As línguas falam por si mesmas

De Istambul, onde estava na semana passada, nosso viajante pegou uma balsa, avançou pelo Mar de Mármara, o Egeu e desceu na ilha de Lemnos, para visitar Helena Pergourus, ex-comissária de bordo que "sempre me tratou como eu mereço quando voamos juntos". Trashie, claro, foi com mr. Miles. A seguir, a pergunta da semana:

O Estado de S.Paulo

02 Setembro 2014 | 02h07

Mr. Miles: sou aposentada, tenho 66 anos e uma frustração por não saber falar inglês. Tenho disponibilidade para viajar e já realizei algumas, porém gostaria de estudar o idioma fora. O que você me aconselha? Existe algum curso além dos direcionados para teens? Com duração de um mês, no máximo, hospedagem em hotel ou estúdio? Londres, Nova York, Dublin, Malta ou nenhuma? Vou sozinha e gosto de ficar só.

Vania Paiva, por e-mail

"Dear Vania: obrigado por sua pergunta. Tenho o grande prazer de informá-la que, yes, existem programas de estudo e intercâmbio para pessoas jovens como você. Não posso, as you know, indicar qualquer empresa, porque jamais fiz uso de seus serviços. Anyway, basta usar o nosso novo amigo Google, juntar as expressões intercâmbio e terceira idade e logo você verá diversas ofertas. Basta, therefore, escolher a que lhe parece melhor.

Mas viaje focada em seu interesse, darling. Não se preocupe com a idade. As I said, Vania, você é muito jovem. Se bem me lembro, quando eu tinha 66, só conhecia um terço dos 36 idiomas que pratico precariamente, como, for instance, o português. Ou seja: sempre é tempo para viajar e aprender.

Concentre-se em aprender o mecanismo básico do idioma e, depois, enriqueça seu vocabulário lendo livros simples na companhia de um dicionário. Devo presumir que a prezada leitora não pretende dominar o inglês com a erudição de Shakespeare, mas apenas com a intenção de fazer-se entender e não se sentir ausente como uma pedra quando as pessoas estiverem conversando ao seu redor. Am I right?

Se esse for o caso, basta ser aplicada. Ajuda muito, my friend, adotar outras posturas simples depois da viagem: assistir, pela televisão, programas em inglês; assinar uma revista nesse idioma, habituar-se com a musicalidade da pronúncia e a plasticidade das palavras. Vou lhe confessar uma coisa: as línguas falam muito por si próprias. Por trás delas, é possível ver a alma dos povos. Até, sometimes, o seu próprio rosto. Um exemplo: é impossível negar que o alemão seja um idioma enérgico e imperativo. Um povo que chama uma simples borboleta de schmeterling (!) não está, definitivamente, para brincadeiras. However, a sempre mencionada eficiência germânica deve provir do fato de que, desde pequeninas, as crianças teutônicas têm de cortar um sete para aprender a língua. Don't you agree?

Há, contudo, em sua mensagem, um detalhe que me preocupou. Você diz que vai sozinha e gosta de ficar só. Não condeno a sua postura, o mundo está repleto de gente com as suas características. Para aprender um idioma, however, a solidão é um inimigo mortal. Não há como conversar consigo mesma. Não há como praticar uma língua em um silencioso diálogo com seus próprios botões. Idiomas existem para que as pessoas troquem ideias, informações e ensinamentos, qualquer que seja a sua origem. Uma poliglota solitária é tão useless como um sino sem badalo. Peço, therefore, que você reavalie essa postura antes de se inscrever em qualquer curso. Ou que, em último caso, esqueça o inglês e viaje, viaje sempre em paz consigo mesma.

É O HOMEM MAIS VIAJADO DO MUNDO.

ELE ESTEVE EM 183 PAÍSES E

16 TERRITÓRIOS ULTRAMARINOS

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