maioria dos turistas desembarca em Noronquí de Abajo, a dica é pedir para descer em Noronquí del Medio, com faixa de areia extensa, cercada de vegetação de restinga. O passatempo ali é disputar quem encontra conchinhas e caracóis no formato mais interessante e mergulhar com a multidão - de peixes coloridos.

 

Pássaros e política

 

Pequenina, Madrisquí tem em sua extensão mais bonita oito casas particulares, quase todas fechadas fora do período de férias (julho e festas de fim de ano). Segundo o caseiro Hector, que vive na ilha e trabalha para algumas delas, a residência "dos Machado" pertence à família da deputada María Corina Machado, forte aliada do candidato de oposição Henrique Capriles Radonski na campanha presidencial (as eleições estão marcadas para este domingo). Será que isso teria alguma coisa a ver com a tal declaração do presidente Hugo Chávez de querer "nacionalizar" o turismo nas ilhas? Política à parte, o melhor de Madrisquí é deixar o olhar se perder no horizonte azul, com as rochas curvilíneas de Gran Roque ao fundo, e apreciar o silêncio, interrompido vez ou outra pelos mergulhos dos pelicanos na caça por um peixe suculento e os assobios de euforia dos guanaguanares, pássaros pidões de plumagem branca e preta, sempre de olho no que os turistas retiram dos seus coolers. Não troque esse tempo de ócio e sossego precioso por uma caminhada até Cayo Pirata, ligado a Madrisquí. Habitada por pescadores que não preservam seu próprio paraíso, na ilhota havia uma triste quantidade de lixo e entulho espalhados pelas praias.

 

Luz na passarela

 

No extremo oposto de Gran Roque, a 1h30 de barco, passando por trechos de mar agitado, Cayo de Água já teve acesso restrito para os visitantes. Se sua coluna não estiver em ordem, pense bem antes de ir - à tarde, quando os ventos sopram mais forte, passei quase uma hora de sacolejo intenso e pancadas no traseiro (amenizado com toalhas estrategicamente posicionadas), enquanto a nossa lanchinha cortava ondas de quase 1,5 metro. O esforço foi por uma boa causa: contemplar uma baía com uma palheta de azuis infinitos e arrecifes de corais no canto esquerdo. E a cereja do bolo: uma fenomenal passarela de areia no meio do mar, que liga Cayo de Água a Punta Coco - se estique ali e sinta a água bater nos dois lados do corpo. Na volta, há uma parada em Dos Mosquises, que abriga a Estação Biológica da Fundação Científica de Los Roques, onde é possível conhecer uma estrutura semelhante à do Projeto Tamar (ingresso a 10 bolívares fortes ou R$ 4). Caso não dê para conhecer a Laguna Rabusquí, feche com o barqueiro uma parada em Espenquí, também lotada de estrelas-do-mar.

 

De boca aberta

 

As "bocas", nas bordas da barreira de corais na divisa com o oceano, são os pontos ideais para mergulho, com visibilidade de 25 metros, segundo Carlos Molina, instrutor da Aquatics Diving Center. A mais famosa é Boca de Cote, mas só com o snorkel, em Boca del Medio, vimos barracudas, arraias e formações de corais das mais lúdicas. Antes de chegarmos em Sebastopol (ótimo para kitesurfistas), a surpresa foi Boca de los Bobos: um berçário de pássaros em um mangue cercado de águas transparentes.

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